
Promover a conscientização e o diálogo sobre questões raciais, culturais e jurídicas, integrando a arte e a sabedoria jurídica em um espaço de aprendizado e reflexão. Com esse objetivo, foi aberta nesta quinta-feira (12), no Fórum Cível de Goiânia, a 2ª Semana de Arte e Sabedoria Jurídica Negras (Sawabona). A palestra de abertura foi ministrada pela juíza auxiliar da Presidência do Conselho Nacional de Justiça (CNJ), Wanessa Mendes de Araújo, que abordou o tema Igualdade Racial no Poder Judiciário.
O evento contou com a participação da juíza auxiliar da Presidência, Lidia de Assis e Souza, que representou o presidente do TJGO, desembargador Carlos França; do juiz auxiliar da Corregedoria-Geral da Justiça de Goiás, Gustavo Assis Garcia, representando o corregedor-geral, desembargador Leandro Crispim; da desembargadora Sirlei Martins; do coordenador adjunto da Coordenadoria de Igualdade Racial do TJGO, juiz Hugo de Souza Silva; da diretora substituta da comarca de Goiânia, juíza Simone Monteiro, representando a diretora da comarca, juíza Patrícia Bretas; da titular da Vara Criminal da comarca de Goiás e integrante da Coordenadoria de Igualdade Racial, Erika Barbosa; e da líder quilombola Marta Kalunga.

“É com grande satisfação que abrimos esse evento que reafirma o nosso compromisso institucional com a promoção da igualdade racial e a valorização da diversidade no âmbito do Poder Judiciário. O nome Sawabona significa eu te respeito, eu te valorizo, você é importante para mim. E é esse o espírito desse evento, enxergar, ouvir e agir em prol da equidade, da promoção de um ambiente onde a igualdade racial seja uma realidade concreta refletindo-se nas práticas do Poder Judiciário no fortalecimento dos direitos fundamentais de todos os cidadãos”, enfatizou a juíza auxiliar da Presidência, Lidia de Assis e Souza, ao destacar que o TJGO avança ao transformar o Comitê de Igualdade em Coordenadoria.
O Juiz auxiliar da Corregedoria-Geral da Justiça, Gustavo Assis, elogiou as iniciativas promovidas pela Coordenadoria de Igualdade Racial do Tribunal de Justiça do Estado de Goiás (TJGO), entre elas, a Semana de Arte e Sabedoria Jurídica Negras. “O Sawabona cria um ambiente de diálogos e de conscientização das questões raciais. Iniciativas assim são extremamente relevantes neste contexto de diversidade que passa o Poder Judiciário brasileiro”.
A diretora substituta da Comarca de Goiânia, juíza Simone Monteiro, reforçou que o TJGO se orgulha de ser um ambiente inclusivo, em que as pessoas são tratadas com respeito, independente de gênero ou raça. “A maior prova disso é o projeto Raízes Kalungas, idealizado pelo presidente Carlos França, que é um exemplo claro do nosso esforço continuo para propor medidas concretas para promoção da inclusão social”, frisou.
O coordenador adjunto da Coordenadoria de Igualdade Racial do TJGO, juiz Hugo de Souza Silva, na oportunidade destacou que o TJGO é o primeiro tribunal do país a ter uma coordenadoria de igualdade racial. “Isso nos traz uma responsabilidade muito grande, pois sabemos o quanto importante é esse espaço de debate e de promoção de equidade racial no âmbito institucional", afirmou o Magistrado.
Palestra
Ao abordar o tema “A Igualdade Racial no Poder Judiciário”, a juíza auxiliar da Presidência do Conselho Nacional de Justiça (CNJ), Wanessa Mendes de Araújo (foto abaixo), que é integrante do Fórum Nacional para Equidade Racial no Poder Judiciário do CNJ, destacou a importância de todos valorizarem as pessoas, independentemente da sua raça, da sua cor, da sua condição financeira. “Nós, do Poder Judiciário, não podemos ser alheios a isso. Temos que praticar Sawabona todos os dias”, salientou.

A magistrada ressaltou a importância da capacitação de membros do Poder Judiciário, que muitas vezes descriminam o jurisdicionado. “Todos precisam ter um olhar sensível ao atender o público para que não ocorra o preconceito tão presente ainda nos dias de hoje. Precisamos tratar da igualdade racial, essa necessidade de atuação e de comprometimento do Poder Judiciário para uma promoção consciente de medidas que concretizem os ideais estabelecidos na Constituição de que todas as pessoas devem ter oportunidades iguais”.
Atividades culturais
A abertura da 2º Semana de Arte e Sabedoria Jurídica Negras ainda contou com a apresentação de samba de roda do Grupo Batucagê e da exibição do curta-metragem “Meada Cor Kalunga”, dirigido por Marta Kalunga, Alcileia Torres e Ana Luíza Reis, que traz o registro sobre os saberes ancestrais da comunidade quilombola de Vão de Almas, em Cavalcante.

“É com muito orgulho que conseguimos mostrar um pouco da nossa sabedoria ancestral sobre a técnica de coloração do algodão e um pouco das tradições do povo Kalunga. Esse documentário mostra a nossa resistência e ajuda a preservar nossas memórias para que não se percam”, enfatizou Marta Kalunga.

O primeiro dia do evento foi encerrado com sorteio de livros: “Pequeno Manual Antirracista”, da filósofa Djamila Ribeiro; “O Pacto da Branquitude”, da psicóloga e ativista Cida Bento; “A pele que eu tenho”, da ativista antirracista Bell Hooks; “Racismo Algorítmico: Inteligência Artificial e Discriminação nas Redes Digitais”, do doutor em Ciências Humanas, Tarcísio Silva; “Racismo, Sexismo e Desigualdade no Brasil”, da filósofa e ativista antirracista Sueli Carneiro; “Como ser um Educador Antirracista”, da pós-doutora e ativista Bárbara Carine; e a obra “Olhos Dágua”, da escritora Conceição Evaristo.

A 2º Semana de Arte e Sabedoria Jurídica Negras, organizada pela Coordenadoria de Igualdade Racial do Tribunal de Justiça do Estado de Goiás (TJGO), com o apoio da Escola Judicial (Ejug), segue até sexta-feira (13), com palestras e apresentações culturais. (Texto: Karinthia Wanderley/ Fotos: Wagner Soares- Centro de Comunicação Social do TJGO)