
A Coordenadoria de Igualdade Racial do TJGO, em parceria com a Escola Judicial (Ejug), promoveu, na tarde desta quarta-feira (23), no Fórum Cível da Comarca de Goiânia, a palestra “Interseccionalidades e mulheres negras: marcha por reparação e bem-viver”, com a professora Janira Sodré. O evento foi alusivo ao Dia Internacional da Mulher Negra Latino-Americana e Caribenha, comemorado em 25 de julho.

O corregedor do Foro Extrajudicial do TJGO, desembargador Anderson Máximo de Holanda, abriu o evento, e ressaltou que “é preciso levantarmos cada vez mais a bandeira da igualdade e do respeito ao próximo”.

Diretora do Foro da Comarca de Goiânia, a juíza Patrícia Dias Bretas observou que o tema em questão “é muito sensível, primeiro, porque trata de mulheres”. “E nós vivemos numa sociedade que, em muitos momentos, é machista, que nos discrimina pelo simples fato de sermos mulheres, de estarmos ali, ocupando ou não postos. E, mais ainda, quando se trata de uma mulher negra. Já avançamos muito, mas temos que avançar mais. E o único modo de avançarmos contra a discriminação, contra o preconceito, é entender aquilo que nos move, é entender porque fazemos ou porque devemos parar. É só através de uma capacitação, de estudo, de aprendizado”, afirmou a magistrada.

Coordenadora da Coordenadoria de Igualdade Racial do TJGO, juíza Adriana Maria dos Santos Queiróz de Oliveira, por sua vez, ressaltou os desafios enfrentados diariamente pelas mulheres negras no Brasil. “ A mulher negra, e eu falo aqui em primeira pessoa, enfrenta os desafios trazidos pela interseccionalidade de raça, gênero e, por muitas vezes, de classe social. E coloca à frente os números de vítimas de violência, racismo, desigualdade e inúmeras outras situações de exclusão. A mulher negra, então, enfrenta dificuldades. De colocação de emprego formado, são minorias em cargos de liderança, possuem maior dificuldade de acesso à saúde, à educação e às oportunidades. Além de se encontrarem em situação absoluta de sub-representação na política, nos cargos de liderança e também no Judiciário. E tudo isso não é uma mera inação. As estatísticas estão aí para comprovar de forma bem evidente todas essas colocações aqui por mim pontuadas”, ressalvou.

A professora Janira Sodré iniciou a palestra observando que “É para celebrar a potência e as possibilidades das meninas e das mulheres negras brasileiras, latino-americanas e caribenhas e as mulheres negras da África e da diáspora que estamos aqui. Eu queria enaltecer na memória da minha avó e da minha mãe um legado de mulheres inspiradoras que transformaram escassez material e o seu legado civilizacional africano em sonhos. E esses sonhos em projetos e propósitos para as suas filhas e filhos, para as novas gerações. Nossa capacidade adaptativa, a nossa resiliência e a aposta naquilo que eram as nossas melhores potencialidades para superar clivagens e hierarquias que quiseram durante tanto tempo na vida dessa República, nos situar e nos localizar em lugares muito específicos no mundo social e econômico, no ambiente de trabalho e nos ambientes de moradia”, afirmou.

Avanços
Ao destacar os avanços que ainda são necessários para assegurar equidade e justiça social para as mulheres negras, Janira Sodré sublinhou que a prevenção ao racismo passa pela educação transformadora e pela comunicação, a partir da garantia de mais espaços para debates, como tem feito o Poder Judiciário. “Precisamos garantir que novas gerações estejam mais conscientes. Convocamos todas as mulheres negras a se unirem na Marcha por Reparação e Bem-Viver, um marco transformador para a sociedade brasileira. Educação, fortalecimento de nossas lideranças e a mobilização social são caminhos centrais para a transformação efetiva do Brasil”, sintetizou a palestrante.
Participaram do evento, ainda, a juíza Suelenita Soares Correia, representando o Comitê de Incentivo à Participação Feminina do TJGO; a assessora administrativa da presidência do TJGO e esposa do presidente do TJGO, Luciene Camargo; o defensor público Tairo Batista Esperança, representando a Defensoria Pública do Estado de Goiás; e a advogada Juliane Kelly dos Santos Ferreira, representando a Comissão da Mulher Advogada da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB-Seção Goiás). (Texto: Loren Milhomen/ Fotos: Wagner Soares- Centro de Comunicação Social do TJGO)