O Julgamento de Sebastião Luis Silva, acusado de homicídio qualificado, foi adiado nesta segunda-feira (19), em Serranópolis, no sudoeste goiano, após jurados denunciarem tentativas de abordagem por parte do próprio réu e de terceiros. A sessão do Tribunal do Júri estava marcada para as 9 horas, mas foi suspensa por decisão do juiz Felipe Morais Barbosa, que ouviu os jurados individualmente e, em seguida, em grupo.
De acordo com os relatos, os jurados foram procurados com o objetivo de “colaborar com o Julgamento”, o que o magistrado classificou como uma tentativa clara de influenciar o veredicto. “Procurar um jurado antes da sessão plenária é conduta equivalente a tentar influenciar um magistrado togado, sendo intolerável em qualquer Estado Democrático de Direito”, afirmou o juiz. “Ainda que este Juízo tenha convicção da integridade dos jurados, não basta ser honesto, é preciso parecer honesto.”
O Ministério Público também se manifestou, relatando que alguns jurados chegaram a ser procurados pelo réu pessoalmente, com supostas ofertas de vantagens. Além disso, o promotor destacou a movimentação atípica de pessoas de fora da cidade e o histórico de ameaças a testemunhas no curso do processo.
A defesa negou qualquer tentativa de interferência, afirmou que foi surpreendida pelas acusações e se manifestou contra o pedido de prisão. No entanto, concordou com o adiamento e com o eventual desaforamento, por se tratar de uma cidade pequena.
Com base nos relatos e na gravidade do caso, o juiz determinou a prisão preventiva de Sebastião Luis Silva e representou ao Tribunal de Justiça para que o Julgamento seja transferido para outra comarca, a fim de preservar a imparcialidade do júri.