
Parte das atividades do segundo dia do 5º Encontro Nacional de Memória do Poder Judiciário (Enam) ocorreram na sede do Tribunal de Justiça do Estado de Goiás. A programação da tarde foi aberta com mesa de debate sobre o tema: diversidade, memória e justiça social, presidida pelo desembargador Altamiro Garcia Filho, e mediada pela juíza federal da 5ª Vara de Porto Alegre, Ingrid Schroder Sliwka.
Os palestrantes convidados foram o professor doutor da Universidade Federal de Goiás (UFG), Raul Amaro de Oliveira Lanari; a pesquisadora doutora da Universidade Nacional de Brasília (UnB) e servidora da Câmara dos Deputados, Daniela Francescutti Martins Hott, e a mestre historiadora e antropóloga Social, Yordanna Lara Rêgo.

Raul Lanari observou o processo histórico de construção das identidades culturais e a importância da preservação da memória de cada povo. Ressaltou que é preciso, inclusive, abrigar expressões culturais de comunidades marginalizadas, como povos indígenas, quilombolas e comunidades ribeirinhas. “A justiça social passa pela valorização de diferentes formas de expressão cultural”, disse.
Daniela Francescutti trouxe pesquisa em que mostrou quantas décadas foram necessárias para se chegar à adoção do termo “Pessoa com Deficiência” pela legislação brasileira, a fim de demonstrar a dificuldade que as PCDs enfrentaram para se sentir tratadas com mais dignidade, conforme pontuou. “Até 1900 a gente era denominado como inválido, descartável, não existia nem a palavra indivíduo, pessoa. A gente não existia, era uma coisa objetificada, ignorada, botada do lado. Aí, a partir de 1901, apareceu a palavra indivíduo. A gente começou a ser alguma coisa na sociedade, mas era um indivíduo com defeito, incapacitado, isso até 1960. De 1961 a 1980, éramos indivíduos defeituosos. Então, foi muito tempo isso”, ressaltou.
A antropóloga Yordanna Lara, por sua vez, abordou democracia e desigualdade social, e chamou atenção para o papel das instituições no combate ao racismo, presente nas relações sociais e culturais. “A superação da desigualdade social requer não apenas políticas públicas inclusivas, mas também uma transformação profunda nas estruturas de poder e nas narrativas que sustentam a exclusão”, afirmou.

Apresentação cultural
Na sequência da programação vespertina do 5º Enam no TJGO, teve também a apresentação cultural do Grupo Diversus, no auditório da Ejug. O grupo é um projeto de extensão do Programa de Artes, Cultura e Tecnologia da Universidade Federal de Goiás (UFG), e reúne artistas com e sem deficiência atuando juntos, por meio da dança contemporânea e inclusiva, poética e dramaturgia acessível. O objetivo da iniciativa é a inclusão e a diversidade de potencialidades, promovendo o reconhecimento da pessoa com deficiência na sociedade. O espetáculo utiliza comunicação simples, intérprete de libras e áudio descrição aberta.

Durante a apresentação do grupo, o desembargador Altamiro Garcia Filho, que integra a Comissão de Memória e Cultura do Poder Judiciário estadual, elogiou a programação e organização do evento. “Tivemos uma tarde produtiva com as exposições dos debatedores a respeito da preservação da memória e da cultura e a apresentação teatral e musical do Grupo Diversus”, pontuou o desembargador.
Conforme a diretora do espetáculo, Renata Curado, o projeto alia acessibilidade cultural e artística, por meio do teatro e da dança contemporânea. “Nossa ideia é fazer cultura de forma acessível, com a inclusão de pessoas surdas, com deficiência visual e intelectual”, explicou a diretora.
Em seguida, os participantes visitaram a exposição “Tecendo o Amanhã: Memórias do Judiciário Goiano”, organizada pelo Centro de Memória e Cultura do Poder Judiciário estadual. A mostra está instalada nos corredores da entrada principal do prédio do TJGO, da Avenida Assis Chateaubriand. Também houve visitação à exposição “Preservando a Memória do Judiciário Goiano, o olhar para os arquivos” na Pinacoteca desembargador Camargo Neto. A exibição revela arquivos do TJGO desde os manuscritos até os documentos digitais. A exposição será apresentada de forma permanente no Tribunal de Justiça de Goiás.

A programação do 5º Enam também contou com eventos no TRE-GO e no TRT-18, com palestras sobre parcerias culturais do Poder Judiciário, museologia na Justiça Eleitoral, visita ao Centro de Memória do TRE-GO e tour Art Déco na Praça Cívica, visita ao Centro de Memória e Centro Cultural Trabalhista do TRT-18, além de sarau cultural e apresentação musical.
Programação da manhã
Na manhã desta quarta-feira (7), o integrante da Comissão de Memória e Cultura do Tribunal de Justiça do Estado de Goiás (TJGO), desembargador Altamiro Garcia Filho, participou, no Auditório Goyazes, sede do Tribunal Regional do Trabalho (TRT-18), da palestra "Imagens da branquitude: a presença da ausência", ministrada pela Dra. Lilia Moritz SchWarcz. Em seguida, aconteceu o painel "Diálogos interdisciplinares integradores entre arquivos, bibliotecas e centros de memória: desafios e perspectivas possíveis".
A historiadora e antropóloga Lilia Schwarcz trouxe o tema “Imagens da branquidade: a presença da ausência” para uma plateia de especialistas em cultura, sociólogos, especialistas e apreciadores do tema, buscando ampliar as informações sobre diversidade. Na ocasião, o desembargador Altamiro Garcia pontuou o engajamento para a conscientização de todos no sentido de colhermos frutos no futuro.
“É fundamental o TJGO participar e engajar em movimentos para que possamos ter essa diversidade nos Tribunais. A conscientização de todos é de suma importância para no futuro colhamos os frutos dessas sementes de agora, especialmente para acolher a diversidade. Esse momento de reunião entre os Tribunais, cada um em suas especificidades, traz esse norte de colaboração com um único objetivo: crescer juntos, enquanto instituições parceiras, e acolher a diversidade e olhar para as minorias”, ressaltou o desembargador Altamiro Garcia. (Texto: Loren Milhomem, Karineia Cruz e Carolina Dayrell/ Fotos: Agno Santos e Wagner Soares - Centro de Comunicação Social do TJGO)