
A Escola Judicial (Ejug) promoveu, nesta segunda-feira (18), palestra com o professor doutor Einstein Almeida Ferreira Paniago sobre “Orçamento Público enquanto desdobramento do planejamento e comunicação estratégica aos Stakeholders". A discussão, aberta ao público, abriu o segundo semestre letivo dos cursos de mestrado em Engenharia de Produção e Administração Pública, parceria da Ejug com a Universidade Federal de Goiás (UFG).
Diretora da Divisão de Pós-graduação da Ejug, Elka Cândida De Oliveira Machado afirmou que, como pontua o diretor da escola, desembargador Jeronymo Pedro Villas Boas, “a intenção é promover a capacitação contínua de magistrados e de servidores com vistas à formação de um corpo docente próprio, capaz de sustentar a missão pedagógica da escola e consolidar sua autonomia acadêmica”. “Portanto, a relevância desses cursos transcende a dimensão individual de qualificação profissional. Ela impacta diretamente a qualidade do trabalho desenvolvido no âmbito do Tribunal de Justiça, ao possibilitar a aplicação do conhecimento científico na solução de problemas concretos da gestão judiciária e na formulação de práticas inovadoras”, observou.
Presidente da Fundação de Apoio à Pesquisa (Funape UFG) e reitora eleita, a professora Sandramara Matias Chaves desejou aos alunos excelente trajetória e que possam, ao finalizar o mestrado, cursar o doutorado, “porque é disso que o nosso país precisa, cada vez mais investimento em educação. É muito importante espaços como o Tribunal de Justiça, como a Escola Judicial promoverem a formação, promoverem a qualificação de suas equipes”, declarou.
O professor Einstein Paniago abordou o orçamento público como um desdobramento direto do planejamento estratégico das instituições. Explicou que, desde os clássicos da economia até as teorias mais recentes da administração pública e da ciência política, o orçamento deve ser entendido não apenas como um instrumento técnico, mas também como um processo político, jurídico e simbólico, capaz de gerar valor público e consolidar a legitimidade democrática.

Ele pontuou que o orçamento precisa ser articulado com uma comunicação estratégica eficaz, de modo a aproximar a linguagem técnica da cidadania. O professor exemplificou que organismos internacionais, como Organização para a Cooperação e o Desenvolvimento Econômico (OCDE), recomendam o uso de narrativas visuais e painéis interativos para garantir transparência, enquanto pesquisas acadêmicas, como as de Macnamara, Liu e Horsley, demonstram que a comunicação participativa fortalece a confiança social. Observou que o orçamento deve ser tratado como plataforma de diálogo entre o estado e seus diferentes públicos de interesse.
Ao ilustrar a dimensão prática desse tema, Paniago destacou experiências internacionais, como os investimentos coletivos da União Europeia na recuperação pós-pandemia e as iniciativas do governo canadense voltadas à reconciliação com povos indígenas. O professor explicou que esses casos evidenciam como o orçamento, quando articulado ao planejamento e à comunicação pública, pode produzir legitimidade democrática, ampliar a participação social e fortalecer a governança fiscal.
Participaram, também, o coordenador do Programa de Pós-Graduação do Mestrado Profissional de Engenharia de Produção, professor doutor Júlio Cesar Valandro Soares; e a vice-coordenadora do Programa do Mestrado Profissional em Administração Pública, Professora doutora Maria Carolina Carvalho Mota.