
A Escola judicial (Ejug) iniciou, nesta sexta-feira (19), as atividades do Laboratório Interinstitucional de Inteligência Artificial (o LI²A-Ejug), localizado no terceiro andar do Complexo dos Juizados Especiais, em Goiânia. O primeiro laboratório de IA do Tribunal de Justiça do Estado de Goiás (TJGO), criado e coordenado pela Ejug, opera em cooperação com a Universidade Federal de Goiás (UFG), Universidade de São Paulo (USP) e a Universidade de Brasília (UnB).

O laboratório passa a funcionar como um espaço permanente de pesquisa aplicada em inteligência artificial, com o objetivo de desenvolver ferramentas que identifiquem situações de vulnerabilidade social, discriminação e violações de direito, e assim auxilie na formulação de políticas públicas; e no apoio a magistrados na otimização do tempo de anáise dos processos.

“Essa aproximação entre o Judiciário e a academia permite que problemas concretos da jurisdição sejam investigados com rigor metodológico, ao mesmo tempo em que possibilita que os avanços científicos encontrem aplicações práticas na melhoria da prestação jurisdicional. Acredito que seja desse diálogo permanente entre experiência e ciência que surgem as respostas mais qualificadas para os desafios impostos pela transformação digital, pela inteligência artificial e pelas novas demandas da sociedade contemporânea”, afirmou o diretor da Ejug, desembargador Jeronymo Pedro Villas Boas, ao declarar abertas as atividades do laboratório.
Coordenador do Centro de Excelência em IA (Ceia) da UFG, o professor doutor Iwens Sene ressaltou que o centro de excelência contribuirá como um núcleo de pesquisa, desenvolvimento e inovação dentro do laboratório. Destacou que o laboratório poderá desenvolver atividades voltadas à pesquisa e aplicação de inteligência artificial em diferentes áreas do Judiciário, incluindo apoio à tomada de decisão, uso de linguagem simples, assistência virtual ao cidadão, identificação de situações de vulnerabilidade social, monitoramento de direitos humanos, judicialização da saúde, proteção de grupos vulneráveis e análise inteligente de dados judiciais.
Segundo ele, a iniciativa também contribuirá para a formação de magistrados e servidores em tecnologias emergentes, além de estimular estudos relacionados à IA responsável, ética e transparência algorítmica, com potencial para gerar soluções de impacto social e fortalecer o papel do Judiciário como agente de cidadania, inclusão e inovação.

A criação e coordenação do laboratório estão alinhadas às diretrizes nacionais do Conselho Nacional de Justiça, especialmente à Resolução CNJ nº 615/2025, que trata do desenvolvimento, uso e governança de soluções de IA no Poder Judiciário, bem como à Lei Geral de Proteção de Dados Pessoais (LGPD). (Texto: Loren Milhomem-Fotos: Airton Moura/Escola Judicial).