
Cerca de 700 pessoas participaram efetivamente da 3ª edição da Semana de Arte e Sabedoria Jurídica Negras – Sawabona, realizada entre os dias 10 e 14 de novembro pelo Tribunal de Justiça do Estado de Goiás, por meio da Coordenadoria de Igualdade Racial, e com apoio da Escola Judicial de Goiás (EJUG). Durante o evento, palestras com especialistas de referência nacional na temática racial, oficinas e formações sobre letramento racial a diversos públicos, e apresentações culturais étnico-raciais foram realizadas. O objetivo foi trazer a cultura de enfrentamento ao racismo institucional e fortalecer as práticas antirracistas no Judiciário goiano. A agenda seguiu as diretrizes do Pacto Nacional do Judiciário pela Equidade Racial, do Conselho Nacional de Justiça (CNJ).
A construção de toda a programação da 3ª edição da Sawabona se concentrou nos esforços de alcançar o maior número de pessoas para serem multiplicadores desse movimento da luta antirracista. “Foram cinco dias nos quais respiramos a temática racial no Poder Judiciário goiano e, assim, ressignificamos nossa forma de ver e compreender a luta antirracista, e sermos multiplicadores todos os dias, 24 horas, em todos os espaços possíveis, em potencial no nosso Judiciário. As ações realizadas nesse evento foram apenas sementes de um novo tempo, para que possamos nos lembrar do respeito, da valorização e do ser importante”, disse a juíza Adriana dos Santos Queiróz (foto abaixo), responsável pela Coordenadoria de Igualdade Racial.

“Tivemos um crescimento de ações e também de público que têm superado as expectativas em cada evento. Somos uma equipe, e precisamos saudar os esforços de cada um que nos permitiu construir uma programação robusta para enraizar essa luta antirracista. Este ano, pela primeira vez, tivemos ações em dois fóruns fora da capital, o de Anápolis e o de Aparecida de Goiânia. Para nós, é um movimento exitoso, crescente e com perspectivas de ampliar cada vez mais o projeto”, disse a magistrada.
Artesanato e literatura

Concluindo a programação, nesta sexta-feira (14), a psicopedagoga Renata Barreto levou a oficina “Construindo um Judiciário Antirracista” para Aparecida de Goiânia e Anápolis. Na ocasião, foram disponibilizados materiais de artesanato, tecidos africanos, literatura e imagens de personalidades negras, para que os participantes organizassem o espaço com o objetivo de colaborar com a percepção da potência do povo negro e ampliar ainda mais as práticas antirracistas no Judiciário goiano.

“O intuito das oficinas nos fóruns de Aparecida de Goiânia e Anápolis foi provocar reflexões a respeito da história da constituição da sociedade brasileira, a partir da escravização do povo negro, buscar reconhecer os impactos negativos desse processo, como a perpetuação do racismo, ainda tão presente nos dias atuais, inclusive nas instituições. Durante as oficinas, percebemos que os grupos estavam atentos e participativos, demonstrando interesse na atividade, que procurou oportunizar meios para que a postura antirracista no Judiciário seja uma constante”, disse a facilitadora Renata Barreto (foto acima).