
O Tribunal de Justiça do Estado de Goiás (TJGO) realiza nesta terça-feira (16), às 18 horas, na Câmara Municipal de Cavalcante, a noite de autógrafos do livro “Kalunga em Versos: vozes, poemas e poesias de Cavalcante”. A obra reúne textos de autores das comunidades quilombolas Kalunga e de outros quilombos situados nas regiões de Cavalcante, Teresina de Goiás e Monte Alegre de Goiás, celebrando a cultura, a memória, a ancestralidade e as vozes que nascem do Cerrado. O evento será aberto à comunidade e terá a presença de autores, autoridades, representantes do Judiciário e moradores da região.
Idealizado e coordenado pelo presidente do TJGO, desembargador Leandro Crispim, e pelo juiz auxiliar da Presidência Reinaldo de Oliveira Dutra, o livro marca uma nova etapa do Projeto Raízes Kalungas – Justiça e Cidadania, iniciativa do Judiciário goiano voltada à aproximação institucional, à promoção da cidadania e ao reconhecimento das comunidades tradicionais da região nordeste do Estado.
Para o presidente do TJGO, desembargador Leandro Crispim, a publicação reforça a compreensão de que o acesso à Justiça também passa pela escuta e pelo reconhecimento.
“Este livro nasce da palavra da própria comunidade Kalunga. Depois dos serviços, dos atendimentos e da presença institucional, era preciso abrir espaço para que a memória, a identidade e a poesia desse povo também fossem registradas. Justiça não se faz apenas com documentos e decisões. Justiça também se faz com respeito, escuta e reconhecimento da história de quem ajudou a formar Goiás”, afirma o presidente.
Nas páginas da obra são abordados temas como território, infância, fé, trabalho, tradição oral, natureza, resistência, memória familiar e pertencimento e foram escritos por pessoas de 14 a 64 anos. Num deles, Josiane Cardoso dos Santos, de 41 anos, fala sobre o impacto do projeto Raízes Kalungas na vida das comunidades.
“Achava que Juiz era Deus, de capa preta e desdém, mas a doutora é gente, fala com a gente também”, diz ela no poema “O Dia que o povo virou gente importante”. “Carregamos na pele e no sangue histórias esquecidas, nomes que muitos tentaram apagar, vozes que quiseram silenciar”, diz Carolline Paulino dos Santos, de 17 anos, no poema Eco.
Edital
Os poemas que integram a obra foram selecionados por meio do Edital nº 01/2026, publicado pelo TJGO. O chamamento foi voltado a integrantes das comunidades quilombolas Kalunga e de outros quilombos situados nas regiões de Cavalcante, Teresina de Goiás e Monte Alegre de Goiás.
Cada participante pôde inscrever até três poemas ou poesias, inéditos ou não, abordando temas relacionados à identidade, à memória, à ancestralidade, ao território, aos saberes tradicionais, à cultura e às vivências das comunidades. A seleção foi realizada por uma Comissão Avaliadora formada por magistradas, magistrados, servidoras e servidores do TJGO, com base em critérios como valorização da identidade cultural, originalidade, expressão artística, pertinência temática e clareza textual.
“O resultado é uma coletânea marcada pela pluralidade de idades, comunidades e experiências. Em vez de falar sobre os Kalungas a partir de um olhar externo, o livro reúne textos escritos pelos próprios integrantes das comunidades, que registram em versos suas lembranças, afetos, lutas, tradições e formas de pertencimento”, observa o Juiz auxiliar da Presidência e coordenador do Raízes Kalungas, Reinaldo de Oliveira Dutra.
Para a primeira-dama do Poder Judiciário, Luciene Camargo, a obra também evidencia a relação das comunidades com o território. “As serras, os vãos, as cachoeiras, as roças, as festas, a sussa, as parteiras, as ervas de cura e as memórias dos mais velhos aparecem como elementos centrais da poesia quilombola e nos ajudam a enxergar a riqueza cultural desse povo”, afirma.
Serviço
Evento: Noite de autógrafos do livro Kalunga em Versos
Data: 16 de junho de 2026
Horário: 18 horas
Local: Câmara Municipal de Cavalcante
Realização: Presidência do Tribunal de Justiça do Estado de Goiás (TJGO)
(Texto: Diretoria de Comunicação Social do TJGO)