O juiz Jesseir Coelho de Alcântara, da 3ª Vara dos Crimes Dolosos contra a Vida e Tribunal do Júri de Goiânia, realizou, nesta segunda-feira (14), audiência com Kátia Soares Pereira Teles, acusada de matar o marido e enterrar o corpo no quintal. Além da mulher, foram ouvidas 12 testemunhas, sendo sete arroladas pelo Ministério Público do Estado de Goiás (MPGO), e, cinco, pela defesa.
Segundo o Magistrado, “terminada essa fase, chamada de instrução processual, foram abertas vistas para o órgão ministerial e para a defesa apresentarem seus memoriais, ou seja, suas alegações finais”. Dessa forma, o juiz Jesseir Coelho de Alcântara vai decidir, posteriormente, se Kátia será submetida ao júri popular.
Denúncia
A denúncia contra Kátia foi aceita pela Justiça no dia 28 de agosto deste ano. Conforme a acusação, Kátia viveu por 18 anos com a vítima, Joel de Sousa Teles. Segundo depoimento da própria acusada, e de testemunhas, o casal vivia um relacionamento conturbado, no qual o homem, com frequência, agredia física e verbalmente a esposa. Duas filhas do casal relataram, ainda, que sofreram abusos por parte do pai.
O homicídio de Joel ocorreu na noite de 19 de maio de 2018, na residência em que o casal morava, no Setor Parque Tremendão. Consta dos autos que Kátia, “cansada dos dissabores vivenciados na convivência conturbada com o companheiro, e de sua personalidade ignorante”, resolveu matá-lo. No dia do crime, a acusada teria conseguido imobilizar o marido e amarrado a boca, pernas e as mãos dele para trás. Em seguida, “tendo a vítima a sua mercê, e sem qualquer chance de defesa, pegou uma alavanca de ferro – instrumento comumente utilizado na construção civil e que pertencia à vítima, que trabalhava de pedreiro –, e efetuou vários golpes na cabeça dela, que segundo exame cadavérico anexado aos autos, foram a real e efetiva causa da morte”.
Ocultação de cadáver
A denúncia narra, ainda, que para se certificar da morte de Joel, a mulher desferiu vários golpes de instrumento pérfuro-cortante contra o tórax da vítima. Após cometer o homicídio, Kátia Teles contou com a ajuda de uma pessoa não identificada para ocultar o cadáver, envolvendo o corpo em um saco plástico para enterrá-lo no quintal da casa.
O cadáver de Joel Teles ficou escondido por dois anos. O corpo foi encontrado no dia 18 de maio deste ano, depois de realizada uma escavação no local, por agentes da Delegacia Estadual de Investigação de Homicídios (DIH), que foram até a residência de Kátia Teles averiguar uma denúncia anônima. Na ocasião, ao ser questionada sobre o paradeiro do companheiro, ela confessou a autoria dos crimes. (Texto: Lilian Cury - Centro de Comunicação Social do TJGO)