
O Tribunal de Justiça do Estado de Goiás (TJGO), por meio do Laboratório de Inovação (InovaJus), realizou na última quarta-feira (8) uma oficina com o objetivo de promover iniciativas voltadas à eliminação de barreiras comunicacionais e atitudinais no atendimento às pessoas com deficiência, em cumprimento à Meta 9 de 2026 do Conselho Nacional de Justiça (CNJ) - que visa estimular a inovação no Poder Judiciário por meio do desenvolvimento de projetos inovadores em cooperação interinstitucional. A ação contou com a participação de representantes do TJGO e dos laboratórios de inovação do Tribunal de Justiça do Estado do Tocantins (TJTO) e do Tribunal Regional do Trabalho da 18ª Região (TRT-18).
A coordenadora do Inovajus, juíza auxiliar da Presidência, Jussara Cristina Oliveira Louza, que abriu o evento, destacou que o objetivo central da ação é identificar desafios, superar barreiras atitudinais e construir soluções conjuntas e efetivas.

“Estamos priorizando as barreiras atitudinais, que envolvem empatia e também a superação de preconceitos. Não é a pessoa com deficiência que deve se adaptar, mas as instituições que precisam garantir a acessibilidade. Nossa proposta é justamente identificar os problemas e sair daqui com um Protocolo, algo concreto que auxilie a administração a implementar ações e começar a romper essas barreiras”, afirmou a magistrada.
O diretor de Planejamento e Inovação (DPI), Diego César, complementou destacando as diretrizes da Meta 9 do Poder Judiciário. “Todos os tribunais de justiça, sejam federais, estaduais, militares ou superiores, devem trabalhar a inovação em seus órgãos. Existe uma política nacional voltada a esse tema, e uma das práticas previstas na Meta 9 é justamente promover melhorias que atendam às necessidades das pessoas com deficiência. E é fundamental considerar que, entre as barreiras enfrentadas, as atitudinais ainda representam um dos principais desafios”.

Para a coordenadora da Comissão Permanente de Acessibilidade e Inclusão, juíza Priscila Lopes da Silveira, é essencial ouvir as principais dificuldades enfrentadas pelas pessoas com deficiência para que os gestores promovam as mudanças necessárias à inclusão. “As barreiras atitudinais são o ponto central de todas as demais. De que adianta termos rampas nos prédios se a pessoa com deficiência não é bem tratada, não se sente acolhida ou compreendida? Os gestores e servidores estão, de fato, preparados? Temos avançado bastante na superação das barreiras físicas, mas ainda precisamos investir na capacitação das pessoas para lidar com as diferenças”, enfatizou.

A coordenadora de Inteligência e Inovação da DPI, Adriana Mesquita, acrescentou que a oficina busca implementar soluções novas ou melhoradas que impactam positivamente a vida das pessoas e a eficiência institucional. A oficina teve ainda acompanhamento de intérprete de libras.

Inclusão
Durante a oficina, a servidora da Comarca de Piranhas, Laísa Cardoso, que tem baixa visão, relatou as principais dificuldades enfrentadas em sua rotina, desde o acesso aos sistemas até a definição de atividades mais adequadas às suas condições. Ela ressaltou a importância de uma lotação mais compatível. “Não se trata de incapacidade para realizar determinados procedimentos, mas de reconhecer que, diante das minhas limitações, posso desempenhar melhor outras atividades. É fundamental gerir de forma mais estratégica as tarefas dentro da equipe, para que todos sejam melhor aproveitados”, afirmou. Ela também destacou que “a escuta ativa é o mais importante para a pessoa com deficiência”.

Soluções inovadoras
No decorrer das atividades, os participantes desenvolveram atividades práticas por meio de grupos, para definirem as soluções inovadoras que transformem a comunicação e o atendimento do Judiciário a pessoas com deficiência, proporcionando uma experiência acessível, respeitosa e eficiente.
Foram expostas as barreiras e apontadas as sugestões de melhorias a serem implementadas. No final da oficina foram apresentados ainda os protótipos, transformando as ideias em um modelo inicial de projeto institucional estruturado.
Entre as propostas destacadas estão a elaboração e Publicação de norma regulamentadora para o enfrentamento das barreiras atitudinais no Poder Judiciário; a estruturação e regulamentação de uma Central de Libras; e a produção de um documentário educativo voltado à conscientização sobre os diferentes tipos de deficiência. A próxima etapa será a sistematização dos resultados e a elaboração de um relatório.
A laboratorista do Tribunal de Justiça do Estado do Tocantins (TJTO), Ana Berenice de Aguiar, elogiou a iniciativa e manifestou interesse em replicar a experiência no órgão em que atua. “É uma forma criativa de levar aos nossos servidores sugestões interessantes e viáveis, como as apresentadas nesta oficina”, afirmou.
Já o laboratorista do TRT-18, Valdez Costa Braga, destacou a importância da troca de experiências e ressaltou que “as propostas agregam não apenas aos tribunais, mas a toda a sociedade”.
Presenças
Também participaram da oficina a diretora de Sustentabilidade, Acessibilidade e Inclusão do TRT-18, Rejane Rocha; a secretária do Núcleo de Responsabilidade Social, Ambiental, Acessibilidade e Inclusão do TJGO, Raquel Antonini; além de servidores do TJGO, TJTO, TRT-18, Escola Judicial de Goiás (Ejug) e de intérpretes de libras. (Texto: Karinthia Wanderley / Fotos: Agno Santos – Diretoria de Comunicação Social do TJGO)