Em comemoração à criação do Batalhão Maria da Penha, cuja lei foi sancionada pelo Governo do Estado, em 7 de outubro de 2020, a Coordenadoria Estadual da Mulher em Situação de Violência Doméstica e Familiar do Tribunal de Justiça de Goiás, em parceria com a Polícia Militar de Goiás apresentou, na manhã de quinta-feira (7), a mostra “Vitrineviva - retratos da violência contra a mulher", sob o olhar da PM. A solenidade foi realizada no Hall de entrada do prédio do Tribunal de Justiça do Estado de Goiás, e teve por objetivo demonstrar, por meio de pintura, o sofrimento de mulheres vítimas de violência doméstica. A exposição contou com personagens fictícios, representando várias classes sociais e profissionais.
Na exposição, os profissionais fictícios retrataram hematomas, muitas vezes sofridos por mulheres agredidas no âmbito familiar. As manchas roxas, marcas de sangue, dentre outros ferimentos no corpo das personagens, retratam parte de um cenário vivido quase diário por mulheres vítimas de violência. Além de servidores e funcionários do Judiciário, o desembargador Guilherme Gutemberg Isac Pinto participou da solenidade e ressaltou que o Judiciário goiano dá total amparo às mulheres, já que vem concedendo diversas medidas protetivas a favor delas.
“Esse batalhão garante às vítimas maior segurança. Com isso, Goiás está entrando num cenário com menor quantidade de ocorrências. Estamos vendo constantemente que o Governo do Estado està investindo na segurança pública, permitindo com que o agressor pense duas vezes antes de praticar o crime contra a mulher”, sustentou o desembargador.

De acordo com a comandante do Batalhão Maria da Penha, tenente-coronel Neila de Castro Alves, com a criação da unidade especializada no atendimento à mulher vitima de violência, não foi registrado nenhum crime de feminicídio envolvendo mulheres assistidas pela patrulha, retratando o comprometimento da unidade junto à Rede Estadual de Proteção a Mulher.
“Estamos empenhados em defender e resgatar a dignidade perdida das mulheres vítimas de violência. Para que a ação da polícia seja eficaz, é fundamental o registro da denúncia, a qual pode ser feita pela vítima, por vizinhos, familiares e colegas de trabalho”, destacou a policial militar.
A costureira Ruti Pereira de Souza disse que nunca foi agredida, mas resolveu participar da encenação para mostrar que existem diversas mulheres pela cidade com as mesmas marcas retratadas na exposição. “Eu considero de suma importância a exposição, pois mostra que infelizmente essa ainda é uma marca que muitas mulheres carregam. Com a atuação desse batalhão, mulheres podem ter a coragem de romper o elo que existe entre a vítima e o agressor”, afirmou.
A comandante da polícia militar enfatizou que a intenção é conscientizar e conclamar a todos, homens e mulheres, para que possam encarar o problema e levar à reflexão sobre as consequências drásticas que a omissão acarreta. Dando aplicabilidade à lei, o Governo do Estado sancionou, no dia 7 de outubro de 2020, a Lei Estadual 20.869, transformando a “Patrulha Maria da Penha” em “Batalhão de Polícia Militar”, o que deu maior autonomia e abrangência de atuação àquela unidade.
Além de Goiânia, outros municípios goianos contam com a assistência da unidade, que, entre outras funções, fiscalizam o cumprimento das medidas protetivas de urgência expedidas, assistindo milhares de mulheres que sofreram diversos tipos de violência no convívio familiar, incluindo, quase sempre, a violência física. (Texto/Fotos: Acaray Martins - Centro de Comunicação Social do TJGO)