A Coordenadoria Estadual da Mulher em Situação de Violência Doméstica e Familiar do Tribunal de Justiça do Estado de Goiás (TJGO), dirigida pela desembargadora Sandra Regina Teodoro Reis e pelo Juiz Vítor Umbelino Soares, nos cargos de coordenadora e vice-coordenador, respectivamente, promoveu na noite da última quinta-feira (6), como parte da celebração em homenagem ao Dia das Mães, live para debater o tema “A vida após a denúncia: como superar a culpa e transformar sua vida e de seus filhos e filhas”. O evento virtual teve a finalidade de abordar os diversos aspectos sociais e psicológicos que impedem as mulheres de denunciarem seus agressores.
O debate foi transmitido pelo Instagram do TJGO @tjgooficial, e contou com as participações da titular do 3º Juizado de Violência Doméstica e Familiar contra a Mulher de Goiânia, juíza Sandra Regina Teixeira Campos, e da promotora de Justiça e coordenadora da área de Políticas Públicas e Direitos Humanos do Centro de Apoio Operacional e do Núcleo Estadual de Gênero do Ministério Público do Estado de Goiás (MPGO), Tamara Andréia Botovchenco Rivera, além da coordenadora do Departamento de Psicologia do Setor Interdisciplinar Penal de Aparecida de Goiânia, e mediadora judicial, a psicóloga Daiana Mendonça Diehl, e da assistente social da Coordenadoria Estadual da Mulher em Situação de Violência Doméstica e Familiar, doutoranda em Direitos Humanos pela Universidade Federal de Goiás (UFG), Sherloma Aires.
Tipos de violência doméstica
Durante a live, a juíza Sandra Regina Teixeira Campos destacou que existem diferentes tipos de violência doméstica, que vão além das agressões físicas e sexuais. “A violência moral e psicológica, que se traduz em injúrias e humilhação, está amplamente presente nos lares das mulheres brasileiras, muitas vezes de maneira silenciosa, sem que haja denúncia ou punição aos agressores”, ressaltou Sandra Regina Teixeira Campos.
Conforme a psicóloga Daiana Mendonça Diehl, os relacionamentos abusivos, marcados por desrespeito e ameaças, devem ser identificados no início da convivência, a fim de evitar a banalização da violência doméstica. “Não é saudável ou natural que nenhuma relação se desenvolva de forma violenta, seja verbal, física ou patrimonial”, destacou a psicóloga.
Vítimas, não culpadas
A inibição das vítimas de violência doméstica em denunciar seus agressores e procurar ajuda de familiares e grupos de apoio, impede que o ciclo de violência doméstica seja encerrado, e permite que o ofensor permaneça impune. “Há uma dificuldade das mulheres em revelar à família e às autoridades competentes os relacionamentos violentos, em função da culpa das vítimas em incriminar seus companheiros” disse a promotora de Justiça do MPGO, Tamara Botovchenco Rivera.
Já a assistente social da Coordenadoria Estadual da Mulher em Situação de Violência Doméstica e Familiar do TJGO, Sherloma Aires, ressaltou a importância do rompimento do ciclo de violência, como fator propulsor para uma mudança positiva na vida das mulheres, vítimas de violência doméstica, e de seus filhos, além de destacar que os fatores inibidores para as denúncias de violência doméstica, perpassam pela sensação de vínculos afetivos entre os implicados. “Geralmente, as mulheres estão tão envolvidas afetivamente, que não conseguem denunciar seus agressores. Elas anseiam pela transformação de seus pares, o que nem sempre acontece” ressaltou Sherloma Aires. (Texto e edição de foto: Carolina Dayrell - Centro de Comunicação Social do TJGO)