
Uma das maiores autoridades do cinema no Brasil, Lisandro Nogueira, participou como convidado especial da abertura do Fórum Permanente de Literatura e Direito da Escola Judicial de Goiás (Ejug), nesta segunda-feira (8), para o debate sobre a obra "O Mercador de Veneza", de William Shakespeare. O evento, realizado no auditório da Ejug e transmitido pelo Youtube, foi aberto pelo presidente da Comissão Permanente de Memória e Cultura do Poder Judiciário do Estado de Goiás, desembargador Luiz Cláudio Veiga Braga e pelo juiz Eduardo Perez, ambos coordenadores do Fórum Permanente de Literatura e Direito.
Ao abrir o Fórum Permanente de Literatura e Direito da Ejug, o desembargador Luiz Cláudio Veiga Braga agradeceu a presença de Lisandro Nogueira, como também fez menção especial ao presidente do TJGO, desembargador Carlos França, que tem incentivado a cultura no Tribunal. "A cultura no Poder Judiciário não é mais vista como atos de treva. Com a institucionalização da Comissão Permanente de Memória e Cultura do Poder Judiciário, passamos a desenvolver atividades próprias daquilo que é a expressão da arte para a universalização do conhecimento e atividade cultural. Hoje, a comissão está prevista no regimento interno do TJGO e agradecemos ao presidente Carlos França por todo esse incentivo", ressaltou.

O desembargador Luiz Cláudio Veiga Braga também agradeceu ao diretor da Ejug, desembargador Nicomedes Domingos Borges e ao vice-diretor da Escola, desembargador Jeronymo Pedro Vilas Boas, pelo empenho na efetivação do Fórum Permanente de Literatura e Direito e finalizou ressaltando que "cultura é nutriente da educação e educação é produtora da cultura, que oferece mais vida".
O Juiz Eduardo Perez, por sua vez, destacou que a cultura no Poder Judiciário é uma forma de experimentar aquilo que não experimentaríamos na vida, mas que nos farão pensar, refletir. "Na Casa da Justiça nós precisamos saber de antemão como serão os conflitos legais e éticos que chegarão até nós. Dessa forma, obras como as que estamos debatendo nesta tarde, traz uma discussão complexa, envolvendo xenofobia, justiça, contrato, direito natural, direito positivo, a parcialidade do julgador. São vários elementos que a gente tem que pensar. E a cultura nos traz vida e estimula a nossa capacidade de pensar".

“O que nos resta é pensar”
O professor Lisandro Nogueira, que é mestre em Cinema pela Universidade de São Paulo (USP) e doutor em Cinema pela PUC/SP, agradeceu o convite do Tribunal de Justiça do Estado de Goiás, e afirmou que discutir a obra O Mercador de Veneza significa que a justiça goiana está preocupada em usufruir o máximo do entretenimento, que é cultura. "Faço essa saudação a esta iniciativa, que é maravilhosa, porque o que nos resta é pensar, é conhecer para poder agir diante dos desafios tão grandes do mundo de hoje", frisou.
Durante a exposição, Lisandro Nogueira fez um breve resumo da obra de William Shakespeare, que se passa no início do século 17. " Shakespeare em suas peças nunca tomou partido, ele é ambíguo, deixa para nós tomarmos partido. No filme, ocorre diferente. Sai do drama moderno para o melodrama. Os atores conseguem trabalhar a ideia da compaixão, diferente da peça de Shakespeare", argumenta.

Na ocasião, foi exibida parte de um filme baseado na obra O Mercador de Veneza, em que ocorre o Julgamento do judeu Shylock. Posteriormente ao trecho do filme, o público pôde participar expondo diversos pontos de vista, como, por exemplo, comparando a legislação de Veneza da época, com o Código Civil.
Presenças
Também estiveram presentes na abertura do Fórum de Literatura e Direito, o desembargador Edson Miguel, a coordenadora administrativa da Escola Judicial (Ejug), Eunice Machado, o assessor cultura do TJGO, Gabriel Nascente e o artista plástico, Valdir Medeiros, além de servidoras e servidores do Poder Judiciário goiano. (Texto: Karinthia Wanderley/ fotos: Agno Santos- Centro de Comunicação Social do TJGO)