Na última sexta-feira (24), foi realizado o 2º Círculo Restaurativo de Construção de Paz do Projeto “Famílias Interrompidas”. O projeto consiste em ajudar familiares que tiveram parentes assassinados a superarem uma perda repentina e violenta. A iniciativa inclui círculos de construção de paz, com uma metodologia de encontros entre familiares, facilitadores e psicólogos, num espaço para falar sobre luto, perda e superação. Durante a realização deles, serão explicados, de forma mais simples, os ritos processuais envolvendo o crime, como pronúncia, tribunal do júri e recursos.
Na 2ª edição do projeto participaram familiares dos sete meninos assassinados pelo pedreiro Admar de Jesus Santos, em 2010, e membros da comunidade. Os meninos Diego Alves, Paulo Victor Lima, George dos Santos, Divino Luiz da Silva, Flávio Augusto dos Santos, Márcio Luiz Lopes desapareceram entre o fim de 2009 e janeiro de 2010.
Mais de 100 dias depois, a polícia prendeu o suspeito, que confessou o crime e mostrou o local onde estavam enterrados seis corpos. Quatro dias após a prisão, Admar suicidou-se na cadeia. Um mês após, foi descoberto mais um corpo com ligação ao suspeito: Eric dos Santos, que havia sumido no dia 20 de março, e cujas roupas também foram encontradas na casa do pedreiro.
O suspeito foi preso e, apesar de relatar informações desencontradas na Delegacia de Polícia, confessou a autoria dos homicídios dos adolescentes. Contudo, com o suicídio, foi extinta a punibilidade devida à morte do agente. Na época, a juíza Renata Farias Costa Gomes de Barros, idealizadora do projeto, não atuava na comarca, mas falou sobre o caso. “A Sentença precisa ser sempre impessoal, objetiva e formal, mas será que atendeu às necessidades daqueles familiares das vítimas?”, indagou.
Dessa forma, o projeto consiste em oferecer um espaço acolhedor de troca de experiências. A expectativa é realizar, neste primeiro momento, duas sessões mensais, com participação simultânea de familiares e vítimas de tentativas de crimes diversos. A magistrada, inclusive, estuda a possibilidade de parceria com universidades para encaminhar participantes para atendimento psicológico gratuito no âmbito acadêmico. Sobre o caso do assassinato em série dos adolescentes, ficaram agendadas mais duas sessões, sendo uma com os parentes do pedreiro Admar.
A metodologia dos círculos consiste em criar um espaço de fala, mediados pelo psicólogo Jairan Oliveira dos Santos e pela facilitadora Maria Lúcia de Castro, também responsável por auxiliar na construção do projeto. Para Maria Lúcia, a realização dos círculos tem auxiliado os familiares a entenderem qual o papel da Justiça nesses casos. Ela destaca que os resultados obtidos têm sido excelentes. “Eles estão conseguindo aceitar melhor a situação e o resultado do processo”, ressaltou. (Texto: Lilian Cury - Centro de Comunicação Social do TJGO)