
Integrantes do sistema de justiça e da segurança pública participaram, nesta terça-feira (9), do primeiro dia do projeto "Roda Antirracista: Diálogos para a Democracia Racial", na Comarca de Itapuranga. A iniciativa é coordenada pela juíza de Direito Erika Cavalcante e busca fornecer um espaço para reflexão crítica sobre o racismo na sociedade. O evento prosseguirá nesta quarta-feira (10) com a roda de conversa com pessoas que estão presas.
O presidente do Tribunal de Justiça do Estado de Goiás (TJGO), desembargador Carlos França, foi representado pela juíza auxiliar da Presidência, Sirlei Martins da Costa, que explicou ser " fundamental que o Poder Judiciário realize iniciativas como esta, que visam combater o racismo e promover a democracia racial no sistema de justiça. A roda antirracista é um espaço importante para refletirmos sobre nossas práticas e atitudes e buscarmos formas de construir uma sociedade mais justa e igualitária."
A idealizadora do projeto, juíza Erika Cavalcante, ressalta que "a realização das rodas antirracistas é fundamental para a vida de muitas pessoas, que, infelizmente, são afetadas pela estrutura do racismo. É preciso que todos do sistema de justiça, em especial os policiais, que estão no início da rede de atendimento, reflitam sobre suas práticas e atitudes e se comprometam em combater o racismo em todas as suas formas."
Na roda de conversa, o juiz de direito da Comarca de Valparaíso, Rodrigo Victor Foureaux Soares, que foi policial por mais de dez anos, compartilhou sua experiência e trouxe pesquisas que refletem o racismo nas abordagens e ações. “Os dados oficiais das próprias instituições mostram a realidade racista. Muitas vezes, por mais que estejamos imbuídos de boas intenções, nós estamos praticando atos de racismo”, completou. O juiz Vitor França, da comarca de Itapuranga, e a juíza Thaís Lopes Lanza Monteiro, da comarca de Itaberaí, também participaram da roda de conversa.
A 3ª sargento da Polícia Militar do Estado de Goiás, Marielly Martins de Sousa, contribuiu com sua perspectiva como mulher negra e lésbica na abordagem policial. Já o analista judiciário do TJGO, Lucas Nonato da Silva Araújo, explicou as questões raciais a partir de sua trajetória familiar e profissional.
Por fim, o delegado do Grupo Especializado no Atendimento às Vítimas de Crimes Raciais e Delitos de Intolerância da Polícia Civil de Goiás, Joaquim Filho Adorno Santos, também participou e deixou uma reflexão sobre as abordagens policiais. “Seria interessante fazer esse exercício e muitas vezes a gente descobre que está abordando alguém porque ele tem um marcador: preto, cabelo, roupa, periferia, orientação. Todos nós somos preconceituosos. A gente precisa começar a olhar as nossas decisões, as motivações, porque o racismo e a intolerância são muito íntimos. É o que você é, é preciso analisar o que move as nossas ações”.
A realização da roda antirracista na Comarca de Itapuranga ocorre em atenção à necessidade de reflexão crítica acerca do Dia da Abolição da Escravatura. A iniciativa busca fomentar o debate e a conscientização sobre o racismo na sociedade, incluindo as ações policiais, e contribuir para a construção de uma democracia racial no Brasil.
A roda antirracista contou com a presença dos promotores de Justiça de Itapuranga, Danilo Elias Pereira e Felipe Abreu Ferres, e de Itaberaí, Paulo Henrique Otoni, além do promotor de justiça substituto do Ministério Público do Estado de Goiás, Leonardo Martins Regis; do presidente da subseção da OAB de Itapuranga, Júlio Miguel Porfírio Junior; do Comandante da 22ª Companhia Independente de Itapuranga, Major Waldomiro Ferreira Júnior; do delegado regional de polícia, Kleber Leandro Toledo Rodrigues; e Marcos Cardoso, representando o prefeito Paulo Fernandes. (Centro de Comunicação Social)