
A programação da Semana da Mediação e Conciliação do Tribunal de Justiça do Estado de Goiás (TJGO) foi concluída, nesta sexta-feira (26), com a realização da palestra “Semeando a Consensualidade”, com a desembargadora Sirlei Martins da Costa e o desembargador Fernando Ribeiro Montefusco. Na ocasião, os palestrantes enfatizaram a interdisciplinaridade no âmbito judicial na mediação e condução de conflitos, bem como o uso adequado da comunicação não violenta para o público de acadêmicos de Direito e Psicologia de instituições de ensino superior de Goiânia. O evento ocorreu no auditório da Escola Judicial (Ejug), com transmissão ao vivo pelo canal da Escola no Youtube. O evento foi realizado pela Ejug, em parceria com o Núcleo Permanente de Métodos Consensuais de Solução de Conflitos (Nupemec) e o Centro Judiciário de Solução de Conflitos e Cidadania (Cejusc 2º Grau).
A desembargadora Sirlei Martins destacou as ferramentas que contribuem para a condução na conciliação. “É importante falar em interdisciplinariedade na mediação de conflitos, quando pensamos em pontos de contato de ciências diversas para contribuir em determinadas situações. A depender de alguns casos, não é possível resolver o problema apenas com uma área do conhecimento. Também é preciso refletir sobre o tema conflito, com possibilidades no enfrentamento não só como solução, mas também como prevenção”, destacou a magistrada.

“Dentro de um contexto, o potencial da comunicação e sua condução precisam ser observados porque pode servir tanto como ponto positivo, como negativo. O diferencial dos profissionais hoje em dia tem sido o desenvolvimento das habilidades no uso da comunicação adequada ou não violenta, nas conexões, na empatia como ferramentas de soluções. Quando a comunicação é mal utilizada, é uma ‘arma’ que desencadeia em conflitos. Então, é perceber realmente ferramentas que possam trazer esse diferencial em qualquer atividade profissional. Isso é fundamental”, compartilhou a desembargadora.
Poder Judiciário envolvido com uma porta diferente da Sentença judicial
O desembargador Fernando Montefusco trouxe a importância de enfatizar os métodos autocompositivos na solução de conflitos, que trata da negociação feita entre as partes. “A Semana Nacional de Conciliação é uma demonstração de que o Poder Judiciário de Goiás esteja em envolvimento com uma porta diferente da sentença judicial. Por isso, estamos falando de solução do conflito, entendendo ser um trabalho de conscientização. É uma iniciativa permanente para enfatizar métodos que visam a solução de conflitos de uma maneira singular”, observou.

Fernando Montefusco elencou também as implementações de ferramentas de conciliação no Judiciário goiano. “O Poder Judiciário foi precursor e se encontra engajado nesse compromisso ao lançar o movimento Nacional pela Conciliação, em 2006 e, desde então, nunca mais deixou de atuar nessa área. A figura do mediador e do conciliador figuram como facilitadores para realmente resgatar o diálogo entre as partes, para que, juntas, consigam por si só resolver o conflito”, falou o Magistrado, pontuando o trabalho do Nupemec e Cejusc no Judiciário goiano.
Concluindo os trabalhos, a instrutora de mediação judicial Ieda Machado Perna complementou ao falar das legislações, histórico da mediação e co-parentalidade. “Neste evento, a ideia foi ter passado vivências e experiências. É notório que resolver questões pela via consensual é sempre mais eficaz do que se espera em um resultado de uma Sentença. Então, as contribuições foram para tratar das vantagens que a consensualidade traz, a interdisciplinaridade que tem a mediação com outras ciências, para que a possamos satisfazer os interesses dos que procuram o Poder Judiciário”.

Para a participante Nayara Lorrane Pereira dos Santos, acadêmica do 8ºperíodo de Direito, essas instruções trazem um diferencial na condução das situações. “Sou mãe, esposa e pretendo trabalhar na área de Família. Já venho estudando comunicação não violenta e reconheço que é uma ferramenta que pode ser transformadora. O entendimento aqui é de que possamos melhorar a condução e minimizar conflitos. Aprendi que a forma com que eu me expresso, a forma com que eu falo, interfere muito no que o outro vai entender. Isso faz toda diferença na vida pessoal e profissional”, revelou. (Texto: Karineia Cruz/ Fotos: Edmundo Marques e Myreille Caetano - Centro de Comunicação Social do TJGO)