Com 60 facilitadores já capacitados para atuarem na rede municipal de ensino, o Projeto Pilares, fruto de uma parceria entre a Corregedoria-Geral da Justiça do Estado de Goiás, por meio da Secretaria Interprofissional Forense, e a Secretaria Municipal de Educação (SME), com o objetivo edificar uma cultura de paz nas escolas, poderá ser estendido para o âmbito estadual. As tratativas para a possível viabilização do projeto na rede estadual foi pauta da reunião realizada nesta terça-feira (16) entre o corregedor-geral da Justiça do Estado de Goiás, desembargador Kisleu Dias Maciel Filho, e representantes da Secretaria de Estado da Educação (Seduc), que reiteraram o pedido após formalização via Proad.

Satisfeito com os resultados positivos do projeto, o corregedor-geral ressaltou que o pedido feito pelo Proad para implementação do Pilares na rede estadual de ensino, já está sendo analisado e demonstrou enorme contentamento com a solicitação da Seduc. Ele observou que teve contato com o Pilares logo que assumiu a Corregedoria e contou que ficou muito sensibilizado com a proposta de formar facilitadores em círculos de paz para prevenir e combater a violência no âmbito escolar. “Sou magistrado há quase 36 anos e no gabinete muitas vezes não temos o pleno conhecimento das boas práticas da Justiça. Precisamos mudar a cultura do litígio, arraigada na nossa sociedade, e encontrar meios alternativos de provocar a paz social. A iniciativa de disseminar uma cultura de paz nas escolas é proativa, de suma importância especialmente pelo momento violento vivenciado em nosso País que, infelizmente, alcança nossas crianças e adolescentes. Os resultados na prática são reais, muito positivos e efetivos e o Judiciário tem cumprido seu papel com afinco e esmero”, pontuou.

Por sua vez, o Coronel Avelar Lopes de Viveiros, que na ocasião representou a secretária de Estado da Educação, Aparecida de Fátima Gavioli Soares Pereira, enfatizou a importância da atuação conjunta com o Poder Judiciário para que haja uma mudança real de comportamento na sociedade no sentido de que as pessoas compreendam e assimilem de fato a cultura de paz nas escolas. “Temos vários registros de violência nas escolas goianas e quando percebemos que esse índice havia atingido um ápice implantamos o protocolo de segurança escolar, que foi copiado inclusive por Brasília e São Paulo. Esse protocolo nada mais é do que uma forma de delinear normas e procedimentos voltados para o cotidiano das instituições escolares e orientar os agentes no processo de paz. Por essa razão, o Projeto Pilares viria em boa hora, justamente de encontro com o nosso propósito que é o de trabalhar a cultura de paz e sua consolidação na esfera escolar”, realçou.

A seu ver, não existe uma solução padrão para se combater a violência nas mais de mil escolas estaduais, fora as municipais, em Goiás, e lembrou que as estatísticas mostram que fatores como depressão, suicídio, bullying, machismo, pais protetores e mídias sociais são alguns dos motivos que se destacam para explicar o aumento da violência nas escolas. “Não se resolve a situação da violência dentro e fora das escolas sem o envolvimento de todos e a parceria com o Judiciário é essencial nesse processo, principalmente através desse projeto de amplo alcance que é o Pilares”, evidenciou. 

Exemplo para outros Estados

Entusiasta do projeto, o juiz Decildo Ferreira Lopes, da Vara Criminal de Goianésia, onde o Pilares será implantado em breve, disse que esse exemplo deve ser levado para outros Estados da Federação. De acordo com o magistrado, o projeto é um instrumento de transformação da realidade social. “Precisamos nos fortalecer para que a paz prevaleça no ambiente escolar, para que crianças, adolescentes e familiares sejam trabalhados de forma adequada, gestores e professores sejam capacitados para lidarem com situações que culminam na violência, a exemplo do bullying e da depressão. Acredito que o Projeto Pilares desempenha essa função de maneira sensível, alternativa, pacificadora e eficaz”, frisou.

