
Ao apresentar, por meio da arte e da fotografia documental, o cotidiano, as tradições e a identidade das comunidades quilombolas Kalungas - reconhecidas por sua resistência secular, preservação cultural e profunda relação com o território da Chapada dos Veadeiros, o presidente da Comissão de Memória e Cultura do Tribunal de Justiça do Estado de Goiás (TJGO), desembargador Itaney Francisco Campos, representando o presidente do TJGO, desembargador Leandro Crispim, inaugurou, na tarde desta segunda-feira (17), a exposição 'A Sobrevivência das Raízes'.
Instalada na sede do Tribunal e aberta ao público até 17 de dezembro, a mostra chega em um momento simbólico, às vésperas do Dia da Consciência Negra, celebrado em 20 de novembro, reforçando o compromisso do Judiciário goiano com o respeito à diversidade e a valorização de comunidades tradicionais.
A exposição reúne fotografias produzidas pelas servidoras e fotógrafas Luciene Camargo, que é esposa do presidente do TJGO, e Izabel Cristina Santana e Corrêa, captadas durante expedições do projeto Raízes Kalungas – Justiça e Cidadania. A iniciativa, realizada em Cavalcante, região Norte de Goiás, percorreu escolas, residências e centros comunitários, registrando rotinas de trabalho, expressões culturais, rituais religiosos, paisagens naturais e interações sociais, evidenciando a força e a permanência das raízes Kalungas em um território com mais de 300 anos de história.
Cerimônia
A abertura ocorreu na Pinacoteca desembargador Camargo Neto, no térreo do TJGO, no Setor Oeste, em Goiânia, e contou com a presença de magistradas, magistrados, servidoras, servidores, representantes de diversos setores do Tribunal e convidados externos. O evento integra a programação cultural permanente da Assessoria Cultural do TJGO, voltada à preservação da memória institucional, ao incentivo à produção cultural e à ocupação dos espaços artísticos do Poder Judiciário.
Ao iniciar a solenidade, o desembargador Itaney Campos destacou que o projeto Raízes Kalungas amplia o alcance social do Judiciário, auxiliando comunidades distantes dos centros urbanos e promovendo reconhecimento institucional a grupos historicamente invisibilizados. “Reconhecer as raízes Kalungas é reconhecer a força de um povo que construiu sua história a partir da resistência, da coletividade e do respeito à terra”, afirmou.

O corregedor-geral da Justiça, desembargador Marcus da Costa Ferreira, expressou sua satisfação pela realização do projeto, iniciado na gestão anterior e impulsionado pelo presidente Leandro Crispim. Ele lembrou o histórico abandono das comunidades quilombolas, muitas vezes invisíveis ao Estado e sem acesso a direitos básicos, como o registro civil. “O projeto trouxe resgate histórico e melhorias significativas, promovendo dignidade e cidadania. As fotografias capturam a poesia do cotidiano, registrando rostos, histórias, sofrimentos e sorrisos”, complementou.

O desembargador Anderson Máximo de Holanda, corregedor do Foro Extrajudicial, parabenizou as fotógrafas e destacou a colaboração do projeto com o Serviço de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae), voltada à capacitação dos moradores. “O trabalho artístico e sensível de Luciene Camargo e Izabel Santana reforça a importância de registrar e preservar a memória das ações do Tribunal de Justiça para futuras gerações”, pontuou.

Experiência das fotógrafas
Durante a cerimônia, as autoras das fotografias compartilharam relatos emocionados sobre a imersão nas comunidades. Luciene Camargo ressaltou que o projeto transcendeu um simples registro documental. “Cada foto traduz a dignidade, a ancestralidade e o profundo sentido de pertencimento à terra. Aprendemos a cada visita sobre os vínculos comunitários e a importância de manter vivas tradições que atravessam gerações.”

Izabel Cristina Santana destacou que a experiência foi transformadora, ampliando a compreensão sobre o papel social da comunicação. “Mais do que imagens, vivemos histórias que precisam ser preservadas. As fotografias são um convite ao respeito e ao reconhecimento das comunidades quilombolas.”

O assessor cultural do TJGO, Gabriel Nascente, ao encerrar a cerimônia, ressaltou a fotografia como uma forma poética de capturar a luz e a passagem do tempo, transmitindo humanidade e memória, lembrando como a tecnologia transformou a prática fotográfica desde o jornalismo manual.

Sobre a exposição
'A Sobrevivência das Raízes' convida o público a refletir sobre ancestralidade, comunidade, luta e preservação cultural. As fotografias retratam desde o trabalho no campo e celebrações religiosas até a organização familiar e a relação profunda com a terra e a natureza. Segundo informações da Assessoria Cultural do TJGO, a mostra busca evidenciar a importância histórica, cultural e social dos quilombolas, destacando sua contribuição à identidade brasileira e a necessidade de proteger seus direitos e territórios.
Território Kalunga
O projeto Raízes Kalungas – Justiça e Cidadania atuou no maior quilombo do Brasil, também um dos maiores da América Latina, levando serviços jurídicos, orientações, documentação básica e ações educativas às famílias que vivem em áreas remotas, reforçando o princípio constitucional do acesso à Justiça.
Presenças
Participaram da abertura: o desembargador Alexandre Bizzotto; a diretora do Fórum da comarca de Goiânia, juíza Patricia Bretas; o juiz auxiliar da Corregedoria-Geral da Justiça, Marcus Vinicius Alves de Oliveira; a juíza substituta em segundo grau, Iara Márcia Franzoni de Lima Costa; a musicista e cantora lírica Goiana Vieira da Anunciação; e a presidente da Academia Feminina de Letras e Artes de Goiás (Aflag), Andréa Luísa Teixeira.
Confira mais imagens da abertura da exposição
(Texto: Acaray Martins - fotos: Wagner Soares - Centro de Comunicação Social do TJGO)