
“A iniciativa representa um chamado à ação coordenada, ao diálogo interinstitucional e à mobilização da sociedade para que a justiça chegue de forma efetiva, humanizada e transformadora a cada mulher que sofre violência”, destacou a desembargadora Alice Teles, à frente da Coordenadoria da Mulher do Tribunal de Justiça do Estado de Goiás (TJGO), na manhã desta segunda-feira (18) durante a abertura oficial da 30ª edição da Semana da Justiça pela Paz em Casa. Na ocasião, a desembargadora representou o presidente do TJGO, desembargador Leandro Crispim. O evento, realizado no auditório do Fórum da comarca de Inhumas e transmitido pelo canal da Coordenadoria da Mulher no YouTube, nesta edição tem como tema “Justiça em Rede: unindo comarcas no enfrentamento à violência contra a mulher”.
A desembargadora Alice Teles agradeceu a presença das autoridades e membros da rede de proteção à mulher. Em seu discurso, ela enfatizou que, assumindo pela primeira vez um formato regionalizado, a 30ª edição une esforços de comarcas e distritos em uma verdadeira rede de enfrentamento à violência doméstica e familiar contra a mulher.
Diálogo interinstitucional
“Essa ação representa um chamado à ação coordenada, ao diálogo interinstitucional e à mobilização da sociedade para que a justiça chegue de forma efetiva, humanizada e transformadora a cada mulher que sofre violência”, reiterou a desembargadora. Em seguida, ela apresentou dados do Anuário Brasileiro de Segurança Pública de 2025, que aponta que só em Goiás, no ano de 2024, 119 mulheres foram assassinadas — sendo 56 vítimas de feminicídio, o que representa quase metade de todos os homicídios de mulheres no Estado.
“Foram também 187 tentativas de feminicídio, um aumento de quase 9% em relação ao ano anterior. Nesse período, registraram-se mais de 32 mil ameaças; os crimes de perseguição somaram 4.098 casos; e as notificações de violência psicológica alcançaram 3.061 vítimas, com aumento superior a 7%”, destacou a desembargadora. Para a coordenadora da Coordenadoria da Mulher, “esses dados não são apenas estatísticas, pois representam histórias interrompidas, famílias destruídas, sonhos que não se realizaram. Representam rostos e nomes que não podemos esquecer. É nesse cenário que a Semana da Justiça pela Paz em Casa se consolida como um marco de resistência e de esperança".

Nesta edição, a expectativa é a realização de aproximadamente 2 mil audiências em diversas unidades judiciárias, reduzindo o tempo de Tramitação dos processos e garantindo respostas mais rápidas às vítimas. De forma virtual, a desembargadora Sandra Regina de Teodoro Reis, ouvidora do Poder Judiciário, falou sobre a importância de o evento ter sido realizado na comarca de Inhumas. “Tenho certeza de que o evento trará benefícios para a cidade, já que a programação inclui diversas atividades voltadas à proteção das mulheres vítimas de violência doméstica”, afirmou.

Alcance Nacional
Na sequência, o diretor do Foro da Comarca de Inhumas, juiz João Luiz da Costa Gomes, destacou que a iniciativa é de alcance nacional, alinhada à Resolução nº 254/2018 do Conselho Nacional de Justiça, que visa aprimorar e agilizar a prestação jurisdicional nos casos de violência doméstica e familiar. “Sinto-me orgulhoso por Inhumas ter sido escolhida para sediar a abertura oficial desta importante programação. A decisão de realizar o evento em formato regionalizado, integrando comarcas e distritos, demonstra o quanto o Judiciário, unido a seus parceiros, está empenhado em fortalecer a rede de proteção, acolhimento e garantia dos direitos das mulheres”, justificou.

Desafios do enfrentamento

A juíza Mônica Miranda Gomes de Oliveira Estrela também se manifestou, destacando sua vivência direta com os desafios do enfrentamento à violência doméstica. “Não se trata apenas de números em processos, mas de vidas em risco, mulheres que buscam proteção e dignidade. Ela também lembrou de um caso recente que ilustra bem a gravidade da situação: "Trata-se de uma servidora da comarca de Montes Claros, vítima de feminicídio”, afirmou. Ela reforçou a importância da atuação integrada da rede, com participação ativa de varas, delegacias, Ministério Público, Defensoria Pública e outros órgãos. “Que possamos, juntos, tornar a rede cada vez mais forte e efetiva para proteger as mulheres que confiam em nós”, concluiu a magistrada.
Programação
Durante a semana, de 18 a 22 de agosto, a programação inclui palestras, rodas de conversa e encontros com a rede de proteção, envolvendo mulheres em situação de violência, crianças, adolescentes e profissionais das áreas de saúde, educação, assistência social e segurança pública. Em Inhumas, 400 adolescentes do Colégio Militar Vila Lucimar, 110 crianças da Escola Municipal Cleide Campos e acadêmicos da FACMAIS (UNIMAIS) participarão das atividades.

A ação contará com a elaboração de cartas de recomendações a partir das discussões com a rede de proteção de cada município, reunindo demandas locais e propostas de novas iniciativas. A Coordenadoria da Infância também integra a programação, reforçando o caráter educativo e preventivo das ações.
Entre os eventos, estão palestras do projeto Educando para a Justiça e pela Paz em escolas de Inhumas, no dia 19, e na universidade FACMAIS, no período noturno. No dia 20, às 14 horas, será realizada uma roda de conversa do programa Flores do Ipê, com o tema "As diversas formas de violência e o reflexo na vida das mulheres", voltada a magistradas, servidoras e terceirizadas do TJGO. Paralelamente, durante toda a semana, os mutirões de audiências ocorrem em unidades judiciárias de todo o Estado.

Presenças
Também participaram da abertura no Fórum de Inhumas os promotores de justiça, Rômulo Teixeira Marcelo e Mauricio Gebrim; o prefeito de Inhumas José Essado; o defensor público João Mansur; a presidente da Comissão da Mulher Advogada, Juliana Ferreira; o delegado Miguel Mota; o tenente da Polícia Militar, Carlos Oliveira, gestor da Patrulha Maria da Penha; a gestora da Unidade Prisional Feminina, Gleice Kelly; o diretor da unidade prisional de Itauçu, Ailton Corrêa Lima; a coordenadora da Patrulha Mulher Mais Segura GCM de Goiânia, Luiza Sol; a coordenadora do CREAS de Inhumas, Mislaine Cristina; a representante do coordenador do curso de Direito da Unimais, Sirlene Fernandes. Veja galeria de fotos (Texto e fotos: Acaray Martins – Centro de Comunicação Social do TJGO)
