Uma aula com todos os lados sobre a história da mudança da antiga capital, Cidade de Goiás, para Goiânia, na década de 1930. Esse foi o resumo da live promovida pela Comissão Permanente de Memória e Cultura do Tribunal de Justiça do Estado de Goiás, em parceria com a Diretoria Cultural da Associação dos Magistrados do Estado de Goiás (Asmego) e Escola Superior da Magistratura do Estado de Goiás (Esmeg), com a participação dos desembargadores Itaney Francisco Campos – presidente da Comissão Permanente de Memória e Cultura do TJGO – Norival Santomé e Olavo Junqueira de Andrade. A live, transmitida pelo canal do TJGO no Youtube na última sexta-feira (25), teve como convidado o historiador e promotor de Justiça do Ministério Público do Estado de Goiás (MPGO), Jales Guedes Coelho Mendonça. Ainda, o desembargador Luiz Cláudio Veiga Braga, que dirige a Diretoria Cultural da Asmego, foi um dos responsáveis pela organização do evento.
Mediador do debate, o desembargador Itaney Francisco Campos anunciou a atualidade do tema, considerando que Goiânia completará 87 anos no próximo dia 24 de outubro. “Oportuno esse debate para que, conhecendo o passado, possamos dominar o presente e projetar e planejar o futuro”, declarou o desembargador, comentando ainda sobre a expansão da capital, as propostas de adensamento da cidade que, segundo ele, estão de certa forma vinculadas às raízes e à origem da capital de Goiás.
Nova capital para Goiás
O Promotor e escritor Jales Guedes Coelho Mendonça é autor do livro “A Invenção de Goiânia: O Outro Lado da Mudança”, que busca discutir o lado oculto da transferência da capital do Estado de Goiás, da antiga Vila Boa de Goiás para Goiânia, efetivada oficialmente em 1937. O nome invenção, explicou o promotor, remete a uma cidade artificial, planejada e construída, fazendo um breve relato de outras mudanças de capitais de estados e países ao longo da história, para relacionar que tais mudanças atendem a um desejo dos monarcas, sendo um instrumento político do respectivo fundador.
O Promotor contextualizou que a ideia da transferência da capital de Goiás era antiga, somente concretizada por Pedro Ludovico Teixeira, interventor federal em Goiás após a Revolução de 1930. Apesar de ter designado uma comissão para escolha de uma área para a nova capital, Pedro Ludovico fez sua própria escolha, optando por Campinas ao contrário de Bonfim, que havia sido indicada pela comissão.
Outro ponto abordado pelo Promotor foi que a mudança da capital foi feita por decreto, e não por meio de um projeto de lei com a participação do Legislativo e do Judiciário, e a referida norma foi editada sem nenhuma compensação, nenhum benefício para a antiga capital do Estado. Jales Mendonça descreve que, com isso, a Cidade de Goiás ficou abandonada, perdendo estabelecimentos públicos, instituições de ensino e tendo os servidores estaduais e federais removidos.
“A História sempre tem dois lados. E o lado da historiografia hoje se prende muito ao poder, ou seja, a Goiânia. Ele só lembra da cidade sonhada, que foi Goiânia, mas esquece da cidade derrotada, abandonada, que foi a cidade de Goiás. E esses dois enfoques nós temos sempre que ter em mente”, analisa o Promotor.
Debate
Para o desembargador Olavo Junqueira de Andrade, Pedro Ludovico Teixeira era muito perspicaz, estrategista e com uma estrela muito grande. Em suas leituras, ele disse que descobriu que o Teixeira saiu preso de Rio Verde e chegou a Goiás como líder da Revolução de 30, praticamente escolhido interventor federal no Estado. E entre os pontos que o desembargador quis saber mais do promotor e historiador foi justamente a relação de Pedro Ludovico com Getúlio Vargas.
Agradecendo o convite de participar da live, o desembargador Olavo Junqueira manifestou que foi “uma oportunidade de conhecer um pouquinho mais aqui do estado de Goiás. Eu brinco que como eu fiz o primário em Belo Horizonte eu conheço muito mais a história de Minas Gerais do que a de Goiás. E agora eu tive essa oportunidade e quero continuar estudando um pouquinho mais.”
Natural da Cidade de Goiás, o desembargador Norival Santomé comentou sobre a “feliz iniciativa de promover esse debate em relação a um dos eventos mais importantes, talvez o mais importante, que Goiás vivenciou ao longo de sua História”. Segundo o desembargador, até o livro do promotor Jales Mendonça, a única versão conhecida era a dos vitoriosos. Para Santomé, a Cidade de Goiás passou por suas provações de resiliência: a perda do dinheiro com o esgotamento do ciclo aurífero e a transferência da capital.
“O grande mérito que eu vejo nessa obra (do promotor Jales Mendonça) é que ela dá voz aos derrotados. Esse livro tem um valor extraordinário por reposicionar essa condição da Cidade de Goiás e colocar no seu devido lugar a história da mudança da capital”, elogiou o desembargador do TJGO.
Para conhecer mais detalhes da história, assista à live completa aqui. (Texto: Daniela Becker - Centro de Comunicação Social do TJGO).