
“Se eu ainda estivesse morando com meu marido, já teria sido morta. Só foi possível eu sair desta com a ajuda das pessoas”. Esse foi um dos vários relatos de mulheres vítimas de violência doméstica compartilhados nesta quarta-feira (27) durante o último dia da 28ª Semana da Justiça Pela Paz em Casa, na Roda de Conversa do Programa Flores do Ipê, realizada no Fórum da Comarca de Formosa. A ação é da Coordenadoria Estadual da Mulher em Situação de Violência Doméstica e Familiar do Tribunal de Justiça do Estado de Goiás (TJGO), que visa dar apoio, orientação, prevenção e proteção à sociedade, bem como a magistradas e servidoras do Judiciário goiano.
A juíza Christiana Nasser, diretora do Foro da Comarca de Formosa, reconheceu a importância de discutir sobre as diversas formas de violência contra as mulheres, como também com aquelas que compõem o quadro de profissionais do Tribunal de Justiça Goiano. “Temos que nos mostrar fortes e buscar alternativas para mudar esse quadro”, frisou a magistrada.

Agressões
No encontro, as vítimas expressaram as diversas formas de violência sofridas no período em que estavam com os agressores. Uma delas, que preferiu não se identificar, narrou que, além das violências sofridas com o ex-companheiro, chegou a passar fome com os filhos menores. Outra, de 53 anos, comentou que ainda guarda no braço os hematomas dos ataques que vivenciou nos anos em que estava casada com o ex-marido.
Depoimento
Na sequência, a assistente social da Coordenadoria Estadual da Mulher do TJGO, Morgana Santos, conduziu a roda de conversa com as participantes, tendo por objetivo a reflexão sobre a condição de ser mulher na sociedade brasileira, as situações de dominação e a violência que as mulheres são submetidas no cotidiano. Morgana Santos informou ainda a respeito das ações que o programa disponibiliza, e destacou o compromisso do Tribunal de Justiça de Goiás em ofertar apoio e proteção às magistradas e servidoras. A discussão teve a contribuição da secretária-executiva da Coordenadoria da Mulher, Lucelma Messias, e dos servidores Mara Cristina Ferreira e Carlos Gonçalves.
Flores do Ipê
O Programa Flores do Ipê integra uma iniciativa conjunta da Coordenadoria Estadual da Mulher em Situação de Violência Doméstica e Familiar (CM) em parceria com o Núcleo de Inteligência e Segurança Institucional (NIS), elaborado com colaboração da Diretoria de Planejamento e Inovação, com o objetivo de implementar projetos e ações institucionais de atenção, prevenção, orientação, apoio e proteção às magistradas e servidoras do Tribunal de Justiça do Estado de Goiás, que se encontrem em situação de risco decorrente de violência doméstica e familiar.
A estruturação do programa foi realizada em observância ao disposto na Recomendação nº 102, de 19 de agosto de 2021, do Conselho Nacional de Justiça, que orienta aos órgãos do Poder Judiciário a adoção do Protocolo Integrado de Prevenção e medidas de Segurança Voltado ao Enfrentamento à Violência Doméstica Praticada em Face de magistradas e Servidoras, proposto pelo Comitê Gestor do Sistema Nacional de Segurança do Poder Judiciário – SINASPJ, constituído no âmbito do Conselho Nacional de Justiça. (Texto: Acaray Martins/fotos equipe da Coordenadoria da Mulher do TJ – Centro de Comunicação Social do TJGO)