
O Tribunal de Justiça do Estado de Goiás (TJGO), por meio da Unidade de Gestão Documental (UGD), lançou o vídeo institucional que apresenta o trabalho arquivístico desenvolvido no acervo histórico da Comarca de Cavalcante, relacionado à comunidade quilombola Kalunga. A produção integra as ações do projeto “Da Escravidão à Liberdade”, iniciativa que organiza, preserva e difunde documentos judiciais e administrativos que registram a trajetória do povo Kalunga, vivida no maior território quilombola do Brasil.
O vídeo, disponível no canal do YouTube do TJGO, revela bastidores do processo de identificação, higienização, descrição e acondicionamento dos documentos, alguns com mais de um século de existência. As imagens mostram desde as condições em que o Acervo foi encontrado até sua reorganização técnica, destacando o trabalho minucioso realizado pela equipe da UGD para garantir a preservação e o acesso público aos registros. A produção técnica do vídeo foi do Centro de Comunicação Social do TJGO (CCS/TJGO).

A iniciativa está alinhada às diretrizes da Resolução CNJ nº 324/2020 e da Resolução TJGO nº 160/2021, que instituem políticas de preservação da memória e do patrimônio documental no Judiciário.
Para o presidente do TJGO, desembargador Leandro Crispim, o trabalho representa um marco institucional. “Nossa atuação reflete a consciência de que a memória de um povo também está em seus documentos e preservá-los é garantir direitos e dar visibilidade a histórias silenciadas”, afirma.
Ação arquivística
Além do material audiovisual, o trabalho da UGD resultou na disponibilização desses documentos e das descrições arquivísticas, no AtoM, que permite o acesso organizado às informações por pesquisadores, estudantes, membros da comunidade e pelo público em geral.

Segundo a responsável pela Unidade de Gestão Documental, Heloisa Esser, “as ações arquivísticas em uma instituição são muito amplas, pois tratam de documentos dos séculos passados, assim como documentos do presente, vivendo as transformações tecnológicas e projetando novas tecnologias para garantir a gestão, a preservação e o acesso aos documentos e informações para as gerações futuras”.
Raízes Kalungas
O Projeto Raízes Kalungas, que tem promovido, desde 2024, uma série de medidas voltadas à cidadania, ao acesso à Justiça e à reparação histórica da comunidade. Para a servidora quilombola Josineste da Silva Dias dos Santos, o trabalho arquivístico tem profundo significado: “Saber que a nossa história está sendo guardada pelo Tribunal nos dá orgulho. É uma reparação histórica e um reconhecimento da nossa trajetória”. (Centro de Comunicação Social do TJGO)