
O presidente do Tribunal de Justiça do Estado de Goiás (TJGO), desembargador Leandro Crispim, participou nesta terça-feira (16), em Cavalcante, da solenidade de abertura oficial da 3ª edição do Mês da Presidência, dentro do projeto Raízes Kalungas. As ações do Judiciário, que envolvem também parcerias institucionais, vão proporcionar, até o dia 26 de junho, atendimentos, serviços, escuta e campanhas para as comunidades Kalungas nas regiões dos municípios de Cavalcante, Teresina de Goiás e Monte Alegre.
O chefe do Poder Judiciário estadual destacou o respeito e a proximidade do Judiciário em atender o cidadão, além da escuta ativa. “Estamos novamente em Cavalcante, em uma terra onde a memória permanece nos caminhos, nas águas, nas casas e na palavra dos mais velhos. Voltar para a terceira edição do Mês da Presidência possui um sentido especial, pois o Tribunal retorna a um lugar onde aprendeu muito sobre proximidade, escuta e respeito. Foi justamente para reduzir distâncias entre a Justiça e as pessoas que o projeto nasceu. A partir da escuta da população e das lideranças locais, organizamos esta edição”, disse.

Leandro Crispim também ressaltou que quem vive longe da cidade sabe o quanto a busca por um documento, uma orientação ou um atendimento pode exigir horas de estrada, despesas e longos períodos de espera. “Quando os serviços chegam ao território, o percurso fica menor e o direito passa a ocupar lugar real na vida das pessoas. Ao longo das edições anteriores, documentos foram entregues, atendimentos foram realizados e muitas pessoas receberam orientação perto de casa. Junto com os resultados, surgiu uma relação de confiança entre as comunidades, o Tribunal e os órgãos parceiros, o que nos permitiu conhecer melhor as necessidades da região e preparar uma nova etapa de trabalho”, concluiu.
Resgate da cidadania
O corregedor-geral da Justiça de Goiás, desembargador Marcus da Costa Ferreira, pontuou a continuidade da iniciativa e a oportunidade de ver o Judiciário cada vez mais perto do cidadão. “É notório o progresso acontecendo aqui. Judiciário, na verdade, é isso. É estarmos aqui e termos a oportunidade de bater os olhos nos cidadãos que, muitas vezes, foram esquecidos e resgatar sua dignidade. Podem contar firmemente com o Poder Judiciário”, pontuou.

O corregedor do Foro Extrajudicial do TJGO, desembargador Anderson Máximo, resumiu sua fala sobre o projeto Raízes Kalungas no conceito de pertencimento. “É agradecer por tornar perene este sonho. As atividades sociais realizadas me fazem lembrar de exercitar o chamado pertencimento. É fazer parte de um Judiciário que traz toda a estrutura para essa região e diz para a população que ela pertence, integra e faz parte”, disse.

A ouvidora-geral do TJGO, desembargadora Sandra Teodoro, ressaltou que o Judiciário tem levado justiça a todos os pontos de Goiás. “Cavalcante tem uma atenção especial. Era uma região que não tinha a menor assistência e hoje temos tantos programas. Estamos aqui para escutar, ouvir sugestões e reclamações com o intuito melhorar ainda mais”, disse.

Acreditar na Justiça
O Juiz auxiliar da Presidência e coordenador do Projeto Raízes Kalungas, Reinaldo de Oliveira Dutra, pontuou o impacto social da iniciativa. “Contrariando a máxima de Calamandrei, que as pessoas quilombolas e as que vivem nessas comunidades não têm nenhuma possibilidade de acreditar na justiça, por tudo o que aconteceu com os seus antepassados, o Raízes Kalungas se faz presente. O TJGO se manifesta justamente para que as pessoas saibam que a justiça se manifesta para todos, em todos os locais”, falou.

A diretora do Foro da Comarca de Cavalcante, juíza Isabela Rebouças, frisou que quando nada mais se resolve, as pessoas procuram a justiça. “Procuram porque acreditam que a justiça tem capacidade de dar respostas para o problema que elas têm. E se as pessoas começam a procurar mais, significa que elas passam a saber seus direitos, passam a saber como chegar até a justiça e significa que elas confiam. Temos uma grande responsabilidade”, observou.

