
Um espaço de aprendizado, formação prática e oportunidades profissionais. O Serviço Voluntário na Justiça de 1º Grau do Poder Judiciário, na Comarca de Goiânia, tem se consolidado como muito mais do que uma experiência temporária. Em diferentes varas e unidades judiciárias, os voluntários encontram, na rotina diária de trabalho, a oportunidade de conhecer de perto o funcionamento do Judiciário, adquirir experiência, desenvolver habilidades técnicas e, muitas vezes, construir caminhos para futuras atuações na carreira pública.
Instituído e regulamentado pela Portaria nº 052, de 2019, o programa conta, atualmente, com 82 voluntários, que prestam serviços nos gabinetes, Unidades de Processamento Judicial (UPJs) e equipes multidisciplinares no Fórum Cível e Complexo dos Juizados. O serviço atende estudantes e profissionais das áreas de Direito, Psicologia e Serviço Social, além de aposentados.
Para a diretora do Foro da comarca de Goiânia, Patricia Bretas, a atividade é “uma via de mão dupla”, pois beneficia tanto os voluntários quanto o próprio Judiciário. Segundo a magistrada, os participantes aprendem toda a dinâmica de um gabinete, desde despachos até minutas de Sentença, adquirindo experiência prática importante para concursos, futuras seleções e para o ingresso no Poder Judiciário. “Isso faz diferença, porque muitos juízes, quando abrem seleções, colocam a experiência como um dos requisitos. Então, quem já atuou como voluntário acaba saindo na frente”, pontua.

Comprometimento
Formada e pós-graduada em Direito, Cláudia Mendes é voluntária desde 2023 e hoje atua na 4ª Vara de Crimes contra a Vida do Tribunal do Júri, mas já passou por diferentes unidades da Comarca. Ela diz que o voluntariado mudou sua visão sobre a carreira pública e despertou o interesse por concursos. “Eu queria aprender e entender a rotina do Tribunal, mas com o passar do tempo percebi o quanto essa experiência está sendo importante para meu futuro profissional e me motivou para o concurso público. Hoje concilio o voluntariado com os estudos e indico sempre a atividade”, relata.
Cláudia ressalta que o trabalho exige responsabilidade e comprometimento, mesmo sem remuneração. “É voluntário, mas é algo sério. Tem que levar com compromisso, porque as pessoas observam o seu trabalho e isso pode abrir portas”, afirma. Para ela, a convivência com magistrados e servidores permite compreender de perto o funcionamento do Judiciário e adquirir uma formação prática.

Experiência profissional
Há seis meses na 2ª Vara de Sucessões, Dedierre Gonçalves decidiu buscar o voluntariado após perceber a necessidade de ampliar sua experiência prática no Judiciário. Ele ressalta que apesar de a atuação anterior na advocacia, sentia falta da vivência da rotina interna dos gabinetes. “Encontrei no programa a oportunidade de compreender melhor a carreira pública e o funcionamento dos processos judiciais. A demanda é grande e diversificada, o que proporciona uma visão muito ampla da atuação judicial”, explica.
Dedierre afirma que o acolhimento recebido pela equipe facilitou sua adaptação e aprendizado. Ele destaca que a experiência é importante para quem está iniciando a carreira. “Os gabinetes oferecem orientação e acompanhamento. É uma oportunidade para entender o funcionamento do Poder Judiciário e adquirir segurança profissional”, pontua.

Talento reconhecido
A trajetória da gestora master da 1ª UPJ dos Juizados Especiais Cíveis de Goiânia, Glaupe Moabia Cunha Vieira, é um exemplo de como dedicação e persistência podem transformar oportunidades em crescimento profissional. Ela, que foi voluntária por oito meses no 4ºJuizado Especial Cível, durante o ano de 2021, lidera hoje uma equipe com 48 pessoas, entre servidores, terceirizados e estagiários.
Durante o período como voluntária, Glaupe cumpria a rotina com determinação e buscava aprender todas as atividades da serventia. “Eu sempre pensei que, já que assumi aquele compromisso, precisava cumpri-lo da melhor forma possível. Quanto mais eu aprendesse, mais rápido poderia crescer”, ressalta. Com o tempo, o empenho foi reconhecido e oportunidades surgiram dentro do Tribunal.
Em dezembro de 2021, conseguiu o cargo de chefe de secretaria do 3º Juizado Especial Cível e em julho de 2023, assumiu como gestora master. Atuando na gestão da unidade, Glaupe incentiva novos voluntários a enxergarem o programa como uma etapa importante da formação profissional. “Paciência, humildade e persistência são fundamentais. Falo isso para os estagiários, voluntários para darem o seu melhor porque sempre haverá alguém observando o seu trabalho, a sua postura e a forma como você se dedica. E voluntariado é um trampolim. O conhecimento adquirido ali não tem preço, e o Tribunal de Justiça reconhece quem realmente se dedica”, salienta.

A experiência como voluntário também marcou a trajetória de Igor Guimarães, que hoje trabalha como assessor de Juiz, do 1º Juízo do Núcleo de Justiça 4.0. Ele afirma que a experiência que adquiriu foi fundamental para o desenvolvimento técnico e para a adaptação à rotina processual. “Consegui evoluir muito em leitura processual, elaboração de minutas e decisões. É uma experiência importante para quem está começando no Direito”.
Igor destaca ainda o apoio recebido da equipe durante toda a caminhada. Segundo ele, o ambiente colaborativo foi essencial para o aprendizado e para a permanência no TJGO. “Além de ser uma oportunidade de aprendizado, o voluntariado ajuda muito no início da carreira profissional. A equipe sempre esteve disposta a ajudar e orientar”.

Seleção aberta
O programa do TJGO está aberto para receber novos voluntários. O assessor administrativo da Diretoria do Foro da Comarca de Goiânia, Vinícius Camapum, responsável pela iniciativa, informa que os acadêmicos ou bacharéis em Direito, Psicologia, Serviço Social e aposentados interessados em participar do processo seletivo podem encaminhar os currículos para:
Confira aqui mais informações sobre a atividade e a documentação necessária para se tornar um voluntário.
(Texto: Karinthia Wanderley – Fotos: Agno Santos – Diretoria de Comunicação Social do TJGO)