Qual é a marca que eu quero deixar no outro? Foi com essa pergunta impactante que a  juíza Camila Nina Erbetta Nascimento, auxiliar da Corregedoria-Geral da Justiça do Estado de Goiás, representando o corregedor-geral da Justiça de Goiás, desembargador Nicomedes Domingos Borges, abriu na noite desta terça-feira, 4, o Curso de Preparação Psicossocial e Jurídica para Pretendentes à Adoção, chamando à reflexão e responsabilidade os mais de 300 presentes interessados no processo de adoção de crianças e/ou adolescentes. A realização é da CGJGO, por meio da Divisão Interprofissional Forense e da Comissão Judiciária Estadual de Adoção (Cejai), juntamente com a Coordenadoria da Infância e Juventude e a Escola Judicial de Goiás (Ejug). 

Ao ressaltar a importância do curso, a juíza acentuou o empenho e apoio do corregedor-geral para agilizar essa preparação para a adoção e conscientizar as equipes técnicas na celeridade dos procedimentos. Com muita sensibilidade, a magistrada afirmou que o momento é de abrir o coração e sanar todas as dúvidas, pois se trata de uma decisão pessoal que exige muita consciência e responsabilidade. “A interação com o outro é o que enriquece o ser humano, essa troca, desse sentimento de pertencimento, de vínculo, de afeto, é fundamental para a nossa evolução e felicidade. A nossa conduta e as nossas   repercutem na vida dos outros”, realçou.

A seu ver, muito além da obrigatoriedade legal para a concretização do processo de adoção, está o amor, a compreensão, a paciência e a dedicação. “É preciso que cada um amplie a visão neste sentido, preparando-se para esse novo caminho que se descortina. Que a mente de vocês hoje esteja aberta e que no coração de cada participante o amor seja a bússola para encontro com essas crianças e/ou adolescentes”, evidenciou.

Emoção e milagres

Muito sensível ao tema da adoção, com vasta experiência nesta seara, ao longo de mais de 24 anos, o juiz Carlos José Limongi Sterse, do Juizado da Infância e Juventude de Anápolis, coordenador da Infância e Juventude do TJGO e expositor deste primeiro módulo, emocionou a todos os presentes com seu depoimento pessoal sobre os processos em que atuou. Ele afirmou que considera esse trabalho “missão divina” e sempre procurou se nortear pelo amor para tomar a melhor decisão visando o futuro das crianças e dos adolescentes. “Já realizei várias audiências, mas sinto que existe o que posso chamar de direcionamento divino. Em todos esses anos procedendo várias adoções minha percepção e meu sentimento é de que situações delicadas e aparentemente irreversíveis, acabam sendo solucionadas de forma milagrosa”, sensibilizou-se.

O magistrado citou o caso de três irmãs disponíveis para a adoção que já haviam sofrido muitos traumas anteriores e que não tinham perspectiva de serem adotadas juntas. 'Fizemos uma busca em todo o País, no cadastro nacional e não encontramos ninguém que se dispusesse a adotá-las. Achamos que realmente teríamos que separá-las, até que resolvemos fazer uma prece. Foi quando me deparei com uma senhora que já havia adotado outras crianças (com idade superior a 7 anos) e ela me relatou que havia tido um sonho de que Deus mandaria a ela mais filhos. Perguntei a ela, então, se estaria disposta a adotar mais três crianças. Ela só respondeu: 'são minhas'. Choramos todos juntos e hoje essas crianças são pessoas muito felizes, pois foram criadas num lar de imenso amor”, comoveu-se.     

Carlo Limongi também fez questão de elogiar a equipe da Corregedoria, especialmente a Divisão Interprofissional Forense, que, na sua opinião, não mede esforços para que tudo corra de forma perfeita e que todos sejam beneficiados. “Essa equipe é valorosa demais, guiada pelo amor. Seu dom é servir, sem olhar a quem”, enalteceu. Este módulo contou com a colaboração da equipe interprofissional forense do Juizado da Infância e Juventude de Anápolis (3ª Região).

Sobre o curso

O curso, foi conduzido pela servidora e assistente social Maria Nilva Fernandes, responsável pela Divisão Interprofissional Forense da Corregedoria, e se estende de hoje (5) até a próxima semana  (dias 11 e 12 de maio), das 19 às 21 horas. No total são 337 inscritos com abrangência em todas as comarcas do Estado.

Ele está dividido em quatro módulos com temáticas afetas à adoção. Na noite desta quarta-feira, 5, das 19 às 21 horas, o módulo 2 engloba as “Adoções Necessárias (Adoção Tardia/Interracial/ Grupo de Irmãos/Crianças com graves e complexos problemas de saúde)” e “A voz da Criança e do Adolescente como sujeitos de direitos, na adoção”.

Já no dia 11 de maio, o módulo 3 abordará questões referentes a “Mitos e Preconceitos  relativos à Adoção à luz do Direito”, “Mitos e Preconceitos relativos à Adoção numa perspectiva Psicossocial”, e “Processo de Adaptação na Família Adotiva, o desconhecido pode (não)ser assustador”. O último módulo (4), que será apresentado no dia 12 de maio, diz respeito aos aspectos jurídicos da adoção e ao Sistema Nacional de Adoção (SNA).

São expositores dos outros três módulos os juízes Célia Regina Lara, do Juizado da Infância e Juventude de Luziânia e coordenadora adjunta da Infância e Juventude, com o apoio da equipe interprofissional forense do Juizado da Infância e Juventude de Goiânia (1ª Região); Karine Unes Spinelli, da 1ª Vara Cível e da Infância e Juventude da Comarca de Trindade, com o auxílio da equipe Interprofissional forense do Juizado da Infância e Juventude de Aparecida de Goiânia e equipe interprofissional forense volante (2ª Região); e Maria Socorro de Sousa Afonso da Silva, do Juizado da Infância e Juventude de Goiânia.

A secretária executiva  na Coordenadoria  da Infância e Juventude do TJGO, Carla de Paiva Rodrigues, também será uma das expositoras. O evento conta ainda com o apoio da Diretoria de Planejamento e Programas da CGJGO e das equipes interprofissionais forenses de comarcas do Estado. (Texto: Myrelle Motta - Diretora de Comunicação Social da Corregedoria-Geral da Justiça do Estado de Goiás/Edição de imagem e prints: Acaray Martins – Centro de Comunicação Social do TJGO )