
Entre os serviços mais demandados no Justiça Itinerante, que nos dois últimos dias atendeu a população do assentamento Bandeirante, localizado a 40 quilômetros de Baliza, estavam os pedidos de aposentadoria, confecção de documentos e a busca por diversos benefícios, entre eles o Goiás Por Elas, voltado para vítimas de violência doméstica e familiar.
Aos 70 anos e viúva há 5, Ivanete Honório dos Santos, vive sozinha numa parcela do assentamento Bandeirante onde cria porco, galinha e cuida de uma horta. Com o dinheiro que ganha engordando porco para vender e aquele arrecadado com a venda de legumes plantados no local, ela compra apenas o necessário para a subsistência e mal sobra para comprar os remédios para os ossos fracos. “Meus ossos doem todos”, contou.
Ivanete passou por uma audiência com a juíza Érika Gomes Cavalcante, que entendeu que ela cumpre todos os requisitos para a obtenção do beneficio, que foi concedido e deverá ser pago pelo Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) em 60 dias, sob pena de multa diária no valor de mil reais até o valor máximo de R$ 50 mil. Feliz com a notícia, ela abraçou a magistrada e saiu emocionada da sala de audiências, ciente de que o valor “vai melhorar muito minha vida”.
Agressão
Com 19 anos e duas filhas, Marisa (nome fictício) viveu com o ex-companheiro por cinco anos. Nos primeiros anos de vida em comum, eles conviveram bem, mas ao conseguir um emprego melhor, as coisas mudaram e ele passou a colecionar amantes e a espancar a mulher. Como ela é filha adotiva, ele minava a confiança dela dizendo que ela não tinha ninguém que a amava, exceto ele.
Fragilizada, ela aceitava os abusos e mesmo saindo de casa depois de uma agressão mais violenta, ele a convenceu a voltar, mas a “mudança” durou apenas dois meses. Desta vez, com muitos marcas de violência no corpo, ela contou tudo para a família que alugou uma casa para ela viver com as filhas. No início desse ano, contudo, ele foi até a casa dela para devolver as crianças e a agrediu novamente. “Ele me mordeu, me enforcou e ameaçou me matar, pois queria que ficar comigo e com a outra”, contou ela, que desta vez se sentiu forte o suficiente para pedir uma medida protetiva.
O auxílio do Goiás Por Elas vai ajudar a manter as filhas, visto que ela vive apenas com o Bolsa Família e a ajuda de familiares. “Vai ser muito bom. Estou muito feliz”, contou.