Único goiano a integrar a Academia Brasileira de Letras, o escritor Bernardo Élis tem legado extenso na literatura, que precisa de constante reverência, na opinião do desembargador Itaney Francisco Campos. Afastado momentaneamente da presidência da Comissão Cultural do Tribunal de Justiça do Estado de Goiás (TJGO) para assumir o Tribunal Regional Eleitoral (TRE), ele esteve nesta quinta-feira (06) no Instituto Cultural e Educacional Bernardo Élis para os Povos do Cerrado (Icebe), em Goiânia, para pensar em parcerias com ambas as instituições.
“Serão pensadas ações de reconhecimento e conhecimento da obra do maior nome da literatura goiana. Estamos juntando nossos interesses para apoiar a produção cultural de nosso Estado. É uma batalha nossa fomentar a cultura em Goiás”, destacou o Magistrado que é também sócio do Icebe e integrante da Academia Goiana de Letras.
A visita foi um convite do presidente do Icebe, o escritor Nilson Jaime, ex-superintendente estadual de cultura, que agradeceu o “apoio significativo”. Recém-empossado no cargo, após solenidade no último dia 3, ele adiantou que pretende fazer parcerias com escolas dos ensinos médio e fundamental de Goiânia. “Atualmente, há muitos escritores, mas poucos leitores. Queremos incentivar o hábito da leitura, com contadores de histórias e visitas ao acervo do Icebe”. Na opinião do desembargador Itaney Campos, as visitas ao Icebe, ao serem divulgadas, propiciam visibilidade ao Instituto e, de consequência, à vida e bibliografia de Bernardo Elis. "Além disso, as ações de divulgação vão além da mera presença física e pretendem colaborar para incentivar na sociedade o interesse pela literatura”, completou.

Icebe

No coração do Jardim América, uma casa que remete à arquitetura colonial alemã destoa da paisagem. A construção foi erguida por Carmelita Fleury, segunda esposa de Bernardo Élis, e foi doada em vida pela viúva, hoje com 96 anos, para a preservação e exposição do Acervo cultural do escritor. Visitantes podem conhecer a biblioteca que era do casal e objetos pessoais que fizeram parte da história de vida do romancista goiano, como fardão e o espadachim da Academia Brasileira de Letras que Bernardo Élis vestiu em sua posse, em 1975. Completam o ambiente quadros modernistas pintados por Carmelita, que era prima de Élis e chegou a ser freira durante a juventude.
À frente da casa, uma caraíba, também conhecida como ipê-amarelo, plantada pelo casal nos anos 1980, que figurou uma crônica de Élis. A árvore dá nome à revista acadêmica que será lançada pelo Icebe, em parceria com a Universidade Federal de Goiás (UFG), Universidade Estadual de Goiás (UEG), Pontifícia Universidade Católica de Goiás (PUC-GO) e a Universidade Evangélica. Durante a visita, o presidente do Icebe, Nilson Jaime, convidou o desembargador Itaney Francisco Campos para participar do Conselho Editorial da Caraíba e assinar a seção destinada ao Direito e Justiça. Estão previstas duas edições anuais da publicação, que deve unir conhecimentos das também das áreas de Letras, Música e Geografia.
Acompanharam também a visita o secretário judiciário do TRE, Leonardo Sapiência, a chefe de Gabinete da presidência do TRE, Dênia Brito, o assessor de comunicação do TRE, Brazil Nunes, e a servidora do Icebe, Denise Torres. Veja galeria (Texto: Lilian Cury / Fotos: Acaray Martins - Centro de Comunicação Social do TJGO)