
Com leveza, acolhimento e informação, o Tribunal de Justiça do Estado de Goiás (TJGO) se vestiu de rosa nesta sexta-feira (17) para lembrar que “cuidar de si é um ato de coragem e amor”. Esse foi o tema do evento promovido pela Diretoria de Gestão de Pessoas (DGP), por meio da Divisão de Acolhimento e Ambientação Funcional (DAAF), em parceria com o Centro de Saúde do TJGO, e que integra a programação do Outubro Rosa, campanha internacional de conscientização sobre a prevenção e o diagnóstico precoce do câncer de mama.
A ação foi realizada em formato híbrido, com bate-papo no Auditório desembargador José Lenar de Melo Bandeira, sede do TJGO, e transmissão ao vivo pelo canal do YouTube do TJGO para servidoras e servidores, magistradas e magistrados de todo o Estado, ampliando o alcance da mensagem sobre a importância do autocuidado, do diagnóstico precoce, da prevenção e da busca constante por informação e apoio.
Durante toda a tarde, o Foyer Goiandira do Couto, localizado no hall do auditório, se transformou em um espaço de cuidado, conhecimento e solidariedade. O Hospital de Câncer Araújo Jorge estava com estande para a venda de camisetas e joias, cuja renda será revertida para o tratamento de pacientes oncológicos. Também foram oferecidos, aos participantes, aferição de pressão arterial e teste de glicemia, além de apresentação de óleos essenciais e produtos como colágenos.
A abertura do evento foi conduzida pela juíza auxiliar da Presidência do TJGO, Jussara Cristina Oliveira Louza (foto abaixo), que destacou a relevância da iniciativa e o compromisso da instituição com a promoção da saúde e da qualidade de vida. “Este evento é fruto do trabalho da Diretoria de Gestão de Pessoas, por meio da Divisão de Acolhimento e Ambientação Funcional, em parceria com o Centro de Saúde do Tribunal. Tenho certeza de que o depoimento de quem vivenciou a doença, com sua história de superação, e o compartilhamento de informações valiosas dos profissionais da área da saúde serão enriquecedores para todos nós”, afirmou.

Um dos destaques da programação foi a exposição dialogada, que reuniu diferentes especialistas para retirar dúvidas dos convidados e compartilhar experiências. Ao abrir a conversa, a assistente social da DAAF, Maria Nilva Fernandes, ressaltou a importância de um olhar sensível e multidimensional para o tema, que envolve não apenas o corpo, mas também aspectos emocionais e sociais. “Hoje nós nos reunimos para falar sobre o câncer, especialmente o de mama, nesse evento alusivo ao Outubro Rosa. Entendemos que o olhar de perto pode transformar o que pensamos a respeito disso. Vamos refletir sobre o cuidado com o corpo, desde a prevenção até o pós-tratamento, abordando dimensões física, psicológica, emocional e espiritual”.
Entre os convidados, o médico ginecologista do Centro de Saúde do TJGO, Leonardo Bruno Gomes, reforçou o papel central do ginecologista como profissional de referência na saúde da mulher e como agente fundamental para o diagnóstico precoce. “A ginecologia é a porta de entrada para a saúde da mulher. Muitas vezes, a paciente procura o ginecologista por uma queixa específica, mas esse profissional é, na verdade, um grande clínico geral, apto a escutar as diversas questões da saúde de forma global e holística. A maioria dos cânceres ginecológicos, como o de colo do útero e o de mama, quando diagnosticados precocemente, são 100% curáveis, e, quando não, muitas vezes controláveis. Por isso, aproveitem o Centro de Saúde, estamos lá para acolher, ouvir e orientar da melhor forma possível”, afirmou.

A médica mastologista Luisa Rezende, que também fez parte da mesa diretiva, complementou a fala do colega, ressaltando a importância da integração entre ginecologistas e mastologistas no cuidado contínuo com a saúde feminina. “O ginecologista é o primeiro olhar, o clínico geral da mulher. Em cerca de 80% dos casos, minhas pacientes chegam porque um ginecologista atento percebeu alguma alteração e encaminhou para uma avaliação especializada. O diagnóstico precoce salva vidas. É essencial que as mulheres façam o rastreio regularmente, conheçam seu corpo e mantenham o cuidado contínuo”, orientou.
