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Notícias do TJGO

Caso Mara Rúbia: júri popular de acusado ainda não tem data

Não foi marcada, ainda, a data do júri popular de Wilson Bicudo da Rocha, acusado tentativa de homicídio triplamente qualificado por ter agredido e perfurado os olhos da ex-companheira, Mara Rúbia Mori Guimarães. Depois da sentença de pronúncia dele, assinada pelo juiz Eduardo Pio Mascarenhas da Silva, da 1ª Vara Criminal de Goiânia, os autos foram para o Ministério Público (MP).

Além disso, o magistrado determinou que o acusado permaneça na prisão até o julgamento. Posteriormente, a defesa será intimada da sentença e, a partir daí, terá cinco dias úteis para recorrer. Somente então, se mantida a pronúncia, o juízo da 1ª Vara Criminal poderá designar a data do julgamento.

Consta dos autos que, no dia 29 de agosto, por volta das 11h50, Mara Rúbia chegou em casa para o almoço e deixou a porta encostada. Pouco depois, foi surpreendida por Wilson Bicudo, que a agarrou pelo pescoço e a empurrou para cima da cama, momento em que afirmou “vim aqui só para isso, para te matar”. 

Bicudo deu continuidade às agressões e sufocou Mara Rúbia com as mãos, até que ela desmaiasse. Quando a vítima recobrou a consciência, o acusado amarrou suas mãos e pescoço com um fio de telefone. Em seguida, ele perfurou o olho direito de sua ex-companheira, com uma faca de mesa, o que lhe causou novo desmaio, em virtude da intensa dor física. Não satisfeito, perfurou também seu olho esquerdo, momento em que ela desmaiou de dor pela terceira vez.

Acreditando que ela havia morrido, Bicudo saiu do local e, para garantir que a vítima não conseguisse pedir socorro, caso não tivesse morrido, trancou o portão e levou as chaves consigo, além de levar também o celular dela. Mara Rúbia só foi socorrida quando recobrou os sentidos, momento em que conseguiu soltar o fio de telefone que amarrava suas mãos e seu pescoço e começou a gritar. Os vizinhos ouviram os gritos e chamaram o Corpo de Bombeiros.

A versão do réu

Interrogado em 6 de dezembro do ano passado, pelo juiz Jesseir Coelho de Alcântara, Bicudo afirmou que não teve intenção de matar a ex-companheira e que só a amarrou para pedir socorro. Alegando arrependimento, Bicudo contou que, quando percebeu a gravidade dos fatos, ficou preocupado e, por isso, avisou a amiga de Mara Rúbia sobre o crime. 

“Eu não sei porque isso aconteceu, mas eu não tive a intenção de matar”, disse. Bicudo alegou ainda que o fato de ter se entregado à justiça revela seu arrependimento. “Eu confio na Justiça do homem e de Deus”, afirmou. Bicudo negou que teria ameaçado a ex-companheira de morte e também o filho do casal. Ele admitiu ter empurrado Mara Rúbia, mas não tê-la espancado. “Eu nunca coloquei a mão nela, eu só dei um empurrão e fez um galo.”

As palavras da vítima

Ouvida na mesma época, Mara Rúbia, por sua vez, relatou que Bicudo sempre foi violento e que, durante os seis anos em que foram casados, ela chegou a chamar a polícia para contê-lo.  Ela contou detalhes sobre o crime:  “ele me amarrou toda, pegou uma faca de mesa, achei que ia cortar meu pescoço. Daí, ele veio com muita força e furou o meu olho direito. Doeu muito, eu cheguei a fazer xixi e cocô na roupa de tanta dor. Depois, ele veio e furou o meu outro olho.”

Ainda segundo a vítima, no dia do fato, antes do acusado furar os olhos, ele a machucou muito. Mara Rúbia contou que Bicudo a amarrou com pedaços de um vestido de seda, toalhas e o fio de um telefone e apertou seu pescoço.  “Ano passado ele me deu um surra e falou que eu poderia ter certeza que ele iria me matar”, frisou ela, que revelou ainda que Bicudo ameaçava também o filho.

(Texto: Arianne Lopes - Centro de Comunicação Social do TJGO)