Um auditório formado por público predominantemente feminino, interessado em discutir a valorização e a maior participação da mulher, principalmente na política, foi o cenário do 2º simpósio “A importância da mulher na construção de um parlamento democrático”, realizado nesta quinta-feira (26), em Goiânia. O Tribunal de Justiça do Estado de Goiás (TJGO), um dos organizadores do evento na capital, foi representado pela desembargadora Beatriz Figueiredo Franco. Na mesma data, o simpósio é realizado em outras capitais do País e também nas cidades goianas de Jataí e Valparaíso.
Mulher na política
Alguns números retratam a importância do debate sobre a representação da mulher no Poder Legislativo. Apesar de serem 52% das eleitoras, somente 16% dos políticos eleitos são do sexo feminino. Nas Eleições de 2018, o Brasil teve 31,7% de candidatas, no entanto, 87% das vagas foram preenchidas por homens. Nacionalmente, a chance de um candidato ser eleito só pelo fato de ser homem é 2,5 vezes maior do que de uma mulher. Em Goiás, a chance do homem é 6,5 vezes maior. O Estado tem, atualmente, duas deputadas federais e duas deputadas estaduais.
Para mobilizar a sociedade para debater o assunto, o senador Luiz do Carmo, idealizador do simpósio “A importância da mulher na construção de um parlamento democrático”, propõe a aprovação do projeto de lei 2.235/2019, que estabelece que as cadeiras sejam ocupadas primeiro pela mulher mais votada do partido, em seguida pelo homem mais votado, assim, prosseguindo a alternância até ambos os sexos terem 30% cada, ou seja, totalizando 60% das vagas nas câmaras federal e municipais, assembleias legislativas e Senado Federal.
“Eu acho que é o único jeito, no Brasil, de dar a oportunidade para as mulheres igualarem aos homens e estarem no Parlamento. A mulher é mais sensível e conhece os problemas do Brasil, ela lida de uma forma diferente com as situações. Elas fazem a diferença e estão fazendo falta no Congresso. É muito injusto uma mulher disputar com o homem. A política é machista.Então, nós temos que mudar isso”, ressaltou o senador.
Voz feminina
A desembargadora Beatriz Figueiredo Franco disse que é importante que a mulher tenha voz, sendo essa uma cobrança da sociedade. A desembargadora afirmou que a intenção do Judiciário é fazer com que a mulher se conscientize e se valorize na nossa sociedade.
“A mulher tem que procurar o espaço dela, a voz dela e o Judiciário não pode deixar de acompanhar essa reivindicação. Então, esse movimento não é só pela conquista de vagas para exercer o mandato eleitoral. É também de conscientização da mulher e da valorização dela no desempenho de todas as atividades que ela exerce. A mulher tem Competência para ocupar qualquer carreira, ela desempenha seu papel com eficiência e é necessário encorajar a mulher e, sobretudo, esclarecê-la sobre aquilo que ela está se propondo a fazer. Isso porque a mulher estava se candidatando somente para preencher cotas e isso tem uma série de consequências”, destacou a desembargadora.
A atriz e ativista Luiza Brunet foi uma das palestrantes convidadas do simpósio em Goiânia. Para ela, o empoderamento feminino tem muita relação com a educação que se recebe em casa. A atriz contou que sua mãe sofreu violência doméstica no final dos anos de 1960 e tomou uma atitude contra isso.
“É difícil você criar coragem para tomar certas atitudes, mas, quando você toma, é reconhecida e isso estimula outras mulheres a fazerem o mesmo. É muito importante uma mulher falar para outra também. Precisamos de mulheres na política para que elas possam dar andamento às causas importantes, para contribuir para uma sociedade mais justa e igualitária. E acho que é isso que a gente busca. E a mulher tem esse lugar de direito, ela precisa estar lá”, destacou Luiza Brunet.
O 2º simpósio “A importância da mulher na construção de um parlamento democrático” em Goiânia teve a participação de diversos representantes de instituições públicas e da sociedade civil, como Tribunal Superior do Trabalho, Tribunal Regional do Trabalho, Tribunal Regional Eleitoral, Ministério Público Estadual, Universidade Federal de Goiás, Instituto Federal Goiano, Instituto Federal de Goiás, Defensoria Pública do Estado de Goiás, OAB- Goiás, Federação Goiana de Municípios, Associação Goiana de Municípios, Assembleia Legislativa e Câmara Municipal, entre outras instituições. (Texto e fotos: Daniela Becker - Centro de Comunicação Social do TJGO).