Também da área médica, a oncologista e ginecologista Rossana Catão – que é diretora-geral do Hospital e Maternidade Dona Iris -, compartilhou a evolução dos tratamentos ao longo dos anos e reforçou o impacto positivo da conservação e reconstrução mamária. “Hoje conseguimos tratar muitos casos de câncer de mama avançado com quimioterapia antes da cirurgia, o que permite conservar a mama. E, quando isso não é possível, existem técnicas de reconstrução que garantem um resultado estético e emocionalmente mais confortável para a paciente. Quando comecei, em 1991, praticamente todas as mulheres passavam por mastectomia total. Hoje, com as técnicas de oncoplástica e a biópsia do linfonodo sentinela, conseguimos preservar mais”, explicou.
Rossana também destacou o papel essencial do apoio psicológico durante o tratamento. “O acompanhamento psicológico é fundamental. O diagnóstico e o tratamento do câncer de mama são uma jornada difícil, com quimioterapia, radioterapia e cirurgias que exigem força e acolhimento. Mesmo pacientes que acham que não precisam, se beneficiam muito desse apoio, porque ele ajuda a enfrentar o medo e a reconstruir a autoestima”, enfatizou.

Diretor técnico do Hospital de Câncer Araújo Jorge, o médico Carlos Henrique Ribeiro do Prado reforçou a importância do envolvimento da família no enfrentamento do câncer de mama e destacou os avanços no tratamento. “O câncer de mama não é só da mulher, é do marido, dos filhos, dos pais, dos irmãos, de toda a família. Deve ser encarado como um problema coletivo, que exige carinho, amor e dedicação de todos em prol de um objetivo comum”. Ele ressaltou que é possível vivenciar momentos de felicidade e qualidade de vida mesmo diante da doença: “Mesmo em progressão, existem momentos bons, de alívio de sintomas. Tenho pacientes com metástase de câncer de mama desde 1994, vivos e sem doenças de antiguidade. O diagnóstico não é Sentença de morte”.
Já a supervisora do setor de Tratamento de Ferida do Hospital de Câncer Araújo Jorge, enfermeira Rosângela Maria Pereira, trouxe a perspectiva da enfermagem oncológica, mostrando como o cuidado humano e emocional impacta diretamente na recuperação do paciente. “É desafiador lidar com pacientes em estágio avançado, mas há um lado muito positivo: quando percebemos respostas positivas ao tratamento, criamos laços de empatia e amizade com o paciente e a família. É fundamental cuidar também da nossa saúde emocional, porque, se não, nós também adoecemos. Ao longo de 23 anos em oncologia, aprendi a separar os casos da minha vida pessoal, mas nunca deixar de oferecer escuta ativa e atenção”.
Ela ainda ressaltou o papel da enfermagem na integralidade do cuidado. “Nós lidamos diretamente com pacientes que chegam em estágios avançados, muitas vezes pelo SUS [Sistema Único de Saúde], enfrentando medo, dor e incerteza. Nosso trabalho é acolher, orientar e conduzir toda a jornada terapêutica, garantindo que o paciente seja tratado com dignidade, respeito e sensibilidade”, acrescentou.
Também do Hospital de Câncer Araújo Jorge, a nutricionista Neusa Dias, que é supervisora de Nutrição Clínica da unidade, destacou a importância da alimentação no cuidado preventivo e no tratamento oncológico. “A alimentação é um divisor de águas, principalmente no tratamento oncológico. Preparar o corpo para receber a quimioterapia, cuidar do peso, escolher alimentos naturais e ricos em fibras, reduzir industrializados e açúcares, tudo isso ajuda na prevenção e também no pós-tratamento. A alimentação é autocuidado. Ela não precisa ser complicada: precisa ser natural, colorida e consciente. Não existe alimento isolado que previna o câncer, mas o conjunto de hábitos saudáveis faz toda a diferença”, explicou.
Ela enfatizou ainda a relevância do cuidado no acompanhamento pós-quimioterapia. “Pacientes com baixa massa muscular têm maior risco de toxicidade. Por isso, manter uma alimentação equilibrada é essencial para fortalecer a imunidade e auxiliar na recuperação do tratamento. Nutrientes de verdade, vindos do alimento, não podem ser substituídos apenas por suplementos”.
