
A coreógrafa e ativista Lili de Grammont, filha da cantora Eliane de Grammont, assassinada em 1981 em um dos casos de feminicídio mais marcantes da história do País, participará da abertura da 32ª Semana da Justiça Pela Paz em Casa, promovida pelo Tribunal de Justiça do Estado de Goiás (TJGO). A mesa-redonda será realizada na segunda-feira (9), às 8h30, no Auditório desembargador José Lenar, na sede do TJGO, e discutirá o tema “O Feminicídio e os Desafios na Prevenção: o que falta para impedir que mais mulheres sejam vítimas?”.
A solenidade será conduzida no âmbito da Coordenadoria Estadual da Mulher em Situação de Violência Doméstica e Familiar e contará com a participação do presidente do tribunal, desembargador Leandro Crispim, e da desembargadora Alice Teles, coordenadora da área, além de magistradas, autoridades e representantes da rede de enfrentamento à violência contra a mulher.
Conhecida por se definir como “órfã do feminicídio”, Lili de Grammont transformou a experiência pessoal de perda em atuação pública pela conscientização sobre a violência contra a mulher. Ela participa de debates, projetos artísticos e iniciativas de sensibilização que buscam ampliar a discussão sobre a prevenção da violência doméstica e o fortalecimento das redes de proteção às mulheres.
Debate e estudo
A mesa-redonda “O Feminicídio e os Desafios na Prevenção: o que falta para impedir que mais mulheres sejam vítimas?”, terá, além de Lili de Grammont, as presenças da juíza Simone Pedra Reis, 1ª vice-coordenadora da Coordenadoria da Mulher do TJGO, e da psicóloga Ionara Vieira Moura Rabelo, da Gerência de Vigilância às Violências e Acidentes da Secretaria Municipal de Saúde de Goiânia.
Durante o encontro, Ionara Rabelo apresentará dados de um estudo que analisou registros de violência contra mulheres no município de Goiânia ao longo da última década. A pesquisa aponta que o encaminhamento das vítimas para serviços da rede de proteção e para o sistema de Justiça está associado à redução significativa de desfechos graves, evidenciando a importância da atuação integrada entre saúde, segurança pública e Judiciário para prevenir mortes evitáveis.
Selo
A abertura da 32ª edição da Semana também marcará o lançamento do Selo Cidade Sem Feminicídio e da Carta – Judiciário Goiano Pela Vida das Mulheres, iniciativas que integram a agenda institucional de enfrentamento à violência doméstica e familiar no âmbito do Poder Judiciário goiano. O Selo tem como proposta mobilizar e reconhecer esforços voltados à prevenção do feminicídio, fortalecendo a atuação integrada entre Judiciário, rede de proteção e demais instituições públicas e privadas.
“O lançamento do Selo Cidade sem Feminicídio e da Carta – Judiciário Goiano Pela Vida das Mulheres simboliza o nosso compromisso institucional de não tratar o feminicídio como estatística inevitável. Precisamos transformar dados em ação concreta, fortalecer a integração entre saúde, segurança e Justiça e assumir, de forma pública, que a prevenção é possível. Cada mulher protegida é uma vida preservada e uma responsabilidade cumprida”, afirmou a desembargadora Alice Teles.
Já a Carta – Judiciário Goiano Pela Vida das Mulheres reafirma o compromisso institucional com a promoção de políticas e ações permanentes de enfrentamento à violência de gênero, consolidando diretrizes e compromissos que orientam a atuação do Tribunal nesse campo.
32ª edição
A Semana da Justiça pela Paz em Casa é uma das principais estratégias nacionais de enfrentamento à violência doméstica e familiar contra a mulher. A 32ª edição será realizada de 9 a 13 de março, marcando o início do calendário anual, que prevê três edições ao longo de 2026.
Durante a Semana são promovidos mutirões de audiências, julgamentos concentrados, análise e concessão de medidas protetivas, ações educativas e articulação com rede de proteção, com mobilização concentrada nas varas especializadas e unidades judiciais com Competência para julgar violência doméstica.
A mobilização é coordenada nacionalmente pelo Conselho Nacional de Justiça (CNJ) e envolve tribunais de todo o país. O objetivo é dar celeridade às demandas, reduzir o estoque processual e fortalecer a rede de proteção às mulheres. (Texto: Diretoria de Comunicação Social do TJGO)