
“Para alguém receber outra pessoa precisa doar. Não é sobre o que perdemos, é sobre o amor que permanece eterno”. O depoimento emocionado é de uma mãe que perdeu o filho mais novo, Cauê Magalhães, de apenas 19 anos, em um acidente de carro, mas decidiu transformar a dor em esperança para outras famílias ao doar os seus órgãos.
O caso de Rita de Cássia Gonçalves de Barros Oliveira foi um dos depoimentos especiais da campanha Dia D - Respeitar a vontade do doador é transformar a despedida em esperança realizado nesta segunda-feira, 29, pela Corregedoria do Foro Extrajudicial, no auditório da Escola Judicial do Tribunal de Justiça de Goiás(Ejug). O evento foi transmitido ao vivo pelo link
Mesmo diante da tragédia, sua resiliência e amor falaram mais alto.
“Doar é um ato sublime de amor. A breve existência do meu filho ajudou a transformar vidas. Sinto que ele também vive em cada um que recebeu uma nova chance. Espero que possamos ser inspiração para outras pessoas”, comoveu-se.
Ao avaliar a importância da iniciativa de grande alcance social, o corregedor do Foro Extrajudicial de Goiás, desembargador Anderson Máximo de Holanda, acentuou que é preciso quebrar preconceitos e compreender que doação de órgãos é um gesto nobre para salvar vidas.

“Esse é um trabalho de conscientização, de transformação. Essa união de esforços do Judiciário, da Cogex, do CNJ, dos cartórios e de toda a sociedade, pode mudar a realidade de milhares de pessoas que aguardam por um transplante. Viemos ao mundo não só para sermos servidos, mas para servir”, enfatizou.
Sem fronteiras
Para a juíza auxiliar da Cogex, Soraya Fagury, o tema transcende fronteiras da lei e da política, pois representa a oportunidade real de “transformar dor em esperança, perda em vida, fim em recomeço”.

“A doação de órgãos é um ato que, acima de tudo, é um gesto de humanidade, de solidariedade e de amor ao próximo. Cada doador é uma luz que continua brilhando na vida de alguém que depende dessa chance para viver”, ressaltou.
O médico endocrinologista e secretário-adjunto da SES-GO, Sérgio Vêncio, representando o governador Ronaldo Caiado no evento, disse que é preciso uma mudança cultural para que os resultados sejam efetivos, já que a doação de órgãos esbarra na recusa familiar na maioria dos casos.

“Essa é uma pauta social, humanizada. Precisamos entender que a necessidade de doar é real e emergencial. São vidas que dependem apenas . Façamos o nosso melhor, vamos ser o exemplo”, conclamou.
Também compuseram a mesa diretiva o corregedor-geral da Justiça, desembargador Marcus da Costa Ferreira, o diretor da Ejug, desembargador Jeronymo Pedro Villas Boas, e a ministra aposentada do Superior Tribunal de Justiça (STJ), Laurita Hilário Vaz.
Outras histórias
Há 4 anos, a servidora pública Paula Hilário Vaz, de 48 anos, filha da ministra Laurita Vaz, aguarda na fila do transplante de rim. Ela recebeu o órgão de um irmão, mas teve complicações durante a pandemia da Covid 19.
Paula não sabia sobre a autorização eletrônica de órgãos até participar do evento. Sua reação foi de esperança e alegria em dias melhores.
“Estou maravilhada com essa ação tão importante. Não perco minha fé, vou divulgar muito essa notícia. Hoje dependo de uma máquina de hemodiálise para viver e agora minha esperança foi renovada. Saio daqui fortalecida”, comemorou.
A enfermeira nefrologista, Neyuska Menezes, 34, que trabalhou na clínica onde Paula fez hemodiálise e cuidou dela por algum tempo.
“A Márcia tem anos de história na parte renal e a visão do paciente é muito importante porque a realidade é dura. Sem a máquina eles não tem como sobreviver. A doação de órgãos salva e transforma vidas”, destacou.
Gesto nobre
Um dos primeiros a fazer o cadastro para doação de órgãos, o desembargador Fabiano Abel Aragão Fernandes, lembrou que um simples gesto pode fazer a diferença na vida de quem luta pela vida todos os dias.

“Estamos aqui para fazer a nossa parte. Essa sensibilização é muito urgente e necessária”, destacou.
Palestras técnicas
Cinco painéis técnicos foram apresentados no evento. O primeiro teve como tema a Autorização Eletrônica de Doação de Órgãos: inovação notarial a serviço da vida, com a exposição do 8° tabelião de Notas de Goiânia e presidente do Colégio Notarial do Brasil - Seção Goiás (CNB/GO), Lucas Fernandes Vieira, e do tabelião de Notas e Registrador Civil de Mineiros, Milton Alves da Silveira Júnior.
Na sequência, a gerência dos transplantes com o panorama nacional e estadual da doação de órgãos de transplantes, desafios, avanços e perspectivas, ficou a cargo da gerente de Transplantes da Secretaria da Saúde de Goiás, doutora Katiuscia Christiane Freitas.
Já o painel de uma profissional especialista em transplante que abordou a temática “à espera de um milagre: transplantes e doação de órgãos no Brasil”, foi ministrado pela médica nefrologista, responsável técnica da equipe de transplante renal e membro da equipe de transplante de pâncreas e transplante duplo pâncreas-rim, doutora Juliana de Oliveira Barbosa.
O último painel foi sobre a atuação do Hemocentro na doação de órgão com a biomédica e diretora técnica da Rede de Serviços Hemoterápicos - Rede HEMO Pública de Goiás Ana Cristina Novais Mendes.
O evento foi transmitido ao vivo pelo link
Serviços gratuitos
Das 12 às 18 horas, na sala multiuso da EJUG, bancas de atendimento dos tabelionatos de notas ofereceram serviços gratuitos como apoio para emissão da AEDO e o Hemocentro realizou cadastros de doadores de medula óssea.
A campanha também apresentou ao público a Autorização Eletrônica de Doação de Órgãos (AEDO) - um documento digital gratuito que permite ao cidadão registrar sua vontade de ser doador. A AEDO é emitida de forma simples pelo sistema e-Notariado: basta confirmar a intenção em videoconferência com o tabelião e assinar digitalmente. Galeria de fotos (Texto: Myrelle Motta - Divisão de Comunicação Social das Corregedorias/Fotos: Wagner Soares - Centro de Comunicação Social do TJGO)