Parcerias institucionais
Para o defensor público-geral, Tiago Gregório Fernandes, o projeto Raízes Kalungas promove uma justiça próxima da comunidade. “É um povo que representa a resiliência. Um povo que traz exemplo para todo o estado de Goiás. Somos parceiros em vários projetos do Judiciário goiano, que se aproxima cada vez mais da população”, ressaltou.

Já os demais parceiros como Instituto Nacional de Seguridade Social (INSS), Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra), Superintendência de Identificação Humana da Polícia Civil e Ministério Público do Estado de Goiás (MPGO) também pontuaram suas ações durante a agenda institucional, que segue até 26 de junho, com serviços, emissão de documentos e programas para a população Kalunga.

O presidente da Associação Quilombola Kalunga (AQK), Carlos Pereira, trouxe, em um poema, a questão da ancestralidade, da luta por direitos e a parceria com o Judiciário goiano. “Não caminho só. Sou trilha, sou raiz, sou continuação. Agradeço a vida por me colocar na roda certa. Quero agradecer ao TJGO pelo projeto Raízes Kalunga e pelas ações que fortalecem nossa comunidade”.

Doações
Dentro da programação, a Presidência do TJGO entregou 150 cestas básicas e 224 conjuntos de moletom a mães assistidas pelo Centro Espírita Aprendizes do Evangelho de Cavalcante. As doações foram voltadas para pessoas em situação de vulnerabilidade social. Arrecadadas por meio do programa Judiciário Solidário, as doações atenderam pessoas em situação de vulnerabilidade social.

A iniciativa é da primeira-dama do TJGO, Luciene Camargo, que resumiu o sentido das doações a “estender a mão para quem realmente precisa”. “Buscamos instituições, como o Centro Espírita, que fazem esse trabalho de Distribuição para pessoas que realmente precisam, que fazem chegar às famílias que vão precisar desses cobertores e alimentos arrecadados por campanhas realizadas pelo Judiciário goiano”.

A presidente do Centro Espírita, Carmen Luiza, explicou a importância do ato de solidariedade. “Essas doações são importantes. Muitas dessas mães são desprovidas, às vezes, sem emprego fixo. Então, é receber essa ajuda com o sentimento de alívio e cuidado”, disse.
Uma das beneficiadas foi a dona Nelzi Costa Serafim, mãe solo com quatro de filhos. “Ainda mais gratificante para mim, que tenho quatro filhos, problemas de saúde e sou mãe solo”, disse a moradora da comunidade Vão de Alma.

Presenças
Participaram também o juiz auxiliar da Corregedoria do Foro Extrajudicial, Társio Ricardo de Oliveira Freitas; vice-coordenadora Estadual da Mulher, juíza Érika Barbosa Gomes Cavalcante, membro do Grupo de Trabalho Raízes Kalungas; diretor-geral do TJGO, Rodrigo Leandro da Silva; chefe de Gabinete da Diretoria-Geral do TJGO, Virgínia Cheim; assessora da Corregedoria-Geral da Justiça, Viviane Cuba; esposa do corregedor-geral da Justiça, Neila Machado; capitã Ediane, ajudante de Ordem do Presidente do TJGO; delegado da Polícia Civil de Cavalcante, Fernando Rios; promotora de Justiça da comarca de Cavalcante, Úrsula Catarina; responsável pela Divisão de Territórios Quilombolas Representante do Incra, Maurício da Costa Oliveira.
Representando o INSS, Flávia Ferreira da Cunha; a Polícia Civil, Gisela Lima; o Tabelionato do Registro Civil de Cavalcante, Karlos Eduardo; o Núcleo Gestor de Governança e Metas, Marcos Vinicius Borges; as assessoras do juiz auxiliar Reinaldo Dutra, Lyssa Costa e Priscila Ramalho; o secretário de Turismo de Teresina de Goiás, Ladson Fernandes; a secretária Municipal de Administração de Cavalcante, Carolina Magalhães; a coordenadora do Vapt Vupt Rotativa do Governo de Goiás, Viviane Silvestre, servidores da Comarca, comunidade geral, além do grupo Flores e Frutos do Quilombo Morro Encantado.






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(Texto: Karineia Cruz/ Fotos: Acaray Martins – Diretoria de Comunicação Social do TJGO)