
Na Semana da Mediação e Conciliação do Tribunal de Justiça do Estado de Goiás (TJGO), realizada de 22 a 26 de setembro, a oficina desta quinta-feira (25) destacou o tema “Mediação e Conciliação em tempos de Transformação Digital. Capacitação e Formação Contínua”, ministrado pelo desembargador Aureliano Albuquerque Amorim, com a participação da instrutora de mediação judicial, Lilia Fernandes dos Reis. A realização do evento é da Escola Judicial (Ejug), em parceria com o Núcleo Permanente de Métodos Consensuais de Solução de Conflitos (Nupemec). A programação ocorreu no auditório da Ejug, com a transmissão ao vivo pelo canal da Escola no Youtube.
Na ocasião, os palestrantes contribuíram com referências sobre o uso da Inteligência Artificial (IA) como ferramenta colaborativa nas práticas conciliatórias e diálogos do Poder Judiciário. Como que a Inteligência Artificial hoje pode também ser utilizada nas audiências de conciliação e mediação? Assim, o desembargador Aureliano Albuquerque Amorim, também coordenador do Cejusc 2º grau (Centro Judiciário de Soluções de Conflitos), reforçou em seu discurso o quanto a IA tem dominado vários espaços, em especial no Poder Judiciário.
“IA vem para colaborar na análise humana”
“A inteligência artificial já é uma ferramenta com uso em praticamente todas as áreas de conhecimento humano, inclusive nos processos judiciais. Utilizá-la como suporte no trabalho da conciliação traz mais agilidade e qualidade nas mediações judiciais. Vale ressaltar que a IA vem para colaborar na análise humana, que ela sim, é uma máquina excepcional”, frisou o desembargador.
“A ideia aqui é passar expertises, com aspectos práticos e técnicos, para entender como funciona, e frisar que a máquina/tecnologia está a favor da mediação e conciliação, mas que precisamos entender e saber usar corretamente para que ela possa ajudar e ter condições de fazer um trabalho melhor”, complementou Aureliano Amorim ao destacar a importância da conciliação na busca de interesses em comum entre as partes para trazer mais soluções e disseminando a cultura de paz.
Capacitação e pensar fora da caixa
A Semana da Mediação e Conciliação está em sua primeira edição e a intenção é disseminar práticas da conciliação e mediação. A instrutora de mediação judicial, Lilia Reis, colaborou na programação e frisou a necessidade da capacitação assertiva. “Apesar de termos uma Política Nacional de Tratamento adequado de conflitos, como também diversos Cejuscs, ainda vemos a necessidade de ampliarmos conhecimentos para a população, tanto da conciliação quanto da mediação, seja no primeiro grau, no segundo grau”, falou.

“Esse espaço é para capacitar e fazer com que o público possa pensar 'fora da caixa' para que, através dos prompts - conjunto de regras para fazer perguntas à Inteligência Artificial -, chegarmos em uma resolutividade mais assertiva. Acadêmicos, operadores do Direito e demais perfis estão aqui para essa troca e, juntos, repensar o que já está sendo feito e construir boas práticas para melhorar o uso das ferramentas nas audiências de conciliação”, contou Lilia Reis.
Ao final da oficina, o instrutor da Agaia (Assistente para Geração Automática com Inteligência Artificial) pela Ejug, Emanoel Terra, instruiu os participantes na construção de “prompts”. Na ocasião, o técnico explicou a necessidade de um comando estruturado, claro e objetivo “para colaborar no uso da ferramenta desenvolvida pelo TJGO e dar comandos mais adequados para, de fato, auxiliar aos que estão à frente de audiências de mediação do Judiciário goiano". (Texto: Karineia Cruz/ Fotos: Edmundo Marques- Centro de Comunicação Social do TJGO)