
O Tribunal de Justiça do Estado de Goiás lança na próxima terça-feira (30) o ConcilIA — Conciliador Assistente, solução de inteligência artificial desenvolvida para apoiar conciliadores, mediadores e servidores na preparação e condução de audiências de conciliação e mediação. O evento será realizado às 10h30, no Salão Nobre da Presidência, na sede do TJGO, em Goiânia.
De janeiro a maio de 2026, os Centros Judiciários de Solução de Conflitos e Cidadania (Cejuscs) do TJGO registraram 93.972 audiências designadas e 65.877 realizadas, com índice de acordos de 27,60%. Com a nova ferramenta, esse índice pode alcançar 50%. Isso porque o ConcilIA analisa as peças processuais e gera relatórios estruturados com resumo do caso, pontos críticos do conflito, interesses das partes, zona provável de acordo, sugestões de propostas de composição e estratégias de comunicação, tudo disponível antes e durante a audiência.
A solução foi desenvolvida pelo Núcleo Permanente de Métodos Consensuais de Solução de Conflitos (Nupemec), pela Secretaria de Governança Judiciária e Tecnológica e pela Diretoria de Inteligência Artificial, Ciência de Dados e Estatística (DIACDE), integralmente com recursos humanos e infraestrutura interna do Tribunal, sem custo adicional de aquisição.
Para o presidente do TJGO, desembargador Leandro Crispim, o ConcilIA representa um avanço importante na forma como o Tribunal utiliza a tecnologia para aprimorar a prestação jurisdicional. “A inteligência artificial vem para apoiar o trabalho dos conciliadores e mediadores, oferecendo informações mais qualificadas para que possam conduzir o diálogo entre as partes com maior segurança e eficiência. Nosso objetivo é ampliar a capacidade de resolução consensual dos conflitos e entregar respostas mais rápidas e efetivas ao cidadão.”
O 1º vice-presidente do TJGO, desembargador Fabiano Abel de Aragão, que preside o Nupemec, complementa que o uso responsável da inteligência artificial abre novas possibilidades para aprimorar os serviços prestados pelo Judiciário. “No caso do ConcilIA, a inovação está a serviço de uma atuação mais preparada e eficiente dos conciliadores e mediadores, sem substituir a sensibilidade e a experiência desses profissionais”.
Diálogo, responsabilidade e escuta
O Juiz auxiliar da Presidência, Gustavo Assis Garcia, destaca que a ferramenta não toma decisões, não impõe acordos e não substitui o profissional. Para ele, sua função é ampliar a capacidade de análise do conciliador e do mediador, preservando a supervisão humana, a imparcialidade e a autonomia das partes. “Ao colocar a inteligência artificial a serviço do diálogo, não estamos substituindo o julgador, nem o conciliador, mas ampliando a capacidade do Tribunal de entregar soluções concretas e consensuais aos cidadãos goianos”, afirmou.
O secretário de Governança Judiciária e Tecnológica, Gustavo Maciel, enfatiza que o TJGO tem investido em inovação com responsabilidade, desenvolvendo soluções próprias que unem conhecimento técnico, inteligência artificial e experiência dos profissionais. “Um dos exemplos é o ConcilIA, ao demonstrar que a tecnologia não substitui a atuação humana, mas amplia a capacidade de análise e contribui para decisões e soluções mais adequadas às necessidades das partes”.
Para o coordenador do Nupemec, Juiz Leonys Lopes, o projeto nasceu de uma escuta direta às necessidades dos profissionais. “O ConcilIA organiza o que está disperso nos autos, identifica o que importa para cada parte e oferece ao profissional um mapa para conduzir o diálogo com mais segurança e precisão. Nossa expectativa é avançar do índice atual de 26,5% para algo em torno de 50% de acordos nas audiências apoiadas”, disse.
O projeto está alinhado à Meta Nacional nº 3 do CNJ, Resolução CNJ nº 125/2010 e Resolução CNJ nº 615/2025, além das diretrizes de governança e uso responsável de inteligência artificial no Poder Judiciário. De acordo com o coordenador do Nupemec, após o lançamento, a ferramenta seguirá em monitoramento contínuo, com acompanhamento de indicadores como taxa de acordos, tempo médio de preparação e avaliação dos profissionais usuários.
(Texto: Diretoria de Comunicação Social do TJGO)