
O presidente do Tribunal de Justiça do Estado de Goiás (TJGO), desembargador Leandro Crispim, reuniu-se na tarde desta quinta-feira (26), por meio da plataforma Zoom, com magistradas, magistrados, servidoras e servidores, diretoras e diretores de área para tratar das Metas Nacionais do Poder Judiciário a serem estabelecidas pelo Conselho Nacional de Justiça (CNJ) para 2027.
O objetivo principal do encontro foi ouvir sugestões, queixas, dúvidas e observações a serem encaminhadas ao CNJ, a fim de contribuir para o aprimoramento ou a adequação das metas, de acordo com as possibilidades e experiências do TJGO, bem como apontar eventuais contextos e cenários que dificultam o cumprimento de algumas delas.
Ao iniciar o webinário, Leandro Crispim observou que as metas nacionais influenciam as prioridades administrativas, orientam a atividade jurisdicional, definem referências de acompanhamento e repercutem diretamente na organização do trabalho. Por esse motivo, em sua análise, a elaboração delas necessita ser baseada na realidade dos tribunais e, também, na experiência daqueles que atuam diretamente para seu cumprimento.

“É justamente aí que reside a importância desta reunião. As melhores formulações não nascem de abstrações afastadas da rotina forense. Elas ganham consistência quando se aproximam da experiência de quem conhece o ritmo dos acervos, a estrutura dos fluxos, a dinâmica dos gabinetes, a exigência das serventias, a complexidade das secretarias e as condições concretas de execução das diretrizes nacionais”, afirmou, ao incentivar os participantes a manifestarem suas opiniões. “Escuta ativa e qualificada é requisito de boa governança”, frisou.
Informar o que pode ser melhorado

Também o corregedor-geral da Justiça de Goiás, desembargador Marcus da Costa Ferreira, conclamou a todas e a todos a seguirem firmes com a excelência no trabalho que rendeu ao TJGO, até o momento, quatro Selos Diamante do CNJ, consecutivamente. “Vamos sempre tentar manter esse nível mas, também, informar o CNJ acerca do que entendemos que pode ser melhorado, do que talvez não esteja em consonância com o cotidiano dos tribunais e de toda e qualquer alteração que contribua para o que mais importa, que é um serviço entregue de forma rápida e eficaz para a sociedade”, pontuou.

Reconhecimento e sequência
Coordenador do Núcleo Gestor das Metas Nacionais, o Juiz auxiliar da Presidência Reinaldo Dutra também instigou os participantes a se manifestarem, fez uma rápida apresentação dos excelentes resultados alcançados nas metas nacionais de 2025 e parabenizou a todos pelo empenho e dedicação. “Houve muito engajamento, comprometimento e trabalho. Vamos fazer o que for possível para seguir assim, ofertando o máximo de instrumentos, recursos diversos, para auxiliar no cumprimento desses objetivos, mas também queremos que falem o que pensam, que sugiram”, destacou.

“Seguir painéis é essencial”
A diretora do Foro de Goiânia, juíza Patrícia Bretas, ressaltou, por sua vez, a relevância e qualidade dos painéis desenvolvidos pela Diretoria de Planejamento e Inovação que, afirmou, permitem a cada unidade ter um “verdadeiro raio x” de sua situação. “Compartilho essa minha experiência para estimular o uso das ferramentas que o TJGO nos proporciona, que são de altíssima qualidade e também essenciais para que possamos diagnosticar o que mais necessita nossa atenção e, assim, definir um cronograma de trabalho assertivo”.
Clamor social
A secretária-geral da Presidência, Dahyenne Mara Martins, falou da importância daquele momento. “Nessa reunião, sabemos que estamos tomando um tempo valioso de trabalho de vocês. Mas é essencial ouvir o que têm a dizer sobre as metas, para reunirmos essas informações e consolidá-las, de modo a contribuir para o aprimoramento do trabalho do Poder Judiciário e, especialmente, para atender ao clamor da sociedade de forma ágil e eficaz”, ponderou.

Após as servidoras Brenna Martins e Ludmila Coelho, do Núcleo Gestor de Governança e Metas, apresentarem o painel “Metas Nacionais 2026”, que já está disponível na intranet do TJGO, e fornecerem orientações sobre cada uma das metas bem como sobre a utilização da ferramenta, Reinaldo Dutra deu início à fase de escuta dos participantes.
Saúde em foco
Entre as principais observações feitas, a mais frequente se referiu à necessidade de observância, pelo CNJ, da discrepância entre o volume de trabalho e o quantitativo de magistrados e servidores, o que, pode dificultar o cumprimento das metas e gerar desgaste às equipes. “Os gabinetes precisam de maior número de assessores. Sem isso, os que lá estão ficam desgastados, porque o trabalho é excessivamente exigente”, comentou um participante.
Também nesse sentido, foi sugerido que seja avaliada a possibilidade de que, antes de implantadas, as metas sejam avaliadas por profissionais da área médica, levando-se em consideração o risco de afetarem a saúde de juízes e servidores. Como observou uma participante, o serviço prestado pelo Poder Judiciário é muito grande e de alta complexidade, o que impõe um ritmo de trabalho que pode vir a afetar as equipes mental e fisicamente. “Ou seja, na tentativa de cumprir as metas, a pessoa pode acabar adoecendo, o que causa o efeito contrário ao pretendido pelo CNJ”, refletiu uma servidora.

Habilidades diferentes

Outra sugestão disse respeito à importância de se examinar o perfil de cada servidora e servidor, antes de se promover qualquer relotação. “Alguns profissionais são muito meticulosos, então alcançam alto desempenho em procedimentos mais complexos, delicados. Outros, mais ágeis, ideais para fluxos mais rápidos. Respeitar, portanto, a arquitetura mental das pessoas e lotá-las em uma unidade em que efetivamente contribuirão de acordo com suas maiores habilidades é fundamental para que alcancemos um ritmo mais coerente e célere”, manifestou outro servidor.
Também foram propostas a inclusão de metas específicas sobre violência sexual, vítimas hipervulneráveis e idosos, entre outras. (Texto: Patrícia Papini/Fotos: Wagner Soares – Diretoria de Comunicação Social do TJGO)