Trajetória de superação
Atualmente lotada na Divisão Interprofissional Forense da Corregedoria-Geral da Justiça, a servidora do TJGO, psicóloga Tatiana Ribeiro – que é ex-paciente oncológica -, foi convidada a compartilhar sua experiência pessoal de tratamento contra o câncer de mama, ressaltando a importância do autocuidado, do diagnóstico precoce e do apoio familiar, social e profissional. Ela informou que em 2023, ao perceber um nódulo na mama, percebeu que algo não estava certo. Inicialmente, Tatiana contou que pensou se tratar de um fibroadenoma, mas ao perceber o crescimento, procurou uma mastologista. “Recebi o diagnóstico positivo, precisaria iniciar quimioterapia antes da cirurgia e ainda investigar a mutação genética”, relatou.
Tatiana destacou como a rede de apoio foi essencial para enfrentar o momento mais difícil de sua vida. “Foi Deus. a família, os colegas do tribunal, amigos. Recebi cuidado, amor e atenção. Tive dias de queda emocional, e saber que havia alguém me amparando fez toda a diferença. Esse amor, esse cuidado, fortalece e lança fora todo medo”, afirmou.
Ela também ressaltou o impacto do câncer na percepção sobre a vida, a maternidade e a importância de valorizar os relacionamentos. “Enquanto temos um diagnóstico de câncer, refletimos sobre o que realmente importa. O que fica são os relacionamentos e o cuidado com as pessoas ao nosso redor. Aprendi a viver intensamente cada momento, a valorizar meus filhos e os vínculos que construímos”, completou.
Tatiana concluiu com a mensagem de esperança e resiliência que marcou sua trajetória. “Após a cirurgia e a quimioterapia, a resposta foi 100% positiva, e continuo em remissão. O autocuidado, a alimentação, o exercício físico e o acompanhamento médico contínuo são fundamentais. E nunca esquecerei a frase que me guiou: ‘o verdadeiro amor lança fora todo medo’. Quando sentimos esse amor, seja de Deus ou das pessoas à nossa volta, conseguimos enfrentar qualquer desafio”, finalizou.
Encerramento
Representando a Diretoria de Gestão de Pessoas (DGP), a diretora da DAAF, Patrícia Guimarães (foto abaixo), reforçou a importância do autocuidado e da prevenção, destacando a sensibilidade do evento. “Todos saíram de seus trabalhos e depositaram muito amor em cada um de nós aqui. Agradecemos imensamente a participação de todos, seja presencial ou on-line, para que esta tarde continue ressoando e que as informações prestadas de forma sensível possam tocar a cada um de vocês. Entender que cuidar de si é um ato de amor e coragem é essencial”, afirmou.
Ela destacou ainda que o autocuidado deve ser contínuo e que o diagnóstico, quando ocorre, não é uma Sentença. “O verdadeiro amor lança fora todo medo, como disse a Tatiana. Esse diagnóstico pode ser um caminho, e a forma como lidamos com ele influencia os resultados. O que importa é nosso estado de espírito, nossas emoções. Precisamos viver com coragem, nos amar e amar os outros, perpetuando esse ato de amor e de coragem”.

O encontro dialogal teve ainda as presenças da juíza auxiliar da Presidência do TJGO, Lidia de Assis e Souza, e do coordenador Comercial e Institucional do CDIG, Andrei Mesquita.
Saiba mais sobre o câncer de mama
O câncer de mama é o tipo mais comum entre as mulheres no Brasil e no mundo, depois do de pele não melanoma. A doença é causada pela multiplicação desordenada de células anormais da mama, que formam um tumor com potencial de invadir outros órgãos.
O diagnóstico precoce é fundamental para aumentar as chances de cura. Por isso, o Ministério da Saúde recomenda que mulheres realizem o autoexame das mamas e mantenham em dia a mamografia, especialmente entre 50 e 69 anos, conforme orientação médica.
Entre os principais sinais de alerta estão caroços nas mamas ou axilas, alterações no formato ou tamanho das mamas, secreções anormais e retrações na pele ou no mamilo. A adoção de hábitos saudáveis, como manter alimentação equilibrada, praticar atividade física e evitar o consumo de álcool e tabaco, também contribui para a prevenção.
(Texto: Fernando Dantas / Fotos: Wagner Soares – Centro de Comunicação Social/TJGO)