
O Tribunal de Justiça do Estado de Goiás (TJGO), por meio do Projeto Raízes Kalungas – Justiça e Cidadania, realizou nesta quinta-feira (18) palestra sobre “Direitos e Deveres: Aprendendo a ser Cidadão, Participação Social, Ouvidoria e Acesso à Justiça”, envolvendo 180 alunos, com idade entre 11 e 15 anos, do Colégio Estadual Dona Joaquina Pinheiro, em Monte Alegre de Goiás.
A iniciativa integra as ações do ‘Mês da Presidência’, que busca aproximar o Poder Judiciário das comunidades quilombolas Kalunga, promovendo cidadania, inclusão social e acesso a direitos. Dentro da agenda institucional, foram repassadas também doações aos Pontos de Inclusão Digital (PIDs) dos municípios de Monte Alegre de Goiás e de Teresina de Goiás, por meio do programa Judiciário Solidário.

No encontro, a ouvidora-geral do TJGO, desembargadora Sandra Teodoro, destacou a participação cidadã como instrumento de transformação social, incentivando os jovens a conhecerem e exercerem seus direitos, bem como atuarem de forma ativa para tomar decisões de impacto em suas comunidades.
“A importância de estarmos aqui é levar o Judiciário cada vez mais próximo às pessoas. Mostrar os canais que eles podem denunciar, ouvi-los, orientar e trazer sugestões sobre qualquer assunto, em especial, para alertar sobre os casos de violência contra a mulher, entendendo que os índices de feminicídio na região são altos. Quando se conhece direitos, toma-se atitudes acertadas”, ressaltou a magistrada.

A primeira-dama do TJGO, Luciene Camargo, também reforçou a necessidade de denunciar. “Existe uma rede de apoio para que vocês não sofram e não deixem as pessoas que vocês amam passar por qualquer tipo de violência. Estamos aqui para compartilhar experiências, esclarecer dúvidas, conscientizar e tentar fazer um mundo melhor, sem violência. Mas é preciso denunciar. Se passar por qualquer situação dessas, denuncie”, pontuou ela, que explicou também que “xingar, trancar em casa e ameaçar” também é violência.
Escuta ativa
A gestora da unidade escolar, Maria de Fátima Dias, enfatizou a contribuição do Judiciário goiano para a comunidade. “São informações que fazem a diferença na vida desses meninos e meninas. Os esclarecimentos fazem com que eles conversem em sala de aula, levem esse conhecimento para a casa e que ele percorra na comunidade. Foi excelente porque a partir disso eles podem evitar casos de violência, como feminicídios, passar a reivindicar seus direitos e fazer denúncias”.
Ao final da palestra, os estudantes puderam interagir e dialogar em um momento de escuta ativa. A jovem Eloisa Vitória Ribeiro da Silva, 14, entendeu a importância de orientar os adolescentes. “Hoje em dia o mundo está difícil e é importante recebermos essas orientações para sabermos o que é certo e errado. Vou voltar para casa sabendo de muitas coisas”, disse.
Judiciário Solidário
Por meio do programa Judiciário Solidário e como parte das ações do Projeto Raízes Kalungas, foram repassados em torno de 300 itens de frio e 30 cestas básicas ao Ponto de Inclusão Digital (PID) de Monte Alegre de Goiás. Também foram entregues 20 cestas ao PID de Teresina de Goiás. Os donativos serão distribuídos para famílias em situação de vulnerabilidade social na região.

Na entrega das doações no PID de Monte Alegre, a primeira-dama Luciene Camargo, idealizadora do projeto, pontuou a importância desse movimento de solidariedade. Ela trouxe como exemplo o caso de uma mulher que esteve no PID de Monte Alegre para requerer a guarda dos três netos e foi contemplada com o programa.

“O projeto social do TJGO vem mobilizando ações em todo o Estado. Hoje vimos o que a iniciativa é capaz de fazer. Estivemos de frente a uma senhora que perdeu a filha que foi vítima do crime de feminicídio, deixando três filhos. O pai foi preso e sem condições de se manter. Essa mulher estava requerendo a guarda dos netos. Então, vemos que esse ato faz diferença. É trazer justiça onde, às vezes, as pessoas não teriam acesso”, expressou.



(Texto: Karineia Cruz/ Fotos: Acaray Martins – Diretoria de Comunicação Social do TJGO)