
A oportunidade do primeiro emprego aliada ao contato direto com a área jurídica tem transformado a rotina de jovens goianos na Central de Jovens de Excelência do Tribunal de Justiça do Estado de Goiás (TJGO), que desde janeiro deste ano funciona no Complexo dos Juizados, em Goiânia. “Está sendo uma experiência muito interessante aprender sobre a área jurídica. Estou gostando bastante”, resume a estudante Ana Beatriz Melo, de 18 anos.

Ela é uma das beneficiárias da iniciativa, uma parceria do TJGO com empresas e o Ministério do Trabalho e Emprego, que oferece a jovens de 18 a 24 anos, com ensino médio completo, a oportunidade do primeiro emprego. Em apenas três meses de atuação, os 30 participantes já analisaram 28.926 processos e realizaram 64.692 atos.
Idealizadora da Central, a diretora do Foro da Comarca de Goiânia, juíza Patricia Bretas, avalia que o programa é bem-sucedido por contribuir tanto para a formação profissional dos jovens quanto para a produtividade das unidades do TJGO.
“A Central de Jovens de Excelência é um sucesso. Eles chegaram até nós por meio de uma parceria entre as empresas privadas e intermediada pelo Ministério do Trabalho. Esses jovens, com sua aptidão para tecnologia, praticaram mais de 60 mil atos judiciais neste ano. É uma via de mão dupla, ao mesmo tempo em que capacitamos esses jovens e abrimos portas para o mercado de trabalho, também fortalecemos nossa atuação com o apoio deles no dia a dia”, pontua, ao acrescentar que o objetivo é ampliar a iniciativa.

Aprendizado
O assessor administrativo da Diretoria do Foro da Comarca de Goiânia, Vinícius Camapum - um dos servidores responsáveis pela consolidação da Central -, comemora os resultados alcançados pela unidade. “Em menos de quatro meses de funcionamento, a Central demonstra um desempenho muito positivo. Agora, a expectativa é ampliar o número de vagas, gerar oportunidades de trabalho para os jovens e, ao mesmo tempo, tornar mais ágil a prestação jurisdicional”, destacou.
Já a servidora responsável pela Central, Pâmella Alcântara, reforça que o programa oferece aos jovens a primeira oportunidade de emprego aliada ao aprendizado jurídico, incentivando inclusive o interesse pela carreira na área. “Eles cumprem jornada de quatro horas diárias, de segunda a sexta-feira, atuando em demandas civis e criminais, especialmente nos juizados. Durante as atividades, acompanham processos desde a citação até o cumprimento de Sentença. Muitos gostam tanto, que decidem seguir na área do Direito”, ressalta.
Ela destaca ainda a efetividade do apoio dos participantes: “Enquanto eles assumem demandas de grande volume, como os retornos de ARs (Avisos de Recebimento), os servidores ficam focados nas atividades mais complexas e estratégicas”, explica.
No dia a dia, os participantes atuam em atividades como expedição de cartas de citação, elaboração de ofícios para delegacias, Habilitação de advogados, atualização de dados processuais, além de inclusão e descarte de pendências. As ações dão suporte a diferentes unidades, como a 5ª UPJ das Varas Cíveis, a Central de Cumprimento de Sentença Cível, a 2ª UPJ dos Juizados Especiais Cíveis e a UPJ das Varas das Garantias.

A estudante de Fonoaudiologia Simone Souza, de 19 anos, ingressou no programa em janeiro e destaca o quanto a experiência tem ampliado seus conhecimentos. “Tenho aprendido muito sobre direitos, especialmente no contexto do trabalho. Mesmo não sendo diretamente da minha área, esse conhecimento faz toda a diferença, amplia nossa visão e nos prepara melhor para o futuro”, afirma.

Já Ana Beatriz conta que a vivência despertou novos interesses profissionais. Acadêmica de Psicologia, ela passou a considerar possibilidades que antes não imaginava. “Comecei a pensar em como posso atuar na psicologia criminal. Está sendo muito interessante, tenho refletido bastante sobre essa área”. (Texto: Karinthia Wanderley / Fotos: Laura Cipriano – Diretoria de Comunicação Social)