
A Coordenadoria de Igualdade Racial do Tribunal de Justiça do Estado de Goiás (TJGO), em parceria com a Escola Judicial de Goiás (EJUG), promoveu, na última terça-feira (26), o segundo encontro do Grupo de Estudos Étnico-Raciais Esperança Garcia, com o tema “Interseccionalidade e a Mulher Negra”. A atividade integra o calendário permanente de ações do TJGO voltadas para o enfrentamento ao racismo estrutural e à promoção da equidade racial no Poder Judiciário.
Criado com o objetivo de fomentar espaços de reflexão e aprendizagem sobre as relações étnico-raciais no Brasil, o Grupo de Estudos reúne magistrados, servidores, colaboradores do TJGO e membros da sociedade civil. Por meio da leitura e do debate de obras acadêmicas e literárias, o grupo busca aprofundar conceitos fundamentais, discutir experiências históricas e contemporâneas da população negra e estimular o pensamento crítico dos participantes quanto à pauta racial.
Durante o encontro, os integrantes se debruçaram sobre artigos científicos e outros materiais que abordam a interseccionalidade — conceito que analisa como diferentes formas de opressão, como o racismo e o sexismo, interagem na vida de mulheres negras. Também foram discutidos temas como o papel do gênero e da raça nos desafios enfrentados por essas mulheres, a marginalização histórica que as afeta e as contribuições do pensamento feminista negro brasileiro para a construção de uma sociedade mais justa e igualitária.
A juíza Adriana Maria dos Santos Queiróz de Oliveira, coordenadora da Igualdade Racial do TJGO e responsável pelo Grupo de Estudos, destacou a importância da iniciativa para o fortalecimento institucional do compromisso com a diversidade e a inclusão. “A proposta é criar um ambiente de escuta, acolhimento e formação, onde possamos refletir sobre como o racismo opera em nossas estruturas e como o Judiciário pode atuar de forma antirracista”, afirmou a magistrada.
Além de ampliar o conhecimento teórico, o grupo visa sensibilizar os participantes para a realidade vivida por mulheres negras em diversos contextos — inclusive no sistema de justiça — e contribuir para a formulação de práticas judiciais mais humanizadas e equitativas. O nome do grupo, Esperança Garcia, é uma homenagem à mulher negra escravizada, considerada a primeira advogada do Brasil, símbolo de resistência, luta e reivindicação de direitos.
O próximo encontro já está agendado para o dia 21 de outubro, e promete aprofundar o debate sobre outras dimensões das relações raciais no país. A Coordenadoria de Igualdade Racial convida todos os interessados a participarem, reforçando o compromisso do TJGO com a construção de um Poder Judiciário mais inclusivo, plural e representativo. (Texto: Acaray Martins - Centro de Comunicação Social do TJGO)