
O Juizado Especial do Torcedor e Grandes Eventos do Tribunal de Justiça do Estado de Goiás (TJGO) realizou 16 audiências e, em ação conjunta com o Juizado da Infância e da Juventude e Batalhão Especializado de Policiamento de Eventos (BEPE), identificou 139 crianças e adolescentes desacompanhados dos pais ou responsáveis durante o clássico entre Vila Nova Futebol Clube e Goiás Esporte Clube. A partida ocorreu nesta quinta-feira (10), no Estádio Onésio Brasileiro Alvarenga (OBA), em Goiânia, pelo Campeonato Brasileiro Série B de 2026.
O juiz Flávio Fiorentino de Oliveira, titular da 3ª Vara de Família e Sucessões da Comarca de Goiânia, responsável pelo plantão, afirmou que a atuação no próprio local do evento permite que as ocorrências recebam uma resposta imediata e adequada às circunstâncias de cada caso. “Neste clássico, além das audiências realizadas, chamou atenção o trabalho de proteção às crianças e aos adolescentes encontrados desacompanhados, com o acionamento e a orientação de seus responsáveis. É uma atuação que reúne prestação jurisdicional, prevenção e proteção de direitos, sempre com o propósito de contribuir para um ambiente esportivo mais seguro”, enfatizou, ao destacar que a medida tem caráter preventivo e protetivo e está alinhada às disposições do Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA), que estabelece a proteção integral de crianças e adolescentes.

Cambismo
Entre as ocorrências encaminhadas ao Juizado do Torcedor houve também caso de cambismo, com a constatação da comercialização de ingresso por valor superior ao estampado no bilhete. O ingresso, de R$ 31,50, estava sendo comercializado por R$ 75,00. Na abordagem, foram encontrados ainda outros dois ingressos para a mesma partida e R$ 493,50 em espécie, sendo adotadas as providências cabíveis.
O coordenador estadual do Juizado Especial do Torcedor e Grandes Eventos, juiz Thiago Cruvinel Santos, ressaltou que o trabalho desenvolvido pelo Judiciário nos eventos esportivos integra uma atuação mais ampla e contínua, e busca consolidar um modelo que não se limite ao fato ocorrido no dia do jogo. “A resposta judicial é importante, mas ela precisa caminhar ao lado da prevenção, da responsabilização e da conscientização. A presença do Juizado nos eventos e a articulação permanente com as demais instituições fazem parte desse processo de construção de uma nova cultura no futebol, baseada no respeito, na segurança e na paz”.
Para a diretora do Foro da Comarca de Goiânia, juíza Patricia Bretas, o suporte institucional oferecido para o fortalecimento da atuação do Juizado é essencial. “A Diretoria do Foro, em conjunto com a Presidência do Tribunal de Justiça, tem trabalhado para fortalecer e dar suporte à atuação do Juizado do Torcedor nos eventos realizados na capital. Nosso papel é contribuir para que magistrados e servidores tenham a estrutura necessária para o desenvolvimento desse trabalho, que aproxima o Poder Judiciário da sociedade e amplia a presença da Justiça nos grandes eventos esportivos”.
Atuação integrada
A atuação contou ainda com a participação do Ministério Público do Estado de Goiás (MPGO), representado pelo promotor de Justiça Diego Henrique Siqueira Ferreira; da Defensoria Pública, representada pelo defensor público Philipe Arapian; do Juizado da Infância e da Juventude de Goiânia, por meio da Divisão de Agentes de Proteção, dirigida por Cleyton Rocha; do Batalhão Especializado de Policiamento de Eventos (BEPE), da Polícia Militar do Estado de Goiás; da Polícia Civil; e da Polícia Técnico-Científica.

(Texto: Karinthia Wanderley - Diretoria de Comunicação Social do TJGO)