
O olhar inocente, mas atento, e o comportamento diferente de algumas crianças quilombolas que estudam em escolas pertencentes a zonas rurais de Cavalcante e Monte Alegre de Goiás retrata uma dura realidade vivenciada por meninas e meninos todos os dias no Brasil: a suspeita de um abuso sexual e a vergonha de falar sobre um crime cruel, que ainda é tabu.
Por essa razão, na semana dedicada às crianças, as equipes que integram o Tribunal de Justiça de Goiás, por meio da Coordenadoria da Infância e Juventude (CIJ), da Divisão Interprofissional Forense (DIF) e da Corregedoria-Geral da Justiça (CGJGO), percorreram, dentre os dias 7 e 9 de outubro, escolas de difícil acesso no território Kalunga, alcançando o Povoado Vermelho e o Vão do Moleque.
Para ajudar a combater essa violência sexual contra as crianças e adolescentes quilombolas com palestras educativas, usando o ambiente escolar como ferramenta primordial para esse fim.
As ações, que levaram escuta ativa, orientações diversas, acolhimento e auxílio na prevenção e enfrentamento de crimes sexuais, fazem parte do Projeto Raízes Kalungas, que busca fortalecer a cidadania e promover os direitos das populações tradicionais, com foco especial nas comunidades quilombolas da Região Nordeste goiano.
O projeto atua por meio de atividades itinerantes, estabelecendo diálogo com lideranças comunitárias, instituições públicas e a sociedade civil, promovendo ações integradas que atendam às demandas locais, especialmente relacionadas à infância e à juventude.
Com o objetivo de conscientizar e orientar crianças e adolescentes sobre o enfrentamento ao abuso e à exploração sexual, bem como prevenir situações de violência e estimular a cultura do respeito e da proteção, as atividades foram conduzidas pelas servidoras Fabíola Aurelio Costa e Geovana Bernardes Ribeiro da CIJ, e pelos servidores Cyntia A. de Araújo Bernardes e Cláudio Henrique Pedrosa, da DIF.

Coordenadoria da Infância e Juventude
Em 7 de outubro, a equipe da CIJ esteve na Escola Municipal Mãe Marina, em Monte Alegre de Goiás, reunindo cerca de 150 alunos, com idades entre 6 e 9 anos.
No dia seguinte, as atividades prosseguiram em Cavalcante, com palestras na Escola Municipal Alci Alves Moreira - Tia Cici, reunindo cerca de 180 crianças entre 5 e 11 anos, e no Centro Espírita Aprendiz do Evangelho, com a participação de aproximadamente 150 crianças e adolescentes. Foram abordados temas como abuso e exploração sexual, violência infantil, autoproteção, medidas preventivas e canais de denúncia.
Durante as ações, foi distribuído o Gibi “Chega pra Lá”, material educativo produzido pela CIJ. O gibi apresenta, de forma lúdica e acessível, informações sobre prevenção do abuso e da exploração sexual e tem como objetivo informar e orientar o público infantojuvenil, conscientizando sobre a importância da autoproteção e do reconhecimento de situações de risco envolvendo crianças e adolescentes.
Divisão Interprofissional Forense
A equipe da Divisão Interprofissional Forense (DIF) esteve presente em diversas unidades de ensino entre os dias 7 e 9 de outubro, alcançando 239 estudantes, das quais 141 crianças e 98 adolescentes, com idade entre 5 e 20 anos, em escolas localizadas em comunidades quilombolas e áreas rurais de Cavalcante.
Durante as atividades, foram realizadas ações integradas de prevenção, proteção e apoio a crianças e adolescentes em situação de vulnerabilidade, com ênfase no combate ao abuso e à exploração sexual.
Foram desenvolvidas atividades do Programa Escuta, executado pela Corregedoria-Geral da Justiça de Goiás (CGJGO).
O projeto promove a prevenção, a notificação de casos, o acolhimento das vítimas e a repressão contra agressores, reforçando a importância de identificar e atender de forma integral as necessidades de crianças e adolescentes.
Durante as ações, foram distribuídos materiais do Programa Escuta como a cartilha “Vamos conversar sobre abuso sexual?” e o gibi da CIJ “Chega pra Lá!”, que apresentam informações de maneira lúdica e acessível, facilitando o diálogo e a compreensão do público infantojuvenil.
As equipes fizeram atendimentos nas Escolas Municipal Planalto, Estadual Planalto, América de Deus Coutinho; Estadual José Cabral de Araújo - Extensão Nossa Senhora, Municipal Congonhas, Municipal Santo Antônio, Estadual Deuselina Maia de Souza, e Municipal Córrego da Serra.
Compromisso com a proteção da infância e juventude
A prevenção ao abuso e à exploração sexual é reforçada por meio da informação. O conhecimento dos direitos, a capacidade de identificar situações de risco e a orientação sobre os canais de denúncia são fundamentais para garantir a proteção integral de crianças e adolescentes.
A atuação do TJGO em escolas, comunidades quilombolas e espaços de convivência contribui para ampliar a conscientização, promovendo uma cultura de cuidado e proteção entre estudantes, educadores e famílias. As ações reafirmam o compromisso da instituição com a promoção dos direitos infantojuvenis e com a construção de um ambiente seguro para todas as crianças e adolescentes.