Os Comitês de Igualdade Racial, de Equidade e Diversidade de Gênero e da Coordenadoria da Mulher do Tribunal de Justiça do Estado de Goiás (TJGO), em parceria com a Escola Judicial do Poder Judiciário goiano (Ejug), promoveram, nesta sexta-feira (8), a primeira etapa da oficina “Educação para a Diversidade: entendendo, identificando e combatendo o racismo e a violência contra as mulheres”. A capacitação foi mediada pela historiadora e pesquisadora Yordanna Lara Pereira Rêgo. A deliberação concreta da oficina, que será realizada em duas etapas, será divulgada na próxima terça-feira (12).
O Juiz Vitor Umbelino (foto abaixo), titular do 1º Juizado de Violência Doméstica e Familiar contra a Mulher da Comarca de Goiânia, coordenador em exercício da Coordenadoria Estadual da Mulher em Situação de Violência Doméstica e Familiar do Tribunal de Justiça do Estado de Goiás, recepcionou a palestrante e enfatizou a ação proposta, uma vez que ela vai possibilitar uma oportunidade ímpar para conhecer mais sobre o tema. Na oficina, a professora e pesquisadora sintetizou, por meio de conceitos teóricos, a difusão da violência contra as pessoas negras, trans e travestis e falou da responsabilidade de se combater a violência de forma direta e efetiva.

Antes de começar a abordar sobre o tema, ela explicou o conceito de racismo, xenofobia, violência e diversidade de gênero. Segundo Yordanna, a orientação sexual da pessoa não é algo arbitrário. “É preciso abrasileirar os debates e as narrativas para que todos tenham acesso, pois a intenção nossa é trazer conhecimento, retirando da sociedade esses preconceitos, desbloqueando as bolhas”, explicou. Ressaltou que a biologia tanto para questão de gênero, quanto racial, foi uma grande vilã, uma vez que é considerada a primeira ciência sequestrada pelo discurso colonial.
No decorrer da oficina, a especialista destacou que todos acabam sendo educados para serem racistas e machistas, haja vista que são categorias sociais que sustentam o sistema colonial do país. “O racismo recreativo precisa ser combatido, pois o problema não é só a piada, é como o conteúdo da piada determina o tratamento das pessoas negras em todos os contextos”, pontuou. Para ela, as instituições precisam externar e debater o racismo de forma cotidiana.
A professora mostrou algumas manchetes de títulos racistas em jornais impressos e on-line, muitos deles expressando contextos preconceituosos, momento em que afirmou que é preciso se posicionar e se atentar nesse processo de corte. “Uma das ferramenta para lutar contra os processos diários de resistência no combate ao racismo e ao sexismo é o acesso a educação, pois ela ferramenta para argumentar, contra-argumentar e se posicionar”, enfatizou.

Na oportunidade, ela apresentou um vídeo de dois minutos sobre desigualdade racial no Brasil, quando mostrou que a cada 12 minutos um negro é assassinado. Segundo o IBGE, negro é aquele que se identifica como preto ou pardo. "Veja como estamos longe de sermos igualitários em um País onde o preconceito racial atinge mais da metade da população", observou.
Além disso, Yordanna falou sobre a lesbofobia. Ela disse que o Brasil ocupa o 5º lugar de mulheres trans no mundo, sendo que 82% delas são negras. Desde 2008, ocorreram cerca de 539 assassinatos de mulheres trans e, ela ressaltou, a cada 28 horas um LGBT morre no País.

Novo encontro
A historiadora vai continuar a oficina na terça-feira (12), tendo por objetivo discutir sobre as temáticas de forma estratégica, bem como combater a violência dentro das instituições. Participaram também da oficina, a juíza Marianna de Queiroz Gomes e a pesquisadora Kamilla Silva.
A professora Yordanna Lara Pereira Rêgo é graduada em História pela Universidade Federal de Goiás, mestra em Antropologia Social/PPGAS-UFG, pesquisadora do Núcleo de Ensino, Extensão e Pesquisa em Gênero e Sexualidade, Sertão/ UFG, pesquisadora do projeto de Extensão Trans/UFG, pesquisadora do Grupo de Estudos, Pesquisa e Extensão Rosa Parks, pesquisadora do Grupo de Estudos, Pesquisa e Extensão GEPG/UFG, pesquisadora do Grupo de Estudos, Pesquisa e Extensão Corpora PPGAS/UFG e membro co-fundadora do Coletivo TransAção/UFG. (Texto/fotos: Acaray Martins – Centro de Comunicação Social do TJGO)