
A quarta edição do evento Caminhos Literários no Socioeducativo: pelo Direito à Cultura, promovido pelo Conselho Nacional de Justiça (CNJ), foi iniciada oficialmente na manhã desta quinta-feira (03), com transmissão ao vivo pelo canal do CNJ do YouTube. O evento segue nos dias 4, 8 e 9 deste mês e, desta vez, sua programação trata do tema “Adolescências em cena”, com amplos debates, atividades e palestras sobre o uso do audiovisual como forma de expressão dos adolescentes no sistema socioeducativo.
A iniciativa conta com a participação de representantes do sistema de justiça do País, do Poder Executivo, profissionais da cultura, da educação e também adolescentes de 84 unidades socioeducativas do país. Ao longo desta quinta-feira, eles puderam acompanhar a programação por meio de telões.
Potência e criatividade

Ao declarar iniciados os trabalhos, o conselheiro do CNJ e desembargador José Rotondano falou sobre a escolha do audiovisual como tema central desta edição. “O Brasil tem uma produção audiovisual diversa, potente e criativa. E esse potencial também está nas unidades socioeducativas, não tenho a menor dúvida disso”, pontuou. Para ele, a arte é confirmadamente um caminho para a superação de trajetórias marcadas por exclusões e vulnerabilidades. “Queremos e podemos possibilitar uma juventude que comunica, denuncia, sonha e propõe”, frisou.
O conselheiro do CNJ lembrou que, atualmente, é por meio da música, do cinema, das redes sociais, dos vídeos curtos e documentários que muitos adolescentes têm encontrado caminhos de expressão, resistência e pertencimento. “A cultura, inclusive nas linguagens digitais e audiovisuais, é um direito de todo adolescente, esteja ele onde estiver".
Transformação

A secretária nacional dos Direitos da Criança e do Adolescente, do Ministério dos Direitos Humanos e da Cidadania (MDH), Pilar Lacerda, manifestou sua integral concordância com o entendimento do conselheiro do CNJ. “A gente quer proporcionar mais oportunidades, ambientes de transformação, de respeito e que esses jovens possam criar, estudar e enxergar novos caminhos”, comentou.
Sonhos e visibilidade

Representando o Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD) no Brasil, Andrea Bozon salientou que a adolescência é uma fase de transformação e de potência criativa e defendeu que, no sistema socioeducativo, a cultura tem o poder de abrir frestas, romper silêncios e construir novos sentidos. “Colocar a juventude em cena é mais do que garantir visibilidade, é reconhecer o direito de imaginar, sonhar, criar e ocupar espaços com dignidade e liberdade Quando a juventude se expressa, ela transforma. E quando é ouvida, vista, ela constrói caminhos que apontam para um futuro mais justo, plural e humano”, observou.
"Adolescência em cena, não em celas"

Para a vice-presidente do Conselho Nacional dos Direitos da Criança e do Adolescente, Marina de Pol Poniwas, o evento iniciado nesta quinta-feira não apenas celebra a cultura como direito mas “afirma que as adolescências cabem em cena, não em celas”. Ela observou que nunca foi tão urgente reafirmar a doutrina da proteção integral à criança e ao adolescente como bússola ética e política. “O Brasil precisa ouvir, e não silenciar. Nosso sistema socioeducativo é marcado por seletividade penal e racismo estrutural. Não é coincidência que a maioria dos adolescentes privados de liberdade sejam negros, pobres e moradores de periferia. Como também não é por acaso que meninas sejam invisibilizadas e violentadas num sistema despreparado para elas. Incluir e incentivar a arte para esses jovens se revela uma medida essencial para minimizar as danosas falhas do sistema socioeducativo no Brasil”.
"Trabalhos"

Após a explanação dos integrantes da mesa institucional do evento, foi iniciada a conferência magna “Do Livro ao Beat, da Tela à Rua: Como Contamos Nossa História”, mediada pela juíza ouvidora do Supremo Tribunal Federal (STF), Flávia Martins, com a participação do rapper e escritor Rashid; dramaturgo e jornalista Adalberto Neto; atriz Cássia Valle; artista visual e cineasta Lia Letícia; e a pesquisadora Renata Melo.
No período da tarde, foi realizado debate com o tema “Abrir caminhos e garantir direitos: políticas de cultura, juventudes e socioeducação”, com a participação, novamente, de Flávia Martins e, ainda, da chefe de Gabinete da Secretaria Nacional da Criança e Adolescente (MDHC), Mayara Silva de Souza; da secretária do Audiovisual do Ministério da Cultura (MinC), Joelma Oliveira Gonzaga; da ativista, atriz e cineasta Joyce Cursino; sob a mediação do juiz Malcon Jackson Cummings, do Tribunal de Justiça do Paraná (TJPR).
Mediado pelo juiz do Tribunal de Justiça do Espirito Santo (TJES) Diego Grigio, o último painel do dia tratou do tema “A palavra, o som e a imagem: experiências práticas na socioeducação”, com debate entre Luisa Muller, do Canal Curta!; de Rafaela Deiab, da Cia das Letras; de Rodrigo Aquiles Santos e Adriele Sussuarana, do Cineclube Raízes & Memórias; e de Antônio Gil, do Projeto Municine.