
A Escola Judicial e a Corregedoria-Geral da Justiça promoveram, na manhã desta quarta-feira (4), no auditório da Ejug, a palestra “Direito a uma família: caminhos práticos para garantia da adoção nacional ou internacional”, com o juiz Marcus Vinícius Pereira Júnior (TJRN), que atua na área da infância e juventude. Compuseram a mesa de autoridades, junto ao palestrante, o corregedor-geral da Justiça, desembargador Marcus da Costa Ferreira, e a primeira juíza auxiliar da Corregedoria-Geral da Justiça, Vanessa Estrela Gertrudes.
Ao abrir o evento, o corregedor destacou a relevância da discussão do tema, já que “vivemos em um país com inúmeras crianças sem um lar, e precisamos aprofundar o debate e melhorarmos as condições para que ocorram as adoções no Brasil”, disse o desembargador, que compartilhou com os participantes ser pai adotivo de duas filhas. “Eu uso esse termo ‘pai adotivo’ neste momento em que eu falo do que aconteceu há mais de 30 anos aqui nesta palestra porque o tema é adoção, porque na verdade são minhas filhas que já nasceram minhas. Não eram da barriga da minha esposa, mas estavam prontas para serem minhas e são minhas. E hoje uma delas já é mãe do meu netinho. E digo para os meus amigos que, todo amor que eu tenha podido dar na minha vida não foi pouco: eu as amo demais, e eu recebi multiplicado por mil. Qualquer um de nós que queira um dia ser pai ou mãe e escolher a adoção, eu digo que o amor é precisamente o mesmo”, contou, em depoimento emotivo aplaudido pelos presentes.
A juíza Vanessa Estrela observou que magistrados e servidores que atuam no processo de adoção devem se dedicar não tão somente às questões legais e técnicas exigidas, “mas se empenhar também com amor, porque são vidas de crianças e de adolescentes”. “Precisamos estudar mais, nos empenhar mais e nos aprimorar mais, para que os processos se tornem mais céleres e mais crianças e adolescentes sejam adotados”, frisou.
Ao iniciar a palestra, o Juiz Marcus Vinícius demonstrou números relativos à adoção no Brasil para fazer, em seguida, a reflexão: “Então, se eu tenho aproximadamente entre cinco e sete mil crianças para adoção, e tenho 38 mil pessoas interessadas na adoção, como essa conta está destoante? É que essas pessoas estão interessadas em adotar em sua maioria crianças com até dois anos de idade, e meninas. Então, nunca essa conta vai fechar. E aí o grande trabalho do Judiciário é promover a abertura dessas portas”, observou.

O Magistrado ressaltou que o Poder Judiciário não busca tão somente o encaminhamento das crianças e adolescentes para a adoção, mas, antes disso, assegurar que elas tenham direito a uma família. “Porque por melhor que seja o acolhimento, a criança só vai conseguir estabelecer vínculos afetivos fortalecidos em uma família. Temos em um primeiro momento a obrigação de fortalecer a família natural. Caso não seja possível, buscamos fortalecer a família extensa. Somente depois vem a adoção”, explicou.

O Juiz também abordou a questão da devolução de crianças adotadas e as possíveis consequências; e como o Judiciário tem trabalhado diante disso, e sobre as adoções internacionais, alertando para a necessidade de “nos despirmos de preconceito e buscarmos mais conhecimento acerca do tema”. A palestra pode ser acessada na íntegra pelo link: https://www.youtube.com/watch?v=4eo5IC2RrQM. Veja galeria de fotos