
Em comemoração ao Dia Internacional da Juíza, celebrado em 10 de março, magistradas do Tribunal de Justiça do Estado de Goiás (TJGO) integraram um projeto direcionado a alunas do Ensino Médio de escolas públicas do estado, com o objetivo de informá-las sobre suas carreiras e incentivá-las a considerar a possibilidade de ingresso na magistratura. No período de 16 a 20 de março, 44 juízas do Poder Judiciário goiano realizaram cerca de 70 palestras em instituições de ensino de Goiânia e de 38 cidades do interior. Também foram promovidas visitas aos fóruns.
Durante o projeto, as magistradas também encorajaram as estudantes a, independentemente de suas opções profissionais, se dedicarem e jamais desistirem de suas metas. A iniciativa foi promovida pelo Comitê de Incentivo à Participação Feminina do TJGO, por meio de sua vice-coordenadora, a juíza Renata Facchini Miozzo, titular da Vara de Fazendas Públicas, Registros Públicos e Ambiental de Rio Verde, em parceria com a Secretaria Estadual de Educação de Goiás (Seduc).
Renata Facchini explica que o projeto teve como ponto focal atender a um dos pilares do comitê, que é incentivar a participação feminina no TJGO. “A intenção foi de que nossas magistradas inspirassem as estudantes a, por meio do conhecimento de nossas atribuições e da dedicação aos estudos, seguirem seus sonhos e perceberem que é possível e muito importante ocuparem espaços de poder na sociedade sendo, um deles, o Judiciário”, frisou. Ela salientou que a iniciativa buscou aproximar a magistratura feminina da comunidade, de forma a contribuir para a formação cidadã e o protagonismo feminino em diversas esferas.

“A parceria entre a Secretaria de Estado da Educação e o Tribunal de Justiça de Goiás é um marco na construção de uma escola que vai além dos livros didáticos; é uma escola que conecta o presente ao futuro. Quando levamos magistradas para dentro das nossas unidades, estamos oferecendo às nossas jovens não apenas conhecimento jurídico, mas referências de sucesso e representatividade”, ressaltou a juíza Renata Facchini.
Desmistificação
Para a secretária de Estado da Educação de Goiás, Fátima Gavioli, ver o diálogo direto entre as juízas e as alunas da rede pública de ensino sobre carreira e justiça é emocionante. “Essa iniciativa desmistifica o universo do Direito e mostra que o lugar da mulher é onde ela deseja estar. Ao ampliarmos esses horizontes, fortalecemos a autoconfiança de milhares de meninas em todas as regiões do nosso Estado, incentivando o protagonismo feminino desde a base”, enfatizou.
Fátima reforçou que a educação de Goiás, atualmente, ocupa posição de referência em razão de parcerias como essa, que transformam vidas. “Seguiremos de mãos dadas com instituições que, assim como nós, priorizam a formação de cidadãos conscientes e preparados para construir uma sociedade mais justa, igualitária e repleta de oportunidades", assegurou.
Da escola pública para a magistratura
Na manhã do dia 17 de março, a juíza Aline Freitas da Silva Ponciano compartilhou sua história com cerca de 200 alunas do 8º ano do Ensino Fundamental ao 3º ano do Ensino Médio, do Colégio Estadual em Período Integral Arco-Íris (Cepi Arco-Íris), situado na Chácara do Governador, em Goiânia. “Venho de escola pública e retratar minha história para meninas que também não têm acesso ao ensino particular foi fantástico para mim, na medida em que nos colocamos em uma situação de mostrar a elas que isso não as impede de alcançar um futuro de sucesso”, destacou a magistrada.

Já o diretor do Cepi Arco-Íris, professor Pedro Soares de Oliveira, falou sobre o impacto positivo que a presença de representantes do Poder Judiciário nas escolas provoca. “Esse projeto é fantástico porque informa as meninas sobre detalhes do dia a dia de juízas, contribui para a formação delas e reforça o papel de mulher na sociedade. Depois das palestras, essas jovens de 12 a 17 anos levaram para casa mais conscientização sobre equidade de gênero e protagonismo feminino”, ressaltou.

Surpreendente
A jovem Ana Clara Araújo, 17 anos, cursa o 3º ano do Ensino Médio e disse que foi surpreendente saber que há muitas mulheres no Poder Judiciário. “Na minha imaginação, esse era um espaço quase totalmente dominado por homens. Acho revolucionário esse tipo de projeto, que nos traz informações atualizadas sobre realidades que muitas vezes estão tão distantes de nós que sequer consideramos a possibilidade de um dia fazer parte”, avaliou.
A estudante Luiza Gomes Vieira, 15 anos, está no 1º ano do Ensino Médio e adiantou que não tem interesse em atuar na magistratura, mas admitiu que gostou de conhecer um pouco sobre esse universo. “Poder ouvir uma juíza que se dispõe a vir à escola explicar como funciona o Poder Judiciário é inspirador porque nos mostra que, assim como podemos ocupar um lugar de grande status profissional, como o dela, podemos também em outras áreas”, pontuou.
Jamais desistir
Um das palestras da juíza Mariúccia Benício Soares Miguel, titular da 7ª Vara da Fazenda Pública Estadual de Goiânia, se deu no Colégio Estadual José Alves de Assis, em Aparecida de Goiânia. No encontro, a magistrada também explanou sobre as atribuições de uma juíza e falou às estudantes sobre a importância de ter objetivos na vida, acreditar e perseverar pela realização deles.