Ao expor um pouco da vivência experimentada na prática após implantação do Pilares em várias escolas municipais de Goiânia, a secretária interprofissional forense da Corregedoria, Maria Nilva Fernandes Moreira, explicou um pouco o significado do projeto, que completou um ano em março de 2019, e disse que ele é um marco importante no que tange à Justiça Restaurativa e aos Círculos de Construção de Paz. Feliz com os resultados e benefícios propiciados com o projeto, Maria Nilva chamou a atenção para o fato de com pouco mais de um ano o Pilares já alcançou mais de mil crianças e adolescentes das escolas municipais de Goiânia, formou 60 facilitadores e sensibilizou 137 participantes em círculos de construção de paz.

“Na verdade, o Pilares foi construído sob alicerces sólidos, com um olhar humanizado sobre o outro. Buscamos aqui a melhoria das relações, o momento reflexivo, a construção de valores incompreendidos, autoresponsabilização, o autocuidado, a prevenção de medidas extremas como suicídio, e automutilação, esses últimos inseridos nos próximos conteúdos programáticos. Compartilhamos saberes, somamos forças e primamos pela reflexão. Sabemos que todos os tipos de violência ocorrem por falta de diálogo e esse projeto muda a história de vida das pessoas, pois não atinge só os alunos, mas os gestores, professores, toda a comunidade escolar”, reforçou.

Também participaram da reunião o secretário-geral da Corregedoria, Rui Gama da Silva, Núbia Rejaine, superintendente de Modalidades e Temáticas Especiais da Seduc, e Patrícia Moreira dos Santos, que também compõe essa superintendência; coronel Juverson Augusto de Oliveira, superintendente de Segurança Escolar e dos Colégios Militares da Seduc, Jaqueline Rocha, gerente de Segurança e Saúde da Seduc, e Nel Anackin, integrante do Núcleo de Cultura de Paz do Governo estadual.

Sobre o Projeto Pilares

O Projeto Pilares foi criado em 19 de março de 2018 e consiste na disseminação do respeito como aspecto primordial para que sejam estabelecidos o diálogo e as relações pacificadoras na solução de conflitos dentro das escolas. A valorização deste sentimento é reforçada pelos Círculos de Construção de Paz promovidos nas primeiras etapas com as equipes de apoio pedagógico das Coordenadorias Regionais de Ensino. Nos meses de agosto e setembro, o Pilares também será implantado no interior do Estado abrangendo inicialmente as comarcas de Luziânia e Goianésia, onde serão capacitados mais 60 facilitadores (30 em cada comarca).

A apresentação desta metodologia relativa aos círculos de paz tem como ferramentas as habilidades emocionais nos relacionamentos, a comunicação não-violenta, a promoção do diálogo, o compartilhamento e resolução de conflitos, a construção de relacionamentos saudáveis, a autoresponsabilidade, o autocuidado, o estabelecimento de vínculos, o desenvolvimento da inteligência emocional e da escuta ativa, e a prevenção das diversas formas de violência, especialmente as invisíveis.

Já disseminado em várias escolas da capital, o Pilares, que em pouco mais de um ano já alcança mais de mil crianças e adolescentes, com 60 facilitadores formados (profissionais ligados a área educacional) e 157 participantes sensibilizados em círculos de construção de paz, surgiu em complemento ao Projeto Mediação Criativa de Conflitos, da SME. Entre os profissionais capacitados para atuarem como facilitadores, estão pedagogos, professores, psicólogos, musicoterapeutas, entre outros.

No ano passado, o Tribunal de Justiça do Estado de Goiás, por meio da Corregedoria-Geral da Justiça de Goiás, e a Secretaria Municipal de Educação de Goiânia, formalizaram um termo de cooperação para capacitar profissionais da Rede Municipal de Goiânia como facilitadores de Círculos de Justiça Restaurativa e de Construção de Paz. (Texto: Myrelle Motta - Diretora de Comunicação da Corregedoria-Geral da Justiça do Estado de Goiás/Fotos: Wagner Soares - Centro de Comunicação Social do TJGO e equipe fotográfica da Seduc)

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