
Em alusão ao dia Internacional dos Povos Indígenas, celebrado em 9 de agosto, o Tribunal de Justiça do Estado de Goiás (TJGO), por meio da Coordenadoria de Igualdade Racial (CIR), promoveu nesta quarta-feira (12), na Escola Municipal Odília Mendes de Brito, no Setor Novo Planalto, em Goiânia, a oficina ‘Saberes Indígenas no Combate ao Racismo’. A iniciativa integra as ações do projeto ‘Justiça que Escuta’, idealizado com o objetivo de aproximar estudantes da cultura e dos saberes dos povos indígenas, contribuindo assim para uma formação mais inclusiva e antirracista.
Em parceria com o Observatório dos Povos Indígenas de Goiás (Opig), vinculado ao Museu Antropológico da Universidade Federal de Goiás (UFG), cerca de 60 alunos, entre 10 e 11 anos de idade, interagiram com representantes indígenas da etnia Iny-Karaja para entender mais a cultura deles e participaram do processo de produção do grafismo na oficina.

Educação antirracista e valorização da diversidade
Para os organizadores do evento, a proposta é ampliar o conhecimento sobre os povos indígenas e o reconhecimento de sua diversidade cultural com foco na educação antirracista. “A Coordenadoria de Igualdade Racial tem um papel ativo de levar uma educação antirracista em vários espaços e, com essa oficina, levamos e orientamos que somos todos iguais, independentes de raça, de cultura e de etnia. Trouxemos a relevância das lutas dos povos indígenas, pelos seus direitos e de seus costumes para dentro das escolas”, enfatizou Adriana Beluá, pertencente da Iny-Karajá e integrante da CIR, juntamente com os demais representantes da equipe, Afonso Rodrigues e Alane Lima dos Santos.

A diretora da unidade escolar, Cintia Aline Duarte Mendes, percebeu que os alunos receberam de forma atenta a vinda do Judiciário goiano e representantes dos povos indígenas na escola. “É uma grande satisfação ter a presença do Tribunal de Justiça na escola. Muitas vezes, trabalhamos com diversas abordagens, mas quando vem alguém de fora, eles têm um olhar diferente. Essa escola está em uma comunidade que precisa desse acesso à cultura, a informação e estamos fazendo nosso papel de plantar sementes junto dessas crianças”, falou.

A jovem Allana Rita de Siqueira, de 10 anos de idade, exaltou a importância do conhecimento para respeitar as pessoas. “Fiquei muita curiosa de saber mais sobre os povos indígenas porque pensava que só tinha na região da Amazônia, Amapá e Acre. Me surpreendi com algumas informações e, na oficina, falaram muita coisa e que tem indígenas em Goiás também. O professor falou que é preciso conhecer para respeitar e que tem que tratar todo mundo igual”.

Observatório dos Povos Indígenas de Goiás (Opig)
Durante a oficina, os oficineiros Glauber Iesoru Masion Karaja, integrante do Opig, e Fabio Teitxiwa Karaja falaram de costumes, grafismos e a importância dos alunos conhecerem a cultura indígena. “Trouxemos informações sobre nossa origem, comunidade e etnia. Venho trabalhando com a oficina desde 2022, participando de vários eventos, como o Festival do Cerrado, e nos dá orgulho de falar sobre a identidade do povo Iny-Karajá, onde pertenço”, falou Glauber Karaja, que emendou também sobre a parceria com o Judiciário goiano. “É uma parceria muito importante porque conseguimos levar nosso dia-a-dia, nossa cultura para outras pessoas que não são indígenas para ver o tanto que é importante nossa cultura. E isso faz muita diferença”, ressaltou.


(Texto: Karineia Cruz / Fotos: Agno Santos – Diretoria de Comunicação Social do TJGO)