Magistrados e servidores do Poder Judiciário do Estado de Goiás, e convidados, tiraram um tempo na tarde desta segunda-feira (30) para refletirem sobre dois assuntos lembrados durante todo o mês de setembro: a prevenção ao suicídio (Setembro Amarelo) e a causa da pessoa com deficiência (Setembro Verde). O evento, realizado no Fórum Cível Dr. Heitor de Moraes Fleury, teve a presença da juíza auxiliar da Presidência, Sirlei Martins da Costa – representando o presidente do TJGO, desembargador Walter Carlos Lemes –; dos diretores responsáveis pela organização, Jaqueline Martins e Silva (Recursos Humanos) e Luciano Augusto (Centro de Comunicação Social); do presidente da Comissão de Pessoas com Deficiência da OAB-Seção Goiás, Diego Magalhães; palestrantes e alunos da Associação Pestalozzi de Goiânia.
Ao fazer a abertura, a idealizadora do evento Verde Amarelo, a magistrada Sirlei Martins da Costa, lembrou que, por motivos variados como preocupações, rotina acelerada, competição profissional, “deixamos de lado nossa capacidade de nos conectarmos e nos tornamos individualistas”. Por isso, segundo ela, é nesse contexto que “precisamos resgatar em nós a percepção da realidade da pessoa com alguma deficiência, seja ela física ou mental”.
A magistrada acrescentou que, normalmente, as pessoas não se atentam para as dificuldades daqueles que possuem alguma deficiência, porque isso não as atinge. “Há aí, no entanto, muitos enganos. Qualquer um de nós pode, da noite para o dia, nos tornarmos uma pessoa com deficiência.” Ainda, com o envelhecimento, “a acessibilidade passa a ser um tema de suma importância em nossas vidas”.
“Que sejamos mais sensíveis e mais empáticos com o público que atendemos e com nossos colegas de trabalho. Que também sejamos capazes de contaminarmos os que nos cercam com nosso olhar mais humano, revelando aos que estão próximos de nós que é possível fazer este acolhimento e, mais do que isso, que o acolhimento é nossa postura natural, enquanto seres feitos à imagem e semelhança de Cristo, e que se nós não o fazemos é porque estamos desligados”, encerrou a magistrada.
Setembro Amarelo
O médico psiquiatra Adelman Soares Asevedo Filho falou sobre “Saúde Mental no trabalho: pré-requisito para a qualidade de vida – como sua inteligência emocional pode ser sua aliada para a saúde mental no trabalho?”. Adelman destacou que o cérebro humano tem uma capacidade de se comunicar, simultaneamente, que gira em torno de 100 trilhões de vezes e que nenhum computador no mundo tem tal aptidão e que o mundo vive uma sobrecarga emocional. A depressão, segundo ele, já é atualmente a principal causa de afastamento de trabalho. O médico falou aos participantes sobre práticas que, comprovadamente, melhoram a saúde mental e física: meditação, relaxamento, lazer, atividade física, alimentação e família.

Já o tema da servidora da Diretoria de Recursos Humanos do TJGO, Daniella Botelho, foi empatia. Daniella contou que, em um ranking mundial sobre empatia, o Brasil ocupa a 51ª posição. Ela falou à plateia sobre se livrar de pré-julgamentos, se perdoar, não se cobrar tanto, ser grato, saber pedir ajuda e aceitar ajuda. “Estejam mais atentos com quem convive com você e com o que acontece ao redor de você”. A servidora do TJGO também pediu para que os participantes fizessem um exercício. “Se imaginem quando crianças para terem empatia com você e visualize o outro também como criança para ter empatia com o outro”.
Programa Com Viver
Os magistrados Thiago Inácio de Oliveira e Priscila Lopes da Silveira, da Comarca de Cristalina, apresentaram a experiência do programa Com Viver, de inclusão de pessoas com deficiência no Judiciário. O programa teve início em setembro de 2018, em parceria com a Apae de Cristalina, e hoje são oito voluntários que prestam serviço em variadas atividades no fórum da cidade.
“Eles nos mostram, a cada dia, que têm mais capacidade do que nós imaginávamos e até mesmo do que eles mesmos imaginavam. Eles trouxeram leveza, temos um ambiente mais humano e nos ensinam que os problemas não podem nos abalar”, ressalta a juíza Priscila Lopes da Silveira, acrescentando que “não podemos ser indiferentes, pois deficiências todos nós temos e precisamos olhar o outro como ser humano”.
Thiago Inácio de Oliveira adianta que o programa deve se expandir para outras comarcas e lembrou sua própria experiência como voluntário no TJGO. “Essa é uma forma simples que encontramos de fazer inclusão nesse novo Judiciário que está surgindo. Vejo o voluntariado como uma forma de empoderamento e crescimento dessas pessoas, a porta de entrada para o mercado”, disse o Magistrado, contando a todos que um dos alunos da Apae começou como voluntário no fórum e agora está contratado em uma empresa.
Acessibilidade
O presidente da Comissão de Pessoas com Deficiência da OAB-Seção Goiás, Diego Magalhães, e a advogada da Associação dos Deficientes Físicos do Estado de Goiás (Adfego), Delma Helena, ambos cadeirantes, contaram um pouco das suas experiências, preconceitos vivenciados e lutas pelo direito à acessibilidade.
Diego Magalhães fez uma abordagem no contexto histórico da civilização e destacou personalidades reconhecidas e que conviveram com algum tipo de deficiência, como Galileu Galilei, Beethoven, Antônio Francisco Lisboa (Aleijadinho), Franklin Delano Roosevelt (presidente dos Estados Unidos), atletas paraolímpicos e a atual senadora Mara Gabrilli.
Neste momento, a juíza Sirlei Martins da Costa pediu a palavra para contar a história de Greta Thunberg, ativista ambiental que, aos 12 anos sofreu uma depressão e foi diagnosticada com Síndrome de Asperger. A magistrada se disse impactada pela capacidade de transformação que ela conseguiu aproveitando aquilo que é um sintoma da doença. A síndrome afeta a forma como as pessoas percebem o mundo e interagem com outras pessoas.
O evento Verde Amarelo do TJGO foi encerrado com uma apresentação da dançarina Taynara Tré, de dança do ventre. (Texto: Daniela Becker / Foto: Wagner Soares - Centro de Comunicação Social do TJGO).
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