
O presidente do Tribunal de Justiça do Estado de Goiás (TJGO), desembargador Leandro Crispim, participou nesta segunda-feira (9) da solenidade de abertura da 32ª Semana Nacional da Justiça pela Paz em Casa. Com uma extensa programação, que vai até 13 de março e envolve palestras, webinários até mutirões de audiências, a iniciativa visa mobilizar representantes do Judiciário e da sociedade civil para fortalecer o enfrentamento à violência doméstica e familiar contra a mulher.

Durante a abertura do evento, a ouvidora-geral do TJGO, desembargadora Sandra Regina Teodoro Reis, leu a Carta de Compromisso do TJGO pela Vida das Mulheres. Também foi realizado o lançamento do Selo Lilás de Proteção à Mulher – Cidade sem Feminicídio, que busca estimular e dar visibilidade às boas práticas adotadas por municípios goianos na prevenção da violência doméstica e familiar e no fortalecimento da rede de proteção às mulheres. O evento ocorreu no Auditório desembargador José Lenar de Melo Bandeira, em Goiânia, com organização da Coordenadoria Estadual da Mulher em Situação de Violência Doméstica e Familiar do TJGO.

Compuseram a mesa de autoridades o corregedor-geral da Justiça de Goiás, desembargador Marcus da Costa Ferreira; o corregedor do Foro Extrajudicial, desembargador Anderson Máximo de Holanda; a ouvidora-geral, desembargadora Sandra Regina Teodoro Reis; a coordenadora Estadual da Mulher em Situação de Violência Doméstica e Familiar do TJGO, desembargadora Alice Teles de Oliveira; a ouvidora substituta da Mulher, juíza auxiliar da Presidência Lidia de Assis e Souza; a defensora pública em Defesa da Mulher, Ludmila Fernandes Mendonça; o prefeito de Goiânia, Sandro Mabel; a superintendente da Mulher, Evelin Geordana Rodrigues, representando o governador Ronaldo Caiado; e a tenente-coronel Dyrlene Seixas Santana, do Batalhão Maria da Penha da Polícia Militar do Estado de Goiás.

Atuação permanente
O presidente Leandro Crispim enfatizou que os crimes contra a mulher continuam sendo um desafio grave para toda a sociedade e destacou a atuação permanente do Poder Judiciário no enfrentamento à violência de gênero. “A abertura desta edição da Semana da Justiça pela Paz em Casa ocorre logo após o Dia Internacional da Mulher. A data recorda conquistas históricas das mulheres e, ao mesmo tempo, convida à reflexão sobre a realidade vivida por milhares de brasileiras: a violência praticada dentro das relações domésticas e familiares. O Tribunal de Justiça do Estado de Goiás dedica atenção permanente a essa agenda”, afirmou, ao apresentar dados relacionados ao número de medidas protetivas concedidas e aos julgamentos de casos de feminicídio.
“Os números citados demonstram a intensidade e o comprometimento da atuação institucional do Judiciário no enfrentamento a esses crimes. Ao mesmo tempo, revelam a dimensão de um problema que exige vigilância constante e a mobilização de toda a sociedade. O ano de 2025 registrou o maior número de feminicídios desde a criação dessa tipificação penal, com mais de 1.500 mulheres assassinadas em razão da violência de gênero, na maioria das vezes no ambiente doméstico. Nenhum homem possui autoridade sobre a vida de uma mulher. Nenhuma relação autoriza controle, intimidação ou violência”, completou o chefe do Poder Judiciário goiano.

A desembargadora Alice Teles pontuou que a Semana da Justiça pela Paz em Casa — a primeira de três edições realizadas ao longo de 2026 — tem como objetivo dar celeridade aos processos. Para isso, mobiliza comarcas, magistradas e magistrados, além da Defensoria Pública do Estado de Goiás (DPE-GO) e do Ministério Público do Estado de Goiás (MPGO), em um esforço conjunto para realizar audiências e promover uma programação voltada à conscientização da sociedade.
“Não podemos mais admitir uma mulher com medo de voltar para casa, quando o seu local de repouso deveria ser um espaço seguro”, destacou. Ao finalizar, citou a frase: “Abafaram nossa voz, mas esqueceram que não estamos sós”.

A ouvidora substituta da Mulher, juíza auxiliar da Presidência Lidia de Assis e Souza, ressaltou que a Semana pela Paz em Casa mobiliza o Judiciário goiano em um verdadeiro mutirão de processamento e Julgamento de processos relacionados à violência doméstica contra a mulher. “Trata-se de um esforço institucional que busca dar respostas mais céleres e efetivas a uma realidade que exige do sistema de justiça”, afirmou, acrescentando que a Ouvidoria da Mulher “é, antes de tudo, um espaço de escuta, acolhimento e orientação”.

