
O Tribunal de Justiça do Estado de Goiás (TJGO) abre espaço para a exposição “A Utopia das Cores”, do juiz aposentado e artista plástico Carlos Elias da Silva. O evento acontece na próxima segunda-feira (6), às 16h, na Pinacoteca desembargador Camargo Neto, térreo do Palácio de Justiça desembargador Clenon Barros Loyola. Também na ocasião, ocorre uma sessão de autógrafos com o lançamento do livro “O colecionador de Lugares – Contos e Novelas”, do juiz substituto em 2º grau Sebastião de Assis Neto, e das obras “Os filhos da Mãe” e “Soneto Polissêmico”, do magistrado em 2º grau Denival Francisco da Silva. A programação segue aberta ao público das 8hs às 17hs até o dia 6 de novembro.
As obras do artista Carlos Elias são marcadas pelo estilo próprio, com exploração do figurativo e expressividade das formas e cores. Com Acervo de pinturas e esculturas, a plasticidade tem influência de pintores como Vincent Van Gogh, Pablo Picasso e Paul Gauguin. Veja aqui o catálogo de obras do artista.
A agenda cultural está sendo organizada pela Comissão de Memória e Cultura do TJGO e o presidente, desembargador Itaney Campos, destacou a expressão cultural do artista. “Sua arte se identifica com a escola pictórica primitivista, caracterizada pela espontaneidade, ingenuidade e naturalidade no trato das cores, cenas idílicas e populares, juntando o figurativo e imaginário. A linha da pintura primitivista é voltada para eventos festivos e religiosos e cenas domésticas da realidade social do interior do país. Explora ainda o artista uma variedade de temas numa aparente tentativa de dialogar com uma arte de tendência estilística mais aberta”, revelou.
O desembargador Itaney Campos ainda destacou a importância da exposição dentro do Judiciário goiano. “Trazer a público o trabalho do Elias busca o reconhecimento de sua arte e provoca a sensibilidade do expectador, contribuindo para a ampliação do espectro artístico numa região dominada atualmente por valores estéticos permeados por uma cultura de traços de ruralidade. Abrir espaço aos novos artistas, ao mesmo tempo em que reúne um acervo permanente de nomes consagrados, demonstra que o Tribunal não se furta a atuar no campo do sensível, fomentando uma conexão humanística com a sociedade goiana, para além da mera relação institucional.”, reforçou.
As obras lançadas pelos magistrados
Em “O Colecionador de Lugares”, Assis Neto nos convida a caminhar por histórias onde a palavra é paisagem e o silêncio, gesto. Entre contos delicados e a potente novela Hector no Cubo, um herói às avessas, moldado com ecos faulknerianos, o Autor revela a maestria de quem conhece os atalhos da boa literatura. Com lirismo, ironia e um olhar afiado sobre o cotidiano, seus textos surpreendem pela leveza com que tocam o profundo. Cada página guarda a promessa de encantamento dessas que nos fazem lembrar por que ainda lemos.
Já em “Os filhos da Mãe”, Denival Francisco Assis, como juiz criminal, passa anos imerso nas complexas realidades humanas que deságuam nos processos judiciais. São crônicas apresentadas por reflexo da vivência em audiências, repletas de paixões, dramas e mazelas sociais. Compartilha a jornada como Magistrado, buscando aplicar a lei sem perder a humanidade, a fé inabalável de muitas mães que, remoendo suas dores e ainda na pureza dos filhos, mesmo reconhecendo suas falhas, são aquelas que, efetivamente, têm esperança de que eles possam se emendar.
E em “Sonetos Polissêmicos”, Denival Silva encara a poesia como arte em palavras e versos, descobrindo rimas e metáforas com liberdade inventiva. Na obra, explora-se a força da língua, nuances e múltiplas acepções, tornando-se uma experiência poética. Cada soneto é uma peça única, onde a ambiguidade se entrelaça e desvenda os mistérios da linguagem. O intento é que as palavras dancem e se transformem, revelando novas possibilidades. A polissemia é a essência, com múltiplos significados para explorar a profundidade da nossa língua.
(Texto: Karineia Cruz - Centro de Comunicação Social do TJGO)