A magistrada também relatou um pouco de sua história de vida e dos esforços que fez para iniciar a carreira de juíza, esclareceu sobre como se dá o trabalho das magistradas – com exemplos sobre aplicação de leis nas decisões, por exemplo; e explicou de forma descomplicada como funciona o Poder Judiciário. Na sequência, disse que ser juíza sempre foi seu sonho e provocou as quase 100 jovens presentes, perguntando-lhes o que queriam fazer na vida.
As estudantes apresentaram as mais diversas expectativas profissionais, como as de ser psicóloga, perita criminal, médica veterinária, esteticista, biomédica, gastrônoma e, também, juíza. Mariúccia as incentivou, então, a acreditarem em seu potencial, se organizarem no sentido de dedicar tempo e esforço para alcançarem seus objetivos, não abrirem espaço para companheiros que não apoiem seus projetos e, caso não tenham, adquirirem o hábito de ler. “Ler muda a vida da pessoa. É informação, conhecimento, cultura. E hoje isso tem sido um importante hábito que vem perdendo a guerra contra a internet, as telas, o que é uma pena. Ler é importante para quem quer vencer na vida”, afirmou a juíza.
Força
Ela também apresentou dois vídeos motivacionais sobre sonhos, planejamento e persistência e chamou algumas voluntárias para responderem a um questionário sobre o que haviam compreendido acerca do trabalho das juízas. Ao final, fez um sorteio de brindes entre as participantes, com lembrancinhas femininas como itens de maquiagem, cosméticos, entre outros.


No encerramento, uma das alunas, emocionada, quis falar em nome de todas para agradecer pela presença de Mariúccia Benício no local e, principalmente “pela força” que ela havia dado a elas com suas palavras de incentivo. “São muitos desafios na vida. A gente muitas vezes comete erros, e por sermos jovens, ainda somos muito influenciáveis e chegamos a duvidar de nossos próprios sonhos. Mas o importante, realmente, é seguirmos em frente, não desistirmos nem deixar que ninguém nos impeça de lutar pelo que queremos”, relatou a jovem.
Mais mulheres no poder
Diretora do Foro da Comarca de Mineiros, a juíza Laura Amaro de Marco Fonseca considerou um “grande privilégio” ter podido, ao longo de uma semana, conversar com alunas de cinco escolas públicas da cidade. Ela visitou estudantes do Colégio Professora Alice Pereira Alves, Colégio Coronel Antônio Carlos Paniago, Colégio Coronel Carrijo, Escola Estadual Arquilino Alves de Brito e Colégio Helena Oliveira Paniago.


Segundo ela, as estudantes se emocionaram em vários momentos da palestra. “Insisti muito para que não desistam de sonhar com o que almejam alcançar, principalmente no aspecto profissional. E defendi que precisamos de mais mulheres ocupando posições de poder na sociedade”, destacou, ao dizer, ainda, que falou às alunas que teria grande prazer em recebê-las no Poder Judiciário, como colegas.
Na ocasião, esclareceu às jovens sobre a profissão de uma juíza, suas atribuições, os esforços e etapas necessários para ingressar na carreira e contou detalhes de sua própria trajetória e de outras colegas magistradas. “Foi um momento muito relevante para conscientizá-las de que dificuldades existem na vida de todas as pessoas e que cada um enfrenta um problema específico, mas que nenhum deles é intransponível. Que é sempre possível passar por isso e atingir nossas metas”, pontuou.
Valores e perseverança
Também a juíza Beatriz Scotelaro de Oliveira, diretora do Foro da Comarca de Vianópolis, conversou com 320 alunas de três escolas públicas da cidade. As palestras ocorreram no Colégio Jandira Bretas Quinan e no Plenário do Júri do Fórum local, com estudantes do Colégio Armindo Gomes e Colégio Militar Americano do Brasil.

“Compartilhei com elas minha caminhada profissional, desde a escolha pelo curso de Direito, passando pelas estratégias de estudo adotadas durante a preparação para o vestibular, organização de cronograma, revisão de conteúdos, gestão do tempo e equilíbrio emocional diante da pressão, até as etapas do concurso para ingresso na magistratura, com apresentação de registros fotográficos do meu período de preparação e realização das provas”, listou.
A juíza abordou valores que considera essenciais para o alcance de metas e sonhos, enfatizando a importância de perseverar diante do medo, do desânimo, da procrastinação e dos desafios cotidianos. Também detalhou a profissão da magistratura em seus aspectos práticos, incluindo rotina de trabalho, áreas de atuação, responsabilidades do cargo e o impacto das decisões judiciais.
“Ao final de cada palestra, abri espaço para perguntas e fiquei positivamente surpreendida com a qualidade da participação das estudantes, que questionaram, entre outros temas, as diferenças entre as funções do juiz e do Ministério Público e a possibilidade de o magistrado discordar do veredicto do Conselho de Sentença no Tribunal do Júri”, afirmou. As jovens também tiveram a oportunidade de se fotografar com a toga, momento que gerou grande entusiasmo.

“A experiência foi profundamente emocionante, para mim e para as meninas. Para mim, porque revi, em cada uma delas, o esforço e a dedicação que marcaram minha própria trajetória rumo ao sonho da magistratura. Para elas, porque encontraram na palestra alguém a quem recorrer nesse momento de tanto estresse e incertezas que é o pré-vestibular. Em muitas delas, vi brilhar a esperança de que é possível, ainda que difícil, alcançar sonhos altos”, relatou a magistrada. “Senti que a interação entre a gente foi mágica e falei muito sobre abdicar de momentos imediatos em prol de algo maior. Foi bacana demais”, salientou.
Confira mais imagens do projeto
(Texto: Karineia Cruz e Patrícia Papini / Fotos: Edmundo Marques e Laura Cipriano – Diretoria de Comunicação Social do TJGO)
Confira mais imagens do projeto
(Texto: Karineia Cruz e Patrícia Papini / Fotos: Edmundo Marques e Laura Cipriano – Diretoria de Comunicação Social do TJGO)