Os Grupos Reflexivos para Autores de Violência Doméstica em Goiânia vão ser ampliados, com novas turmas oferecidas pela Secretaria Cidadã, em parceria com a Prefeitura de Goiânia, conforme Protocolo de intenções assinado, na última terça-feira (11), com o Tribunal de Justiça do Estado de Goiás (TJGO). O projeto reúne homens autores de violência contra mulheres em sessões coletivas e terapêuticas com ajuda psicológica para vencerem o ciclo de violência.
Os novos grupos na capital serão implantados no Centro de Referência da Mulher – Cora Coralina, vinculado à Secretaria Municipal da Mulher e também na Universidade Salgado de Oliveira, a partir de fevereiro do próximo ano. Nas sessões, participantes são levados a refletir sobre a construção dos gêneros na sociedade, possessão, machismo, entre outros pontos que permeiam os casos de abuso. Os autores são encaminhados de forma compulsória e participam de 10 encontros onde são abordados temas como a origem da violência, a relação entre homens e mulheres, a relação entre pais e filhos, masculinidades, álcool e drogas e a Lei Maria da Penha.
Neste mês foram concluídas mais seis turmas do projeto em Goiânia e Aparecida de Goiânia, num total de 128 homens atendidos. Desde o início do projeto, mais de 60 turmas já foram realizadas, com mais de mil homens atendidos em 12 municípios goianos. “Esse número de cidades atendidas deve mais do que dobrar no próximo ano”, informa o coordenador José Geraldo Veloso Magalhães.
Participaram da solenidade de assinatura, no Paço Municipal, o presidente do TJGO, desembargador Gilberto Marques Filho; o corregedor geral de Justiça do Estado de Goiás, desembargador Walter Carlos Lemes; a presidente da Coordenadoria Estadual da Mulher, desembargadora Sandra Regina Teodoro Reis; o prefeito de Goiânia, Iris Rezende; o superintendente Executivo de Assistência Social da Secretaria Cidadã, João Paulo Marra Dantas (representando o secretário Murilo Mendonça); a secretária Municipal da Mulher, Ana Carolina Almeida; a superintendente de Políticas Públicas para Mulheres da Secretaria Cidadã, Carolina Freire; e o coordenador do Grupo Reflexivo, José Geraldo Veloso Magalhães. Também participaram a presidente do Conselho Estadual da Mulher (Conem) Ana Rita de Castro; a secretária executiva do Conem Flávia Machado; e a diretora do Centro de Valorização da Mulher (Cevam), Dolly Soares.
Reincidência quase zero
Iniciado em 2015, o trabalho é fruto de parceria entre a Secretaria Cidadã, o Tribunal de Justiça do Estado de Goiás (TJGO), Ministério Público do Estado de Goiás (MPGO), Conselho de Comunidade na Execução Penal de Aparecida de Goiânia e Pontifícia Universidade Católica do Estado de Goiás (PUC-GO).
O índice de reincidência é próximo de zero. Os participantes são encaminhados, de forma compulsória, pelos juízes dos respectivos processos incursos na Lei Maria da Penha.
Assessor jurídico da Secretaria Cidadã, José Geraldo Veloso Magalhães afirma que os grupos reflexivos “são um benefício, não uma penalidade" Ele explica que para todos os participantes, o procedimento é o mesmo, contudo, em caso de descumprimento da medida protetiva, o participante pode até ser preso.
Segundo ele, em todos os encontros uma frequência é assinada e os dados encaminhados à Justiça para acompanhamento. Participam dos grupos homens que se enquadram nas formas de violência citadas na Lei Maria da Penha, como moral, física e psicológica. (Texto: Lilian Cury - Centro de Comunicação do TJGO, com informações da Secretaria Cidadã)