O prefeito de Goiânia, Sandro Mabel, apresentou ações desenvolvidas no município voltadas ao acolhimento e à proteção das mulheres. “Temos tido um cuidado em todas as frentes que envolvem a mulher. São políticas públicas voltadas para evitar, ao máximo, os crimes de violência de gênero. Precisamos estar aliados às forças de segurança para proteger cada vez mais as mulheres”, reforçou.

Integração de esforços
A tenente-coronel Dyrlene Seixas Santana, do Batalhão Maria da Penha da Polícia Militar do Estado de Goiás, apresentou dados e destacou a importância da atuação integrada entre as instituições.
“Em 2025, 92% das mulheres vítimas de feminicídio não haviam feito denúncia. Ou seja, não possuíam medida protetiva e ainda não tinham conseguido sair do ciclo da violência. Nosso caminho é integrar esforços para chegar até essas mulheres, por meio de ações de conscientização e de estratégias que ajudem a romper esse ciclo”, afirmou, ressaltando a parceria com o Judiciário goiano.

Rede de proteção
Dentro da programação, com o tema “Órfãos do feminicídio: Transformando a dor em força – Você é doida demais”, a psicóloga e palestrante Lili de Grammont apresentou um relato emocionante sobre a cultura machista e os impactos do feminicídio.
“O que a vida vai fazer de mim? Essa é a pergunta de muitas pessoas que passam pela experiência de ser órfãs do feminicídio. Trata-se de uma ferida profunda em nossa realidade social. Existiu uma cultura que normalizou a violência em uma sociedade marcada pelo machismo. É preciso entender que nós, mulheres, não somos culpadas de nada”, afirmou a ativista, ao compartilhar seu relato de orfandade e destacar que “milhares de crianças têm sido fruto de mães mortas e pais presos”.

A 1ª vice-coordenadora da Coordenadoria da Mulher, juíza Simone Pedra Reis, ressaltou que “o Judiciário goiano existe para as pessoas”. Segundo ela, é necessário cuidar das mulheres e transformar a dor em mobilização. “Precisamos fazer esse movimento, do luto à luta. O amor cura, e nós, enquanto Judiciário, podemos ser uma gota nesse processo de cura, contribuindo para evitar que mais mulheres sejam mortas. Precisamos sair daqui como multiplicadores dessa proteção”, destacou.

A gerente de Vigilância às Violências e Acidentes, Ionara Vieira Moura Rabelo, também apresentou dados e análises sobre o feminicídio em Goiânia. “Temos um papel difícil ao receber notificações de crianças espancadas e mulheres que chegam com fraturas após mais um episódio de violência. O objetivo desse levantamento é compreender a realidade para tentar interromper o ciclo da violência, fortalecendo uma rede de proteção e contribuindo para a construção de políticas públicas capazes de evitar que meninas e mulheres sejam mortas”, afirmou.

Demais presenças
Também estiveram presentes os juízes auxiliares da Presidência Gustavo Assis Garcia e Reinaldo Oliveira Dutra; a secretária-geral da Presidência, Dahyenne Mara Martins Lima Alves; as juízas substitutas em segundo grau, Iara Márcia Franzoni e Stefane Fiúza Cançado; a 2ª vice-coordenadora da Coordenadoria da Mulher, juíza Erika Cavalcante; a integrante da Coordenadoria Estadual da Mulher em Situação de Violência Doméstica, juíza Hanna Lídia; o juiz substituto em segundo grau Hamilton Carneiro; o juiz Vitor Umbelino Soares Junior, titular do 1º Juizado de Violência Doméstica e Familiar Contra a Mulher da Comarca de Goiânia; a chefe do Núcleo de Inteligência Institucional, Sabrina Leles; a primeira-dama do TJGO, Luciene Camargo; a esposa do corregedor-geral da Justiça, Neila Machado; e a procuradora do município de Trindade, Néli Cárita Máximo.
Ainda participaram o coordenador da área de Direitos Humanos e do Núcleo de Gênero do Ministério Público, promotor do MPGO André Lobo Alcântara; a comandante da Patrulha Mulher Mais Segura da Guarda Civil Metropolitana de Goiânia, Luiza Sol; a coordenadora do curso da Universo e presidente da Comissão da Advocacia Docente da OAB, Antônia Chaveiro; a presidente do Sindjustiça, Cristiana Abreu; e o presidente do Sindjusgo, Moizes Bento, além de outras autoridades e representantes da sociedade civil.




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Saiba mais sobre a programação da 32ª Semana da Justiça pela Paz em Casa
(Texto: Karineia Cruz / Fotos: Acaray Martins – Diretoria de Comunicação Social do TJGO)