A equipe do Setor de Atuação Contra a Violência Doméstica (SAVID) realizou nesta quinta-feira (23) dois Círculos Reflexivos no Centro de Referência Especializado de Assistência Social (CREAS), região Centro-Sul de Goiânia. Nos círculos foi trabalhado, com mulheres, o tema violência psicológica.
As facilitadoras Tatiana Franco e Sherloma Aires esclarecem que a escolha da temática foi uma decisão tomada em comum acordo durante reunião com o CREAS. Tratar sobre a violência psicológica também foi uma motivação do Savid após a equipe perceber, por meio dos atendimentos feitos a mulheres, que o tipo de agressão é dificilmente identificado como sendo grave por quem sofre com ela e também pela sociedade.
Nos círculos as facilitadoras explicaram que a violência psicológica é invisível aos olhos, em comparação com as consequências da violência física, e que há a tendência social em se naturalizá-la como uma sequela de menor importância. Frases como: “você está parecendo uma puta; A culpa é sua! Você que me faz perder a cabeça; Você é louca; Se você não for minha não será de mais ninguém; Olha essa sua barriga! Você está gorda, cheia de estrias; Se você terminar comigo você vai perder a guarda dos nossos filhos;” dentre tantas outras, são muitas vezes ouvidas pelas mulheres que não se dão conta da tentativa de controle do parceiro. Gradativamente se instala o sentimento de culpa que contribui para a permanência na relação abusiva", afirmaram as facilitadoras.
Já no círculo com os filhos, foi trabalhado a identificação da violência e expressão de sentimentos ao presenciar ou sofrer ações violentas. As facilitadoras Maria José Goulart e Iraídes Nascimento apontaram que, quando há violência contra a mulher, os filhos sofrem de forma direta ou indireta. Em ambos os casos há sofrimento emocional com consequências e, frequentemente, sem espaço de fala e de escuta para as crianças.
Além disso, nos encontros foi trabalhado como identificar quando se está sendo alvo de violência psicológica. As facilitadoras também observaram nos círculos que muitos homens que são violentos com suas parceiras possuem o histórico de já terem presenciado na infância o pai agredir a mãe e que, mulheres que presenciaram a mãe sendo agredida, podem ter mais dificuldades de identificar e romper com uma relação abusiva.
A equipe do SAVID e do CREAS e as mulheres participantes avaliaram como positiva a ação e a proximidade do Judiciário com a Rede de Apoio.